Política

CAMPO GRANDE

Exonerada da Sudeco, Rose Modesto deve se dedicar a pré-candidatura a prefeita

Cargo será ocupado pela diretora de administração da superintendência, Luciana de Sousa Barros

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Publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (15), a exoneração da pré-candidata Rose Modesto do cargo de Superintendente do Desenvolvimento do Centro Oeste (Sudeco). 

No dia 11 de maio, Rose havia informado ao Correio do Estado, o pedido da troca de comando, que será ocupado pela atual diretora de administração da superintendência, Luciana de Sousa Barros.

“Não tem mais a possibilidade de não sair candidata à prefeita. A minha pré-candidatura está posta e a minha saída da Sudeco é definida”, afirmou na época.

A ex-titular da Sudeco repassou ao Correio do Estado uma cópia do e-mail do responsável pelo trâmite no Ministério da Integração Regional, solicitando a documentação à atual diretora de administração, Luciana Barros.

No e-mail, Sidney de Almeida Alves explica que, “tendo em vista a sua indicação para o cargo de superintendente, CCE 1.17, da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, segue formulários para preenchimento e assinatura”.

Ainda no e-mail, o técnico do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional chega a pedir currículo atualizado, cópia do RG ou CNH e documentação comprobatória referente à experiência profissional de Luciana, bem como os cargos em comissão ou funções comissionadas já ocupadas por ela.

A exoneração foi assinada pelo Ministro da Casa Civil, Rui Costa dos Santos. Agora, Rose deverá se dedicar à pré-candidatura para prefeita do município de Campo Grande, pelo partido União Brasil.

Histórico

Os primeiros passos de Rose Modesto na carreira política foram dados entre 2008 e 2014, quando foi eleita vereadora por dois mandatos em Campo Grande e, posteriormente, vice-governadora durante o mandato de Reinaldo Azambuja no período de 2015 a 2018, ambos pelo PSDB. 

Em 2016, Rose tentou o cargo de prefeita na Capital, mas foi derrotada no segundo turno por Marquinhos Trad.

Já na primeira experiência eleitoral, em 2008, Rose foi conduzida pelos eleitores para a Câmara de Vereadores. De acordo com informações de seu site oficial, durante seis anos de atuação no legislativo municipal, Rose apresentou 132 Projetos de Lei nas áreas de educação, assistência social e proteção à mulher.

Em 2018, foi eleita deputada federal, sendo a parlamentar mais votada do estado. No ano de 2022, mudou para o partido União Brasil. 

CLUBE DO BOLINHA

MS caminha para mais uma eleição ao governo sem candidaturas femininas

Diferentemente do pleito de 2022, quando duas mulheres concorreram, neste ano só há pré-candidatos masculinos no Estado

14/04/2026 08h05

As ex-candidatas ao governo Rita de Cássia Gomes (1994), Marisa Serrano (2002), Giselle Marques (2022) e Rose Modesto (2022)

As ex-candidatas ao governo Rita de Cássia Gomes (1994), Marisa Serrano (2002), Giselle Marques (2022) e Rose Modesto (2022) Montagem

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A presença nas disputas pelo cargo de governador de Mato Grosso do Sul permanece limitada ao sexo masculino, apesar de avanços pontuais ao longo das últimas décadas.

Desde a criação do Estado, em 1977, só quatro mulheres concorreram ao cargo máximo do Executivo sul-mato-grossense, mas nenhuma delas foi eleita governadora. A primeira candidatura feminina ao governo estadual foi registrada em 1994.

Trata-se de Rita de Cássia Gomes Lima (Prona), mas ela não foi eleita. Somente o pleito de 2002 voltou a ter uma mulher como candidata à cadeira de chefe do Executivo estadual, a então deputada federal Marisa Serrano (PSDB).

Ela teve o melhor desempenho feminino, chegando ao segundo turno contra o então governador Zeca do PT, que acabou reeleito.

Após esse intervalo sem protagonismo feminino competitivo, novas candidaturas surgiram na eleição de 2022, marcando um avanço na presença feminina, tendo na disputa pela cadeira de chefe do Executivo duas mulheres: a ex-vice-governadora Rose Modesto (União Brasil) e a advogada Giselle Marques (PT).

Rose Modesto terminou em terceiro lugar, ficando próxima de uma vaga no segundo turno, enquanto o segundo turno foi disputado pelo atual governador Eduardo Riedel (PP) e pelo então deputado estadual Capitão Contar, na época no PRTB, mantendo a predominância masculina na fase decisiva das eleições estaduais.

O histórico revela um padrão persistente: embora as mulheres sejam a maioria do eleitorado, sua presença nas disputas pelo governo do Estado ainda é reduzida e, em geral, com menor estrutura política.

O desafio agora é transformar essa participação crescente em competitividade real, abrindo caminho para que Mato Grosso do Sul eleja, pela primeira vez, uma governadora.

Pelo cenário até agora, o Estado terá outro pleito sem mulheres, pois os nomes colocados são todos de homens: Eduardo Riedel, Fábio Trad (PT), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (Psol), Renato Gomes (DC) e Jeferson Bezerra (Agir).

No único caso em que há uma mulher na chapa majoritária, ela aparece como pré-candidata a vice-governadora: a ex-primeira-dama do Estado Dona Gilda Maria dos Santos (PT), esposa de Zeca do PT e que está na chapa encabeçada por Fábio Trad.

O cenário reflete um problema estrutural no Estado: baixa presença feminina nos cargos políticos e sub-representação em praticamente todas as esferas.

Na disputa ao Senado, o quadro não muda em MS, pois há apenas duas pré-candidatas: a senadora Soraya Thronicke (PSB) e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL).

De 1982 a 2022, seis mulheres concorreram ao Senado no Estado e quatro foram eleitas: Marisa Serrano (eleita em 2006), Simone Tebet (eleita em 2014), Soraya Thronicke (eleita em 2018) e Tereza Cristina (eleita em 2022).

Apenas Francisca Escobar (Prona) e Anita Borba (Psol) não foram eleitas, em 1994 e 2006, respectivamente. Isto é, em cerca de 40 anos, a presença feminina é extremamente baixa na disputa pelas três vagas de Mato Grosso do Sul no Senado.

*Saiba

A disputa pela Presidência da República também pode ocorrer sem nenhuma candidata mulher. Apesar do discurso recorrente dos partidos – da esquerda à direita — em defesa do eleitorado feminino, a prática mostra outra realidade.

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ICE

Prisão de Ramagem nos EUA: deportação, extradição ou asilo? Veja os cenários possíveis

Ex-deputado foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) nesta segunda-feira, 13

13/04/2026 22h00

Alexandre Ramagem

Alexandre Ramagem Foto: Câmara dos Deputados

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A detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos pode resultar em deportação por questões migratórias ou no avanço do processo de extradição solicitado pelo Brasil, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão.

Há ainda um pedido de asilo político feito pelo senador Jorge Seif (PL-SC). No documento enviado à embaixada e obtido pelo Estadão, o senador bolsonarista afirma que o caso de Ramagem envolve riscos à segurança jurídica e levanta questões sobre perseguição política.

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) nesta segunda-feira, 13.

A prisão de Ramagem já foi registrada no sistema eletrônico do ICE. "A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA", diz a nota da Polícia Federal.

"O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", complementa.

Aliado de Ramagem, o influenciador Paulo Figueiredo, que também vive nos Estados Unidos, afirma que ele foi detido apenas por uma infração de trânsito e que está prestando assistência para que ele não seja deportado. Figueiredo disse que Ramagem tem um pedido de asilo pendente nos EUA e, por isso, estaria em condição legal no país.

"Isso não tem absolutamente nada a ver com o pedido de extradição do Brasil, que segue em análise no Departamento de Estado", disse.

Deportação X extradição

A professora de Direito da FGV Direito SP Luísa Ferreira afirma que se a detenção tiver caráter migratório, o caso pode resultar em deportação. "Ele é parado ali pelos policiais, está sem documentação - ao que tudo indica, ele não tem passaporte válido - e aí, como qualquer pessoa que está sem documentação, principalmente neste governo Trump, que tem feito uma política dura migratória, ele é levado e detido por falta de documentação, por estar nos Estados Unidos de maneira ilegal", explicou.

A professora ressalta que é fundamental diferenciar deportação de extradição. "A deportação é por um problema de falta de documentação. Se ele for deportado, assim que chega ao Brasil ele é automaticamente preso, porque a condenação já transitou em julgado e há um mandado de prisão em aberto", disse.

Já no caso de extradição, o processo tende a ser mais demorado e envolve análise jurídica. "Vai ter uma avaliação se o crime é reconhecido nos dois países, se é ou não crime político. Existe um tratado entre Brasil e Estados Unidos para os casos de extradição, mas é um procedimento mais lento", afirmou.

Asilo político

Durante os dois processos, Ramagem poderia apresentar defesa alegando direito a asilo político. A doutora em Direito Internacional pela Universidade São Paulo (USP) Paula Ritzmann Torres afirma que a pessoa detida pode requerer asilo quando considerar que sofre perseguição política no seu Estado de origem.

"A concessão de asilo impede tanto a deportação quanto a extradição, motivo pelo qual os respectivos processos podem ser suspensos enquanto se aguarda a decisão sobre o asilo, que segue um procedimento próprio.

Segundo a especialista, durante o período de análise a pessoa não está tecnicamente legal no país, mas não é retirado do território até que se decida.

Passaporte diplomático cancelado

O pedido de extradição de Ramagem foi entregue ao governo dos Estados Unidos em 30 de dezembro do ano passado, mas não há prazo para a análise. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ramagem fugiu para os Estados Unidos durante o julgamento da ação penal da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele perdeu o mandato de deputado no fim do ano passado e foi condenado a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado.

Após a condenação, o ministro do STF Alexandre de Moraes havia solicitado a extradição de Ramagem para o cumprimento da pena no Brasil. Ainda não há informações oficiais sobre se a detenção realizada pelo serviço de imigração tem relação com esse pedido de extradição.

Ramagem deixou o Brasil por Roraima e entrou na Guiana de carro, de onde embarcou num avião para os Estados Unidos. O governo dos EUA vinha resistindo a cumprir outras ordens de Moraes para extraditar aliados do ex-presidente que fugiram aos EUA, como o blogueiro Allan dos Santos, foragido desde 2021.

Em fevereiro desse ano, ele foi interrogado por videoconferência pelo STF. Segundo os autos, a ação trata de supostos crimes cometidos após a diplomação, relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo dano qualificado com violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, com prejuízo considerado relevante. Os fatos investigados teriam ocorrido até o término de seu mandato parlamentar.

Ele teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado e também teve o passaporte diplomático cancelado. Nas redes sociais, afirmou à época que a decisão foi resultado de uma "canetada" e que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), atua como "subordinado de um ministro ditador".

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