Cidades

DIOGRANDE

Em meio à 'guerra' do IPTU, Adriane concede isenção à gigante JBS

Executivo da Capital trouxe à público uma isenção da base de cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano concedida para a gigante JBS por quase uma década

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Nesta sexta-feira (16) o Executivo da Capital trouxe à público uma isenção da base de cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano concedida para a gigante JBS por quase uma década, através de publicação no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), enquanto a Cidade Morena vive uma "guerra" do IPTU. 

Conforme o texto publico hoje (16) no Diogrande, a Câmara Municipal aprovou - em dezembro, como bem acompanha o Correio do Estado - e a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), sancionou a lei que autoriza a concessão de incentivos, com encargos, à empresa JBS S/A, no âmbito do Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande (Prodes). 

Vale lembrar que, até agosto de 2024 quase 70% dos trabalhadores da J&F Investimentos trabalhavam nas fábricas da JBS, que leva o nome do fundador José Batista Sobrinho e é considerada a maior empresa de proteínas do mundo. 

Pelo decreto, o Poder Executivo da Capital fica autorizado a conceder incentivos que passam inclusive pela isenção de Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza-ISSQN incidente sobre as obras de construção civil do empreendimento incentivado, localizado na Rodovia BR 060, Km 398,94, parcelamento do Bairro Jardim Tarumã. 

Estabelece também a isenção da base de cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano por nove anos, além de Incentivo adicional de redução de 50% da base de cálculo do IPTU, pelo período de 12 meses, incidente por desenvolver quatro projetos sustentáveis, sendo dois voltados para o desenvolvimento ambiental e dois voltados ao desenvolvimento social.

"Para a efetivação dos incentivos de que trata este artigo, os encargos, principais e acessórios, a serem cumpridos pela beneficiária e pelo Poder Executivo, deverão constar no Termo de Adesão e Compromisso a ser assinado pelos partícipes, tendo os benefícios validade a partir da assinatura do termo e de parecer favorável da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz)", cita o parágrafo único do terceiro artigo do decreto. 

Além disso, a isenção define que a mão de obra contratada seja selecionada com intermédio da Fundação Social do Trabalho de Campo Grande (Funsat), bem como aderir ao Selo de Compromisso com a Igualdade de Gênero (CIG).

Prodes

O chamado "Prodes" dá sequência a política de instalação, ampliação e modernização de empresas sediadas na Capital, por meio de incentivos de doação de imóveis públicos, com encargo, em especial nos Polos Empresariais Municipais, especialmente criados para tal fim, ou ainda incentivos de natureza fiscais, objetivando o incremento da geração de empregos de forma direta e indireta.

O programa é instituído pela Lei Complementar Municipal n. 418, de 15 de outubro de 2021, sendo regulamentada pelo Decreto n. 15.081, de 4 de fevereiro de 2022. 

A Lei Complementar n. 418/21 estabelece em seu artigo 1º que o Prodes tem como finalidade impulsionar o desenvolvimento econômico, social, turístico, cultural e tecnológico do Município, de forma sustentável, mediante concessão de incentivos fiscais e extrafiscais para pessoas jurídicas e empresários individuais que, registrados nos órgãos competentes, preencherem os requisitos previstos em seu texto.

Gigante em MS

Posse da família Batista que controla empreendimentos que vão do ramo de celulose à mineração, a JBS faz parte da 'holding' brasileira criada em 1953 que comanda a Eldorado Celulose; a Âmbar Energia, para geração, transmissão e comercialização desse produto e outros tantos negócios.

Cabe citar que, em sua carta de empresas, o grupo traz ainda a plataforma de informações do "agro", Canal Rural, e também o ecossistema financeiro da PicPay; além de tocar em Mato Grosso do Sul também a LHG Mining, com sede em Corumbá. 

Até o levantamento repassado ao Correio do Estado em agosto de 2024, o grupo J&F já somava 24.850 "colaboradores sul-mato-grossenses", dos quais cerca de 69,6% desses funcionários estariam concentrados nas 25 fábricas de bovinos, frangos e suínos localizadas em Mato Grosso do Sul. 

Ou seja, considerada um dos maiores empregadores de Mato Grosso do Sul pelo menos desde 2021, quando respondia por mais de 7% dos empregos diretos gerados no Estado (107.090 em números totais à época), a empresa usa das mais variadas estratégias de persuasão, como a possibilidade de seletiva no período noturno para o proletariado buscar uma fonte de renda no contraturno. 

Guerra do IPTU

Ainda em meados de novembro - como bem acompanha o Correio do Estado - a Prefeitura de Campo Grande reduziu pela metade (de 20 para 10%) o desconto de quem paga o IPTU à vista, mas as alterações que incidem sobre os valores desse imposto não iriam parar aí. 

Nos carnês deste 2026, se considerado apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), haveria somente a correção no valor do IPTU em Campo Grande conforme o chamado IPCA-E, que para esse exercício seria de 5,32%. 

O titular Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Ulysses da Silva Rocha, pontuou há cerca de uma semana a cobrança que, segundo ele, já estaria prevista nos códigos municipal e nacional que, para imóveis territoriais em bairros com mais de três equipamentos públicos (iluminação pública, escola, água, luz, etc.), por parâmetro municipal a Prefeitura pode e aplicou a cobrança de 3,5%, o máximo que estaria previsto no Código Tributário Nacional. 

Justamente esse "tarifaço sobre os terrenos baldios", como bem abordado no Correio do Estado, é o que ajuda a explicar a "chiadeira" sobre o IPTU neste começo de 2026.

Em outras palavras, até o ano passado os proprietários de boa parcela destes terrenos pagavam 1% de imposto, até essa mudança para 3,5% que sozinha já representa um aumento de 250% no valor do carnê e, se estes terrenos estão na lista dos 45% dos imóveis que sofreram majoração desta taxa por conta da reclassificação feita este ano, acabaram sofrendo tarifaço duplamente.

"Então, se o cara tinha um imóvel de 100 mil reais e pagava mil, ele pode, dependendo do caso, estar pagando 3.500 reais, mas sem uma alteração do valor venal do imóvel, mas dentro de acordo com o que o Código Tributário Municipal estabelece em consonância com o Código Tributário Nacional", disse o próprio secretário de relação há exatamente uma semana (07). 

Alegando que ficou de fora dos debates referentes ao aumento do IPTU, a Câmara Municipal de Campo Grande indicou a constituição de uma equipe técnica especializada para estudar, discutir e avaliar os critérios utilizados na elaboração. 

Instituída a Comissão Técnica que tem atuado em cima das mudanças anunciadas sobre o IPTU, foram necessários alguns posicionamentos da Câmara e demais entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil do Mato Grosso do Sul (OAB-MS) para que os prazos do IPTU fossem alterados, e até uma sessão extraordinária na Câmara de Campo Grande na noite de segunda-feira (12), suspendendo cobrança da taxa de coleta de lixo que vem embutida no carnê do IPTU.

Menos de um dia depois, o Adriane Lopes decidiu pelo veto total ao projeto de Lei Complementar n. 1.016/2026 da Câmara Municipal, alegando entre outros pontos que o Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI) trata-se de um instrumento técnico-cadastral que depende de atualização e operacionalização administrativa. 

Ao Correio do Estado, o procurador da Casa de Leis, Dr. Gustavo Lazzari esclareceu que a Câmara Municipal têm cerca de um mês para decidir se acatam ou derrubam o veto. Ou seja, se for publicada e promulgada ela passará a valer, só podendo ser derrubada através de ordem judicial ou por meio de um outro projeto de lei.

"Para derrubar o veto precisa de maioria, que nesse caso são 15 votos. É que está em recesso e por ser essa situação de emergência convocaram uma extraordinária, para tentar de alguma forma amenizar essa situação urgente. O que não é comum", disse. 

 

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Infraestrutura

Prefeitura prepara obra de R$ 1,2 milhão na Avenida Europa em Campo Grande

Intervenção prevê recuperação de quase 9 mil m² de asfalto e melhorias de acessibilidade; licitação será realizada em 4 de novembro.

16/10/2026 18h17

Imagem aérea mostra equipes e máquinas trabalhando na pavimentação de uma rua de Campo Grande. Prefeitura abriu licitação de R$ 1,16 milhão para recuperar a Avenida Europa.

Imagem aérea mostra equipes e máquinas trabalhando na pavimentação de uma rua de Campo Grande. Prefeitura abriu licitação de R$ 1,16 milhão para recuperar a Avenida Europa. Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande abriu licitação estimada em R$ 1,16 milhão para contratar uma empresa responsável pela recuperação da Avenida Europa, no trecho entre as avenidas Ernesto Geisel e Bandeirantes. O projeto prevê intervenções em aproximadamente 796 metros da via, com recuperação do pavimento asfáltico e melhorias nas condições de acessibilidade.

O aviso foi publicado nesta sexta-feira (16), no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), a pedido da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). O processo será conduzido pela Secretaria Especial de Licitações e Contratos (Selc).

Conforme a planilha orçamentária, a intervenção contempla aproximadamente 8,9 mil metros quadrados de recapeamento asfáltico, além de serviços de remoção do pavimento deteriorado, adequações em meios-fios, sarjetas e estruturas de drenagem.

O projeto também prevê trabalhos em cerca de 480 metros quadrados de áreas destinadas a calçadas e rampas de acessibilidade, incluindo a instalação de piso tátil para facilitar a circulação de pessoas com deficiência visual.

A maior parte do investimento estimado será destinada à recuperação do pavimento, com aproximadamente R$ 889 mil previstos para os serviços de asfaltamento.

De acordo com a documentação, o cronograma de execução está distribuído em três etapas, ao longo de 90 dias. Entretanto, ainda não há data definida para o início dos trabalhos, que dependem da conclusão da licitação e da contratação da empresa responsável.

A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a intervenção faz parte das iniciativas destinadas à melhoria da infraestrutura viária da Capital.

"Nosso compromisso é cuidar da infraestrutura da cidade e buscar melhorias que façam a diferença no dia a dia da população. A recuperação da Avenida Europa vai contribuir para oferecer melhores condições de tráfego, mais segurança e conforto para quem passa pelo local", destacou.

Licitação será realizada em novembro

A sessão pública para disputa de preços está marcada para 4 de novembro de 2026, às 7h45. As empresas interessadas poderão encaminhar suas propostas até as 7h44 do mesmo dia.

O procedimento será realizado por meio do Pregão Eletrônico nº 173/2026, com julgamento pelo critério de menor preço.

Após a análise das ofertas e o cumprimento das demais etapas previstas no edital, a Prefeitura poderá formalizar a contratação da vencedora.

O valor de R$ 1,16 milhão corresponde ao orçamento estimado para os serviços e poderá ser reduzido conforme as propostas apresentadas durante a disputa.

 

El niño

Após temporal, Defesa Civil prevê "tempos difíceis" com mudanças climáticas abruptas

Prefeitura afirma que tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027

16/10/2026 17h30

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após as fortes chuvas que caíram em Campo Grande nessa quinta-feira (16) e que causou diversos estragos, principalmente relacionados a transbormamento de córregos e alagamentos, a Defesa Civil Municipal alerta que o cenário para os próximos meses é preocupante.

Conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), em cerca de 24 horas, choveu quase todo o acumulado registrado em outubro do ano passado.

"Nós vamos ter tempos difíceis agora, mudanças climáticas abruptas", disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, Enéas Netto.

Isto porque, conforme o Executivo Municipal, a tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027.

Enéas afirmou que o órgão recebeu mais de 50 chamados relacionados ao temporal de quinta-feira e que as equipes estão nas ruas trabalhando no rescaldo.

O coordenador pediu para que a população utilize o número 199, de emergência, para reportar qualquer tipo de situação relacionada às chuvas. Através deste número, a Defesa Civil faz a coordenação, com direcionamento para cada secretaria específica tomar as devidas providências e ações necessárias.

Enéas Netto também pediu para que a população tome medidas preventivas para evitar qualquer ocorrência dutrante as chuvas.

"Orientamos a população, por exemplo, numa situação de advento climático como a que aconteceu ontem, a Defesa Civil pôde presenciar, inclusive, pessoas enfrentando fortes enxurradas, expondo a vida em risco.
Então, a partir do momento que emitir o alerta da Defesa Civil, para que a população respeite e siga as orientações", alertou.

"Tendo a possibilidade de uma chuva maior, de uma ventania e tudo mais, não deixar seus veículos embaixo das árvores, se possível não sair de casa, se tiver que sair, identificando uma situação de ponto de alagamento, não enfrente esse ponto de alagamento, preservando a vida sempre", orientou.

Rescaldo

A Prefeitura de Campo Grande está com equipes nas ruas desde a tarde de quinta-feira, com ações que incluem limpeza e desobstrução de vias, manutenção da drenagem urbana e acompanhamento de pontos de alagamento.

Entre os serviços em andamento estão a limpeza de grades e rebojos, retirada de terra acumulada e a desobstrução de bocas de lobo.

A atuação também envolve o atendimento a famílias afetadas pelas chuvas e o levantamento de possíveis danos em imóveis. 

O balanço geral das ocorrências, dos danos provocados pelo temporal e dos atendimentos realizados está em levantamento pelos órgãos municipais e não foi divulgada até a publicação desta reportagem.

Recorde para o mês

Conforme o Cemtec, nos primeiros 15 dias de outubro de 2026, houve predomínio de acumulados de chuva expressivos e acima da média climatológica mensal em grande parte de Mato Grosso do Sul.

O maior registro de precipitação acumulada em Campo Grande foi de 272,8 mm, valor que representa um excedente de 81% em relação à média esperada para todo o mês de outubro.

A média histórica utilizada para comparação é de 150,6mm, baseada nos dados climatológicos da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada na Embrapa Gado de Corte, referentes ao período 1981–2010. 

Em todo o Estado, os maiores volumes foram registrados em Itaquiraí (297,8 mm), Paraíso das Águas - Fazenda Ranchinho (294,6 mm), Dourados (290,4 mm), Amambai - Novo Horizonte (281,6 mm), Maracaju (281,2 mm) e Campo Grande (272,8 mm).

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