Política

CONGRESSO NACIONAL

Orçamento é aprovado com salário mínimo de R$ 540

Orçamento é aprovado com salário mínimo de R$ 540

Clodoaldo Silva, Brasília

23/12/2010 - 01h50
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Para atender a pressão da bancada do PDT, o Governo Federal fez manobra contábil de deixar à disposição R$ 5,6 bilhões no Orçamento Geral da União de 2011 para o reajuste do salário mínimo. Dessa forma, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional aprovou ontem o novo mínimo na ordem de R$ 540. Com a reserva, o Planalto deixou em aberto a possibilidade de, por meio de medida provisória, aumentar o mínimo no decorrer do próximo ano. A matéria precisa ser aprovada ainda em plenário. Até o início da noite de ontem, os parlamentares não a haviam apreciado.

A estratégia do governo foi adotada para evitar que a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) comece sua gestão sem Orçamento, levando em conta a possibilidade de o Congresso entrar em recesso sem apreciar a matéria.

O impasse sobre o valor do salário mínimo começou anteontem, quando o PDT — partido da base aliada — anunciou que não votaria o orçamento se o mínimo ficasse em R$ 540 em 2011, como propôs a relatora Serys Slhessarenko (PT) em seu relatório.

Para conter a rebelião comandada pelo PDT, o governo aceitou incluir uma reserva de R$ 5,6 bilhões na peça orçamentária que poderão ser usados para um reajuste maior do salário mínimo em 2011. Os governistas criaram a "reserva" para garantir uma margem de negociação das centrais sindicais com o governo — o que abriu caminho para o acordo — já que as entidades que representam os trabalhadores reivindicam reajuste dos atuais R$ 510 para R$ 580. "Quando for votar a medida provisória do salário mínimo, vão falar que não tem dinheiro. Então, para que a gente possa chegar lá com mais tranquilidade, a gente tem que reservar o máximo de dinheiro possível", disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.

O governo também teve de usar a ‘força’ política que tem no Congresso Nacional para derrotar a oposição, que pretendia limitar o remanejamento de recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Os governistas conseguiram manter a regra atual que permite o livre remanejamento de 30% dos recursos do programa.

O líder do PSDB na comissão, deputado Rogério Marinho (RN), disse que iria buscar a supressão do dispositivo que permite ao governo remanejar livremente 30% dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — o equivalente a R$ 12 bilhões — por decreto em plenário.

O deputado afirmou que o governo foi autorizado em julho a remanejar uma parte do PAC dentro de uma mesma ação, mas descumpre a regra que o obriga a comunicar essas alterações ao Congresso a cada trimestre.

Ainda na votação na comissão, o DEM conseguiu aprovar uma emenda que veda o cancelamento de emendas coletivas de bancada estadual nos projetos de créditos suplementares ao Orçamento. A relatora havia excluído apenas as emendas individuais e 50% do valor das de bancada.

BR-163 no PAC
A duplicação da BR-163 em Mato Grosso do Sul foi incluí-da nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no relatório final do Orçamento Geral da União de 2011. A iniciativa partiu do deputado federal Waldemir Moka (PMDB-MS), que é o presidente da Comissão Mista do Orçamento, e foi acatado pelo colegiado. Para as obras na rodovia no próximo ano estão assegurados R$ 104 milhões.

A vantagem da inclusão da BR-163 na relação de obras do PAC é que o Governo federal tem autonomia para remanejar livremente 30% dos recursos do programa, o equivalente a R$ 12 bilhões, o que facilita a execução de qualquer obra no País.

Revogado

Relator no TSE derruba decisão de Nunes Marques e mantém canal 'Exército do Lula' no WhatsApp

Nunes Marques havia atendido solicitação da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)

11/10/2026 15h30

Ministro Kassio Nunes Marques

Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Divulgação / X

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O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, e manteve no ar o canal “Exército do Lula” no WhatssApp.

Na manhã deste domingo, 11, Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e determinou a derrubada do canal, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

Nunes Marques havia afirmado que o canal transmitia “a milhões de pessoas, sob comando único” conteúdos que o TSE já reconheceu como “inverídicos.” “A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral”, dizia de decisão.

A campanha de Flávio alegou que o canal foi criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) para disseminar desinformação sobre o cancelamento do Programa Bolsa Família, redução do valor de aposentadorias, entre outros casos.

No entendimento de Kassio, o canal é responsável pela replicação de conteúdos que já foram considerados “inverídicos” pelo tribunal, como a afirmação de que Flávio seria favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida de padroeira do Brasil, além de afirmar que o candidato reduzirá aposentadorias se for eleito.

“Quando essa mesma potência é posta a serviço da replicação de fatos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, o dano ao equilíbrio do pleito é imediato e de difícil reversão”, afirmou.

O presidente do TSE também afirmou que a "paridade de armas" deve ser garantida entre os candidatos.

“A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”, completou.

Competência

Kassio ressaltou ainda que sua decisão foi tomada em função da proximidade do segundo turno das eleições.

“O perigo na demora também está presente. O segundo turno das eleições realizar-se-á em 25 de outubro de 2026, e cada hora de funcionamento do canal amplia a exposição do eleitorado, com repercussão imediata e de difícil reversão”, justificou.

A legalidade do canal “Exército do Lula” já estava judicializada no TSE antes da decisão do presidente da Corte.

A campanha de Flávio ajuizou uma ação para cassar o mandato de Janones, além de solicitar a suspensão do canal.

Neste sábado (10), o ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, relator do processo, pediu que o presidenciável apresente informações complementares.

Em suas redes, Janones rebateu a acusação de que utiliza o canal para disseminar notícias falsas. Segundo ele, o objetivo do canal é mobilizar e orientar eleitores durante o segundo turno das eleições presidenciais, que será disputado no dia 25, último domingo do mês, entre Flávio e Lula.

Janones também enfatizou que não divulgou nenhuma notícia no canal.

“A gente estava só mobilizando, crescendo páginas, trazendo pessoas, explicando como que iria funcionar”, complementou.

Janones disse que o pedido da candidatura do PL é motivado por “medo”.

“Eles pedem que eu seja proibido de criar outros canais. Sabe o nome disso? Medo. Eles estão com medo”, disse.

Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil 

MARCHA PELA DEMOCRACIA

Movimento pró Lula reúne 1 milhão de apoiadores na Avenida Paulista

Entre as autoridades que participaram do movimento, estiveram presentes: Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE)

11/10/2026 14h45

Movimento na Avenida Paulista reuniu cerca de 1 milhão de apoiadores de Lula, neste domingo (11)

Movimento na Avenida Paulista reuniu cerca de 1 milhão de apoiadores de Lula, neste domingo (11) Reprodução: rede social / Lula

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um ato na Avenida Paulista, na manhã deste domingo (11). Segundo o perfil oficial do candidato à reeleição, cerca de 1 milhão de apoiadores se reuniram nas ruas de São Paulo para o ato, o qual teve o objetivo de reverter o cenário das eleições no segundo turno, diante da desvantagem na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), que ficou à frente no primeiro turno da eleição.

Entre as autoridades que participaram do movimento, estiveram presentes: Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE).

O ato, batizado de Marcha pela Democracia, foi convocado por estudantes, comunidades de fãs, movimentos sociais e partidos de esquerda. A concentração começou às 11h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu até a praça Roosevelt, no centro da capital paulista.

Em discurso durante a marcha, Lula criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Nunes Marques de derrubar um canal do Whatsapp com mais de 3 milhões de apoiadores do petista, a pedido da campanha de Flávio, ao dizer que dissemina desinformação. Além disso, Lula disse desconfiar do comportamento da Justiça Eleitoral.

"Não é possível que um presidente [de tribunal] eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano", afirmou Lula a jornalistas, em referência a Kassio Nunes Marques.

O petista disse ainda estar "desconfiado do comportamento da corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa".

"Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral", afirmou. "Acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral, porque já há alguns dias estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", completou Lula.

Novo canal

Logo após a ordem de derrubada, Janones gravou vídeo criticando a decisão e convocando seus seguidores a entrarem em um novo canal no Instagram. No material, ele pede que os eleitores de Lula denunciem a decisão de Kassio e diz que a medida será um tiro no pé na campanha de Flávio.

"Não é que se Flávio Bolsonaro for eleito, a censura vai ser instalada. A censura já começou", afirmou. "Só que eles vão sentir a força de 3,3 milhões de pessoas unidas. Nós não vamos nos calar. Nós vamos continuar."

"Vocês venceram a batalha, mas a guerra vocês não venceram", disse. "Eu vou criar um canal dentro do Instagram, que aí eles não terão como derrubar", seguiu Janones.

Na última quarta, Lula disse que sua campanha de primeiro turno neste ano foi a menos organizada de suas disputas presidenciais. Ele deu a declaração a aliados ao lado do coordenador da campanha, Edinho Silva, que foi criticado por petistas pela forma como conduziu o esforço de reeleição de Lula.

"Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou Lula.

*Com informações do Folha de S. Paulo

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