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CAMPO GRANDE

Presidente da Câmara admite sessão extra para derrubar aumento do IPTU

Aumento acima do anunciado está na mira da Casa de Leis e até da Ordem dos Advogados do Brasil-Mato Grosso do Sul (OAB-MS)

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Parlamentares da Câmara Municipal de Campo Grande oficializaram, nesta segunda-feira (05), a Comissão Técnica que irá atuar sobre as mudanças anunciadas sobre o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), com o presidente da Casa de Leis admitindo a convocação de uma sessão extra para apreciar o assunto. 

Questionado durante a manhã desta segunda-feira (05), o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), foi categórico em expressar que o assunto está sendo debatido para que as devidas medidas sejam tomadas. 

Segundo o presidente da Câmara de Campo Grande, não fica descartada inclusive a convocação de uma sessão extraordinária para que a votação em busca de uma possível suspensão da cobrança. 

"Está sendo avaliada vários pontos, e essa não está descartada, é uma opção válida e importante", afirmou Papy ao Correio do Estado.

Presente na reunião hoje (05), a vereadora Luiza Ribeiro (PT) confirmou também que a Casa de Leis formalizou a Comissão Técnica para aturar sobre o IPTU, diante do: secretário de Governo de CG, Ulisses da Silva Rocha; da Câmara e da Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas (CDL e FCDL-MS); das associações dos Advogados Independentes e Comercial de Campo Grande, além do Sindicato da Habitação (Secovi). 

Luiza frisa que apresenta nessa ocasião um Projeto de Lei Complementar, para suspender a exigibilidade do IPTU/Taxa de Lixo até que o Poder Executivo Municipal dê andamento a um novo lançamento do Imposto para o exercício de 2026, com base da legislação 308/2017

"Suspenderá a exigibilidade do IPTU/Taxa de Lixo até que o Poder Executivo Municipal proceda ao novo lançamento do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU e da  Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares, para o exercício de 2026, considerando o Perfil Socioeconômico Imobiliário do Local do Imóvel (2017)... além do reajuste anual com base a variação do IPCA-E/IBGE no percentual de 5.32%", disse a vereadora.

Ela complementa que, para que o projeto saia do papel é necessária a sessão extraordinária para apreciação. 

"O Presidente Papy reuniu com a Comissão Especial e se mostrou disposto a convocar a Sessão Extraordinária para apreciar o Projeto de Lei Complementar que tem objetivo de suspender a exigibilidade do IPTU/Taxa de Lixo lançado para o exercício 2026", complementa ela. 

Aumento na mira

Conforme decreto referente à Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares
do exercício de 2026, lançada junto do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), essas ficam sendo as tabelas atualizadas para o exercício de 2026: 

Entretanto, alegando ter ficado de fora dos debates referentes ao  aumento do IPTU, a Câmara Municipal de Campo Grande indicou ainda em 30 de dezembro que iria constituir uma equipe técnica especializada para estudar, discutir e avaliar os critérios utilizados na elaboração e aplicação dos novos valores do IPTU.

Além disso, inclusive a redução pela metade do desconto de quem paga IPTU à vista também deve ser questionada, já que, acostumados com a possibilidade de até 20% de desconto para o pagamento, o campo-grandense terá a chance de obter apenas 10% em 2026, com vencimento em 12 de janeiro.

Importante reforçar que, aquele contribuinte que discordar do lançamento efetuado poderá impugná-lo, com um requerimento devidamente fundamentado, protocolizado junto à Coordenadoria de Julgamentos e Consultas da Secretaria Municipal da Fazenda, até o dia 10 de março deste ano, conforme termos do art. 2º da Lei Complementar n. 38, de 22/12/2000, observadas as instruções e requerimentos oficiais disponíveis no site da Sefaz (CLICANDO AQUI), para apresentação de documentos, modelo de requerimento e demais providências necessárias.

Até mesmo a própria Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também emitiu nota pública, destacando que "vai à Justiça" com intuito de tomar as medidas necessárias para combater o chamado "aumento ilegal do IPTU. 

Segundo a ordem, o reajuste foi desproporcional e sem critérios técnicos claros, muito além da inflação do período, uma vez que o reajuste anual da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares, tem como base a variação do IPCA-E. Confira a nota na íntegra: 

"A OAB/MS vem a público informar que ingressará com as medidas cabíveis para combater os aumentos ilegais do IPTU 2026 do Município de Campo Grande, já que houve um reajuste desproporcional, inclusive sem a adoção de critérios técnicos claros para o reajuste aplicado, gerando em muitos casos um aumento exorbitante, muito além portanto da mera correção da inflação no período.

A OAB/MS reafirma, nos termos do artigo 44, I, da Lei 8.906/1994 que seguirá firme na defesa da Constituição Federal, da legalidade, não admitindo portanto medidas da administração pública que geram prejuízos indevidos a população". 

Expansão da base tributável

Segundo o município, o último levantamento data de 2017 e tornou-se obsoleto, já que desde então a Capital passou por um ciclo de crescimento econômico, expansão imobiliária acelerada, obras de infraestrutura e mudanças demográficas que criaram "ilhas de valorização" e,  em alguns casos, de estagnação ou declínio.

Conforme citado pela Gerência de Cartografia no documento elaborado pela Divisão, o período pós-2017 na Capital do Mato Grosso do Sul é marcado por uma forte expansão do mercado imobiliário de padrão elevado, especialmente no vetor norte que corresponde à saída de Campo Grande para Cuiabá.

Ou seja, bairros que já eram bem classificados, como Mata do Jacinto e Carandá Bosque, viram sua valorização se intensificar, como o Santa Fé e o Jardim dos Estados, por exemplo, registrando uma explosão de empreendimentos verticais de luxo, à exemplo dos edifícios Vertigo, Terrace Tower, The Place, Gibran, dentre outros.

Como bem reforça o estudo, a substituição de antigas residências por prédios modernos eleva tanto a densidade populacional, como a renda e também o preço do metro quadrado, a exemplo do próprio Santa Fé, cujo valor do m² superou R$10.000,00 em meados de 2025. 

Pelo estudo, com o conceito urbano a ser enfrentado em 2026, manter o perfil socioeconômico imobiliário elaborado em 2017 "seria tecnicamente insustentável", já que toda essa expressiva expansão imobiliária de alto padrão, aliada à intensificação da verticalização em bairros consolidados e à execução de obras estruturantes de infraestrutura produziram uma configuração urbana profundamente distinta daquela que serviu de base à classificação original. 

"Nesse cenário, a reclassificação mostrou-se medida urgente e necessária para assegurar que o Perfil Socioeconômico Imobiliário reflita de forma fidedigna a realidade atual da cidade e cumpra sua função de instrumento de justiça fiscal à cobrança das taxas e tributos municipais", justifica o município através do documento elaborado pela Divisão de Avaliação e Geoprocessamento. 

Modelo novo

Dos fatores a serem considerados para o cálculo do valor do tributo, a lei que instituiu a Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares, estabelece que o primeiro e mais relevante ponto para esta análise é justamente o: perfil socioeconômico imobiliário do local do imóvel.

As próprias medições do índice chamado FipeZAP destaca que que, a variação anual dos preços de venda de imóveis residenciais reverteu uma tendência de queda no último ano, passando de -1,40% em 2019 para uma valorização de 11,64% em junho de 2025, o que evidencia a profunda alteração no perfil socioeconômico imobiliário campo-grandense.

Entre as variáveis para elaboração da base tributável, foram considerados: 

  1. Renda Média Domiciliar;
  2. Volume de Geração de Resíduos Sólidos;
  3. Valor de Mercado;
  4. Densidade Demográfica;
  5. Uso do Imóvel;

Segundo reforça o estudo, Em áreas de maior poder aquisitivo observa-se a predominância de empreendimentos imobiliários com características específicas: 

  • Edificações horizontais de grande porte e condomínios verticais de alto padrão;
  • Materiais construtivos nobres, como granito, porcelanato, madeira de lei e esquadrias de alumínio refinado;
  • Projetos arquitetônicos sofisticados, que incorporam estética diferenciada e soluções funcionais avançadas;
  • Infraestrutura privativa e sustentável, incluindo áreas de lazer, academias, sistemas de segurança, painéis solares e tecnologias de reuso de água.

Em Campo Grande, bairros como Jardim dos Estados, Santa Fé, Chácara Cachoeira e Carandá Bosque exemplificam esse padrão. Nessas localidades os preços do metro quadrado são significativamente superiores à média municipal, sendo sustentados por uma demanda de alto poder aquisitivo e por uma oferta de empreendimentos de elevado valor agregado.

"Além disso, tais áreas são reforçadas por uma rede de infraestrutura urbana qualificada, hospitais de referência, escolas particulares renomadas, academias de ponta, supermercados especializados e shoppings centers, que ampliam a atratividade e o processo de valorização", complementa o documento. 

Por outro lado, uma série de bairros apresentam outra lógica de produção imobiliária, onde predominam construções mais simples, muitas vezes auto construídas, com materiais de menor custo (telhas de fibrocimento, revestimentos de baixa qualidade) e soluções que acabam adaptadas às restrições financeiras presentes. 

Ou seja, enquanto altas rendas sustentam empreendimentos exclusivos e de alto padrão, o que impulsiona a valorização do solo urbano e criando centralidades de consumo, lazer e serviços especializados, as ,médias e baixas rendas edificam áreas com perfil popular, com empreendimentos de interesse social, comércio de massa e serviços básicos predominando. 

Em outras palavras, tudo isso gera uma retroalimentação urbana onde, quanto maior a renda, mais investimentos imobiliários de alto valor são atraídos, reforçando a valorização; enquanto áreas populares tendem a se consolidar em padrões construtivos mais modestos, ainda que cumpram papel essencial na absorção da demanda habitacional, o que gera por consequência uma segregação socioespacial. 

"Nesse contexto, sua incorporação ao Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI) é indispensável para que o instrumento não se limite a captar a valorização imobiliária, mas reflita de forma fidedigna as condições de vida da população de cada território. Assim, a variável renda não apenas fortalece a consistência metodológica do índice, mas também assegura legitimidade social e jurídica à sua aplicação", reafirma o estudo. 

Diante de um mapa de calor com a distribuição espacial dos valores de metro quadrado (R$/m²), com as regiões de maior e menor valorização no tecido urbano, promoveu-se a "interseção espacial" prevendo um cálculo de média aritmética dos valores para cada Parcelamento urbano. 

No estudo foi possível constatar que, a amplitude da renda domiciliar nos 74 Bairros analisados varia em um espectro de R$ 9,6 mil, de onde foram segmentadas sete classes de renda, o que por sua vez deve garantir uma granularidade equilibrada, suficiente para captar nuances entre os Bairros sem comprometer a clareza da análise.

"Dividindo a amplitude pelo número de classes, cada uma corresponde a uma faixa de aproximadamente R$ 1,37 mil, onde o fator renda constitui-se como um índice progressivo e normalizado, diretamente proporcional ao centro das classes o que significa que respeita-se o  princípio da isonomia, garantindo que a avaliação respeite não apenas o valor de mercado do imóvel, mas também a realidade socioeconômica do entorno em que está inserido", justifica o município.

Logo, os valores obtidos com o Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI) de cada imóvel são enquadrados em nove faixas hierarquizadas como: Baixo, Normal e Alto, cada qual subdividido em inferior, médio e superior. 

A análise desses dados mostra que a maior parte dos Parcelamentos ficou concentrada nas classes baixas (BI, BM, BS), somando 518 registros. O modelo, portanto, gerou uma distribuição onde a maior parte dos parcelamentos se concentra nos perfis Baixo (49,2%) e Normal (45,1%), com uma minoria restrita ao perfil Alto (5,7%), refletindo a heterogeneidade urbana e o peso da renda no resultado final.

"Foi desenvolvida e proposta uma nova metodologia, fundamentada em uma abordagem multifatorial e científica que utilizou como variáveis-chave a Geração de Resíduos (FGR), um indicador dinâmico do padrão de consumo, o Valor de mercado (VM), indicador econômico que reflete a qualidade da infraestrutura e a Renda Domiciliar (FRN), figurando como indicador social. A aplicação do modelo matemático IPSEIp = VM x FGR x FRN resultou em uma significativa reclassificação dos Parcelamentos", diz o documento.

Pelos números, 44,7% ascenderam de categoria no cálculo da taxa de coleta de lixo, com 16,9% retrocedendo, o que totaliza uma mudança em 61,6% das inscrições imobiliárias de Campo Grande, com somente 38,3% permanecendo inalterado.

 

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Rodovias

Operação policial no feriadão apreende quase 10 toneladas de drogas em MS

Foram apreendidos maconha, haxixe, skunk e cigarros contrabandeados, estimando um prejuízo de quase R$ 26 milhões

09/06/2026 15h00

O prejuízo ao crime estimado pelos batalhões é de R$ 25,9 milhões

O prejuízo ao crime estimado pelos batalhões é de R$ 25,9 milhões Divulgação Sejusp/MS

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A Operação Corpus Christi envolvendo o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que atuou no enfrentamento aos crimes nas áreas de fronteira em Mato Grosso do Sul apreendeu quase 10 toneladas de drogas em 7 dias de operação. 

Do dia 1º ao dia 7 de junho, o DOF retirou de circulação 9,1 toneladas de maconha, 129,2 quilos de skunk, 57,5 quilos de haxixe dry e 19,7 quilos de haxixe marroquino, além de 25 mil pacotes de cigarros contrabandeados. 

O prejuízo estimado ao tráfico chega a quase R$ 26 milhões, totalizando R$ 25,99 milhões. 

A operação resultou na prisão de seis pessoas, além do cumprimento do mandado de prisão, na recuperação ou identificação de adulteração em cinco veículos e na apreensão de mais 15 automóveis utilizados em atividades criminosas. 

Durante o feriadão, entre 4 a 7 de junho, o Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv) empregou 150 policiais e 48 viaturas, abordando 3.464 pessoas e fiscalizando 2.485 veículos e 235 motocicletas nas rodovias estaduais. 

As ações do Batalhão resultaram em cinco prisões em flagrante, dois Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO), seis pessoas conduzidas à Delegacia de Polícia e no cumprimento de um mandado judicial. 

No trânsito, foram aplicadas 502 multas de infração, sete veículos foram apreendidos e um veículo com registro de furto ou roubo foi recuperado.

Além disso, o BPMRv atendeu 11 sinistros de trânsito nas rodovias estaduais, com registro de uma vítima fatal, 11 pessoas feridas e oito ilesas. Foram registradas três ocorrências envolvendo motoristas embriagados e dois condutores foram presos.  

Ainda foram apreendidos 1.750 pacotes de cigarros, perfumes, eletrônicos, celulares, malas, relógios inteligentes e tablets, de origem estrangeira.

"Os resultados demonstram a atuação integrada das forças de segurança pública de Mato Grosso do Sul durante o feriado prolongado, aliando ações preventivas voltadas à preservação da vida nas rodovias estaduais ao enfrentamento qualificado dos crimes transfronteiriços e ao combate às organizações criminosas", afirmou o Governo do Estado. 

Rodovias federais

O feriadão foi violento nas rodovias federais e estaduais de Mato Grosso do Sul, com seis mortes em acidentes. É o maior número de vítimas nos últimos dois anos, comparando com o mesmo período.

Conforme balanço da Polícia Rodoviária Federal, durante a Operação Corpus Christi, deflagrada dos dias 3 a 7 de junho, apenas nas rodovias federais foram registrados 22 acidentes de trânsito, sendo que seis foram considerados graves. Nestes sinistros, 22 pessoas ficaram feridas e cinco pessoas morreram. 

Com relação ao número de acidentes, o número registrado foi menor que o do ano passado, quando a PRF registrou 24 acidentes, sendo seis graves, com 24 pessoas feridas. 

Já com relação às mortes, em 2026 morreram mais vítimas, já que em 2025 foi registrado apenas um óbito por acidente nas rodovias federais. Em 2024, foram três mortes e, em 2023, seis óbitos, mesmo número registrado neste ano.

Nas fiscalizações, a PRF flagrou 96 condutores e/ou passageiros sem o cinto de segurança. 21 crianças estavam sendo transportadas fora do dispositivo de segurança. 378 ultrapassagens indevidas foram notificadas. No total, 2.009 autuações foram registradas.

Nos comandos de alcoolemia, os policiais rodoviários federais realizaram 3.470 testes de alcoolemia. 77 condutores foram flagrados dirigindo após consumir álcool. Três pessoas foram presas por alcoolemia durante a operação.

Durante as ações de combate ao crime, foram apreendidas 4,1 toneladas de maconha, 135 Kg  de cocaína e seis veículos foram recuperados. 

Durante as fiscalizações, a PRF também flagrou 1.314 casos de excesso de velocidade, 104 ocorrências de não utilização do cinto de segurança e de transporte irregular de crianças sem o dispositivo de retenção adequado, além de 151 ultrapassagens proibidas, resultando em 1.539 autuações.

Com relação às fiscalizações de motoristas embriagados ao volantes, os policiais autuaram 25 condutores por dirigir sob influência do álcool. Destes, sete foram presos. No total, foram realizados 4.148 testes de etilômetro (bafômetro). 

 

chovendo no molhado

Relatório orienta intervenção no consórcio Guaicurus, mas só 'para inglês ver'

Relatório diz que deve ser nomeado um interventor, mas que ele teria caráter investigatório e fiscalizatório, sem poder de anular o contrato ou encampar o serviço

09/06/2026 12h37

Entre 2021 e 2015 foram aplicadas quase 22 mil multas ao consórcio Guaicurus, mas não existe registro de que alguma tenha sido paga

Entre 2021 e 2015 foram aplicadas quase 22 mil multas ao consórcio Guaicurus, mas não existe registro de que alguma tenha sido paga Gerson Oliveira

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Criada no dia 6 de março para analisar a necessidade ou não de a administração municipal decretar intervenção no Consórcio Guaicurus, a comissão entregou seu relatório nesta segunda-feira (8) e chegou à conclusão de que a prefeita Adriane Lopes deve acatar a decisão judicial e intervir nas empresas que detém a concessão do serviço de transporte público. 

Esta intervenção, porém, teria efeito praticamente nulo no dia-a-dia do serviço. Embora o relatório aponte a necessidade de nomeação de um interventor, ele recomenda que a "medida tem caráter temporário, investigatório e fiscalizatório, e não punitivo, não se confundindo com a caducidade ou a encampação". 

Então, se o papel deste interventor é investigar e fiscalizar, ele literalmente estaria "chovendo no molhado", pois  já existem agências como Agereg e Agetran para fiscalizar o serviço. O próprio relatório destaca que entre 2021 e 2025 foram aplicadas 21.910 autuações pela Agetran por conta de uma série de irregularidades no serviço. O relatório não informa, contudo, se alguma destas punições foi paga pelos empresários. 

E, apesar de a Câmara de Vereadores já ter concluído uma CPI para investigar o serviço, o relatório diz que "declarada a intervenção, deverá ser instaurado, no prazo de 30 (trinta)dias, o procedimento administrativo do art. 33 da Lei n. 8.987/1995, assegurada ampla defesa" aos donos dos ônibus, que foram já foram ouvidos tanto pela CPI quanto pelos integrantes da comissão especial que agora sugeriu a intervenção.  

Logo na sequência, após reforçar que o serviço precisa ser mantido, o relatório reforça que deve ser buscada "solução consensual no âmbito da intervenção. Recomenda-se que a via consensual, aproveitados os elementos da proposta apresentada pelo Consórcio, tais como a modernização e a incorporação de frota, a mesa técnica e os mecanismos de acompanhamento, seja perseguida e construída dentro do âmbito da intervenção, sob a supervisão do Poder Concedente e das instâncias competentes, preservando-se a continuidade do serviço, a proporcionalidade e a segurança jurídica, sem a suspensão prematura da medida protetiva". 

No terceiro item, o relatório diz que o contrato de concessão deve ser mantido. "Diante do exposto, a Comissão Especial recomenda ao Poder Concedente: a não adoção, neste momento, de caducidade ou encampação. Não se recomenda, nesta fase, a declaração de caducidade (art. 38 da Lei n. 8.987/1995 e Cláusula 14ª do contrato) nem a encampação (art. 37), medidas mais gravosas, de natureza extintiva, cuja análise pressupõe a apuração própria do procedimento do art. 33, preservando-se, assim, a proporcionalidade e a gradação das medidas, orientação que, registre-se, converge com a escala progressiva proposta pela própria Comissão Parlamentar de Inquérito."

Um dos quesitos que mais pesa para que a intervenção seja feita é o fato de a frota estar em estado precário. Pelo menos 197 ônibus estão com o prazo de validade vencidos.  Cerca de 15 estão fora de atividade por conta de sucateamento.

"No tocante às condições da frota, registrou-se idade média de 7,60  anos e a existência de 98 (noventa e oito) veículos com mais de 10 (dez) anos de uso, em desacordo com o limite de 5 (cinco) anos de idade média estabelecido no Edital de Concorrência n. 082/2012", diz trecho do relatório que recomenda a intervenção "para inglês ver". 

Das milhares de multas aplicadas nos últimos cinco anos, a maior parte foi por decumprimento de horários estabelecidos pela Agetran e por omissão de chegada ou saída nos oito terminais. 

"As autuações por descumprimento de horário e por omissão de viagens, que, somadas, superam quinze mil ocorrências, atingem diretamente a regularidade e a continuidade do serviço; já as relativas a equipamentos obrigatórios e a recursos de reserva (motoristas e veículos) comprometem a confiabilidade e a segurança da operação", conclui o relatório que manda fazer uma intervenção de caráter "investigatório e fiscalizatório"

DESVIOS

O consórcio ambém é alvo de denúncias de falta de manutenção e inexistência de seguros obrigatórios, além de irregularidades financeiras, como a transferência de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês sem justificativa e a omissão contábil de receitas e fluxos de caixa desde 2012, como constatado pela CPI do Transporte Coletivo no fim do ano passado.

Os empresários, por sua vez, alegam que as irregularidades ocorrem porque o faturamento do serviço está muito baixo e exigem reajuste da tarifa. 

Atualmente, a tarifa técnica (custo real por passageiro para operar o transporte público, cobrindo despesas e lucros da concessionária) está fixada em R$ 6,57, o que também gerou atritos entre as partes, já que o consórcio deseja que essa taxa aumente para R$ 7,79, o que ele chama de “reequilíbrio econômico-financeiro do contrato”.

Para inglês ver

A expressão "para inglês ver" surgiu no Brasil no século XIX, no contexto do tráfico de escravos afrianos.Sob forte pressão da Inglaterra para abolir a escravidão, o governo brasileiro criou leis que, no papel, proibiam o tráfico. Na prática, essas medidas não tinham fiscalização e foram feitas apenas para manter as aparências e acalmar os britânicos. 

 

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