O advogado Ricardo Machado Filho, que atuava na defesa de Alcides Bernal no processo por homicídio do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, criticou o Poder Judiciário por não ter revogado a prisão preventiva e concedido a prisão domiciliar ao ex-prefeito, que morreu na Santa Casa de Campo Grande na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos.
"Recebemos a notícia que nos deixou entristecidos, porque foi dado um alerta ao Poder Judiciário desde abril, desde o primeiro pedido de revogação de prisão preventiva foi comunicada a questão da saúde dele, os riscos que ele poderia sofrer, o quadro que poderia se agravar e infelizmente foi o que aconteceu", disse o advogado, durante velório de Bernal.
O advogado cita ainda que o último pedido ao Judiciário foi feito na semana passada, após o ex-prefeito sofrer um infarto, sendo anexados laudos médicos que atestatavam os problemas de saúde e informava a necessidade de repouso relativo e acompanhamento médico por, no mínimo, 30 dias.
Este pedido foi negado na última quinta-feira (9), pois o juiz considerou, entre outros pontos, que o Presídio Militar teria mais estrutura para atender uma emergência do que a residência de Bernal.
No entanto, o advogado diz acreditar que se estivesse em casa, em tratamento, ele ainda estaria vivo.
"Infelizmente ele foi devolvido ao presídio e, como é sabido, os presídios do nosso país não têm condições de abrigar situações como esta. Ele passou mal, voltou ao hospital e, infelizmente, veio a óbito nessa madrugada de domingo para segunda-feira", acrescentou Machado Filho.
A família presente no velório e sepultamento preferiu não se pronunciar, devido ao luto. Em nome deles, o advogado disse que todos estão entristecidos e indignidados pelo fato dele ter falecido sem ter a oportunidade de ter sido julgado.
O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, pronunciou Bernal por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, em júri popular, que ainda não tinha data marcada.
"O Poder Judiciário, eu acho que nessas grandes causas tem que tomar essa cautela e esse cuidado. Não é porque a causa é midiática, não é porque a causa é pública, que o Poder Judiciário tem que analisar de maneira diferenciada. Nesse caso, era um sujeito que não tinha um histórico algum de violência, era uma pessoa pública, cardíaca. Então, eu lamento muito o que aconteceu e, infelizmente, nós temos uma situação de que um acusado de um crime não foi sequer oportunizado a ele o direito de ser submetido a um julgamento", concluiu o advogado.
Falecimento
Bernal faleceu na madrugada desta segunda-feira (13), na véspera de seu aniversário. Ele teve a revogação da prisão preventiva com a concessão de prisão domiciliar humanitária negada e a defesa tentava a prisão domiciliar alegando risco de morte súbita.
O velório do ex-prefeito Alcides Bernal foi realizado no Cemitério Parque das Primaveras, localizado na avenida Tamandaré. A cerimônia teve duração de cinco horas, com o sepultamento às 16h no mesmo local.
A prefeita de Campo Grande e a Câmara Municipal decretaram luto oficial de três dias.
Homicídio
A mais recente polêmica envolvendo Alcides Bernal foi no dia 24 de março de 2026, quando ele matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.
No mês passado, o juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri concluiu haver indícios suficientes de autoria e materialidade e determinou o julgamento por júri popular, que ainda não tinha data marcada.
Ele responderia pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.


Ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, era amigo de Bernal. Foto: Gerson Oliveira
Advogada, Jacqueline Hildebrand Romero, amiga de Bernal. Foto: Gerson Oliveira
Publicitária, Márcia Scherer, colega de trabalho de Bernal. Foto: Gerson Oliveira

