Cidades

NOVO ASFALTO

Mesmo sem comando, secretaria de obras continua plano de licitações

Prestes a completar dois meses sem titular e depois de passar por escândalo envolvendo servidores e ex-secretário, Sisep lança primeira lista de bairros que serão beneficiados com 'pacotão'

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A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) anunciou os 10 primeiros bairros de Campo Grande que serão contemplados com o plano de asfalto novo, mesmo após escândalos recentes que envolveram a Pasta e prestes a completar dois meses sem um secretário nomeado oficialmente.

Nesta sexta-feira (22), a Prefeitura de Campo Grande divulgou aviso de licitação para obras de infraestrutura urbana em dez bairros da Capital: Aero Rancho; Vila Nogueira; Vila Aimoré; Vila Amapá; Jardim das Nações; Jardim Los Angeles; Residencial Flores; Parque Residencial União II; Parque Residencial dos Girassóis; e Residencial Oliveira.

Porém, para que haja um andamento mais rápido das obras - de acordo com o Executivo municipal -, os bairros citados foram divididos em quatro lotes. O primeiro abrange o Aero Rancho, Vila Nogueira, Vila Aimoré e Vila Amapá, onde serão investidos R$ 12,8 milhões para pavimentação e drenagem de 2,82 quilômetros de vias.

O próximo lote envolve o bairro Jardim das Nações, que receberá R$ 11,7 milhões em obras de infraestrutura, contemplando quase 5 quilômetros de pavimentação. Em seguida, o bairro Jardim Los Angeles, onde o investimento será de R$ 10,1 milhões em obras de drenagem, pavimentação e melhorias viárias.

Por último, o lote dos residenciais, que abrange o Residencial Flores, o Parque Residencial União II, o Parque Residencial dos Girassóis e o Residencial Oliveira. Nestes trechos, as melhorias somam R$ 8,1 milhões em pavimentação, drenagem e sinalização viária. Ao todo, somando os lotes desta primeira etapa da licitação, os investimentos estão na casa dos R$ 42,7 milhões.

A concorrência será realizada de forma eletrônica. As empresas interessadas em disputar os lotes podem enviar as propostas até as 7h44 do dia 11 de junho de 2026. A abertura da sessão pública de disputa de preços está marcada para as 7h45 do mesmo dia, por meio do portal eletrônico de compras da Prefeitura

Os recursos que vão custear as obras deste plano são provenientes da bancada federal, que totalizam R$ 100 milhões, do programa Avançar Cidades, que entra com R$ 156 milhões, além de contrapartida do Município.

Plano

No dia 30 de abril, a prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou que 36 bairros ganhariam um novo asfaltos em Campo Grande, em um pacotão que soma cerca de R$ 350 milhões em investimentos. De acordo com a chefe do Executivo municipal, o plano é asfaltar 600 quilômetros (78 nesta primeira etapa) nos próximos dois anos, ou seja, até 2028.

A previsão é que os bairros, da primeira fase, comecem a ser asfaltados até 03 de julho de 2026, antes do prazo eleitoral. 

Isso porque, como esclarece o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir de 04 de julho, um prazo cerca de três meses antes da execução do 1° turno, algumas condutas por parte dos agentes públicos ficam vedadas, como: nomeações, exonerações e contratações, bem como participação em inauguração de obras públicas.

O critério para escolha dos bairros são antiguidade, tempo de espera e bairros que estão “ilhados” sem pavimento em meio a outros bairros que já são asfaltados há anos. Além disso, bairros asfaltados, mas com pavimentação “velha”, serão recapeados, ainda segundo Adriane.

“Juntamente com a equipe técnica de engenheiros e arquitetos de planejamento da cidade, nós decidimos [a questão do asfalto] por regiões. [Os critérios foram] antiguidade, tempo de espera, projetando a cidade e fechando todos os bairros que estavam entre bairros assaltados”, detalhou a prefeita.

Caos

A Sisep está sem um titular há exatos 53 dias, desde que o então secretário Marcelo Miglioli deixou o cargo para se concentrar nas eleições deste ano. Desde então, a prefeita Adriane Lopes deixou claro que o sucessor deverá ser Paulo Cançado, que atualmente o cargo de secretário-adjunto da Pasta. Contudo, até o momento, não houve nomeação oficial por parte da Prefeitura.

Vale lembrar que, durante este período sem secretário, a Pasta foi alvo de investigações e mandados do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), no âmbito da Operação Buraco sem Fim.

Na ocasião, uma investigação do órgão identificou a existência de uma organização criminosa que atuaria na fraude da execução do serviço de manutenção de vias públicas de Campo Grande. Ainda conforme a apuração, o grupo manipulava medições e a fazia a realização de pagamentos de obras que não havia sido necessariamente feitas.

O esquema era operado, segundo o MPMS, dentro da Sisep e teria começado em 2017. A investigação ainda afirma que os contratos alvo vão até 2025. Diante disso, sete pessoas foram presas por envolvimento no prática criminosa, incluindo três ex-servidores (Erick Antônio Valadão Ferreira de Paula, Edivaldo Aquino Pereira, Fernando de Souza Oliveira e Mehdi Talayeh) e Rudi Fiorese, que comandou a Pasta entre os anos investigados.

Até o momento, todos seguem preso. Inclusive, no dia 15 de maio, o desembargador Zaloar Murat Martins de Souza, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), negou o pedido de liberdade feito pela defesa de Mehdi Talayeh, Rudi Fiorese e Edivaldo Aquino Pereira. Em sua decisão, o desembargador afirmou que, diante das funções de cada um dos citados no esquema, há elementos para manter as prisões preventivas.

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quilômetro 21

Obra na ponte "gangorra" fecha estrada de acesso a Bonito neste sábado

Previsão é de que o tráfego seja reaberto a partir das 14 horas, mas em sistema de pare e siga e somente para veículos leves

23/05/2026 08h17

Degrau em um das extremidades da ponte chegou a ser de 48 centímetros e carros de passeio chegaram a sofrer acidentes no chamado quilômetro 21

Degrau em um das extremidades da ponte chegou a ser de 48 centímetros e carros de passeio chegaram a sofrer acidentes no chamado quilômetro 21

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A ponte sobre o Rio Miranda, na MS-345, no distrito de Águas do Mirada, será interditada por completo neste sábado (23). A previsão é de que o tráfego seja restabelecido a partir das 14 horas. 

A interdição ocorre, segundo a Agesul, para execução de uma etapa essencial da obra de recuperação estrutural, que vai garantir mais segurança e estabilidade à travessia. Em setembro de 2024 a ponte ficou famosa nacionalmente por se transformar em uma espécie de gangorra quanto ocorria a travessia de caminhões pesados. 

A estrutura, na divisa dos municípios de Anastácio e Bonito, formava um degrau de até 48 centímetros quando caminhões pesados chegavam a uma das extremidades. E, por conta deste degrau, carros de passeio chegaram a estourar os quatro pneus por causa do impacto com este degrau na pista. 

Ainda de acordo com a Agesul, depois das 14 horas a ponte está liberada para o tráfego com as restrições que vinham sendo adotadas: tráfego sendo operado no sistema pare e siga, em meia pista e circulação na ponte limitada a veículos leves, caminhonetes e caminhões de pequeno porte, com peso máximo de até 10 toneladas, sendo permitida a passagem de um veículo por vez.

A interrupção temporária será necessária para a substituição do neoprene da cortina da ponte. Por questões de segurança, essa intervenção exige a suspensão momentânea do trânsito.

A Seilog reforça que a medida é indispensável para garantir a plena restauração da estrutura e permitir o avanço seguro de uma intervenção planejada com rigorosos critérios técnicos.

A obra de reforma está exigindo investimento inicial R$ 3.309.408,68 e inclui o recondicionamento de pontos estratégicos, reforço estrutural e adequações técnicas para restabelecer a estabilidade da ponte, construída pelo Exército Brasileiro em 1967, antes da pavimentação da rodovia.

Segundo o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, a obra foi pensada para recuperar completamente a estrutura e adequá-la à demanda atual da região. “É uma recuperação estrutural completa, feita com critérios técnicos rigorosos. Nosso objetivo é entregar uma ponte recondicionada, segura e preparada para atender a demanda atual e futura da região”, afirmou.

Embora a ponte seja antiga, a rodovia que encurta em cerca de 40 quilômetros a distância entre Campo Grande e Bonito foi recentemente pavimentada, com investimento R$ 340 milhões. Mas, a ponte não recebeu manutenção à época. Antes da pavimentação, a maior parte dos motoristas saía de Campo Grande e passava por Sidrolândia, Nioaque, Guia Lopes da Laguna (Jardim) e chegava a Bonito.

Depois da reforma, para encurtar o trajeto em cerca de 40 quilômetros, a rota passou a ser por Terenos, entrando à esquerda em Aquidauana e, alguns quilômetros depois, é necessário entrar à direita rumo ao distrito de Águas de Miranda e seguir até Bonito pela estrada.

 

Corrupção no Judiciário

Operação Ultima Ratio continua mesmo após "relatório final" da PF

Esquema de venda de sentenças em MS segue sob investigação em novo inquérito

23/05/2026 05h00

Operação Ultima Ratio foi desencadeada em outubro de 2024

Operação Ultima Ratio foi desencadeada em outubro de 2024 Marcelo Victor/Arquivo

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As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o maior esquema de venda de decisões judiciais já descoberto em Mato Grosso do Sul continuam. O relatório final assinado pelo delegado Marcos André Araújo Damato, em 20 de março deste ano, diz respeito a apenas um dos inquéritos que envolvem a Operação Ultima Ratio: o de número 1.483.

Um outro inquérito, que apura desdobramentos do esquema de venda de sentenças envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o de número 1.595, continua em andamento.

O indicativo de que as investigações prosseguem foi dado pelo próprio responsável pelo caso, o delegado Damato, que atua na Delegacia Especializada de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros (Deccor) da Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul (PFMS).

“Considerando que os INQs [inquéritos] 1.483 e 1.595 possuem compartilhamento mútuo, procedemos à elaboração deste relatório final no primeiro, com a conclusão das investigações quanto aos crimes tratados em ambos os inquéritos com materialidade e autoria provada, em nosso entender, permitindo a propositura de ação penal pelo Ministério Público Federal [MPF], prosseguindo-se com as investigações pendentes no INQ 1.595”, explica o delegado, já no início do relatório final do inquérito 1.483.

O inquérito 1.595, conforme apurou o Correio do Estado, tem como alvo alguns dos desembargadores do esquema, mas não apenas isso: advogados e outros envolvidos que atuavam para facilitar a corrupção.

Alguns que são alvo da Operação Ultima Ratio chegaram a comemorar o fato de terem ficado de fora dos indiciamentos do inquérito 1.483. A hipótese é de que desconheciam que a investigação continua. É o caso da advogada Camila Cavalcanti Bastos, filha do desembargador Alexandre Aguiar Bastos.

“Virou a minha vida de cabeça para baixo. Meu nome e minha reputação foram manchados durante cerca de 18 meses. Eu falo que cumpri uma pena de 18 meses”, afirmou ao portal Top Mídia News, no mês passado.

O pai dela, Alexandre Aguiar Bastos, foi indiciado no relatório final do inquérito 1.483 por corrupção passiva. Ele é suspeito de se corromper em julgamentos que envolviam posse e propriedade de duas fazendas, Paulicéia e Vai Quem Quer.

Uso de dinheiro em espécie de origem ilícita: embora não seja um indiciamento formal por um artigo específico do Código Penal neste contexto, o relatório indica que o uso de grande volume de dinheiro em espécie por Alexandre Bastos, com origem desconhecida, é considerado produto da venda de decisões judiciais.

Neste relatório do inquérito, algumas das pessoas que foram alvo da primeira fase da Ultima Ratio não foram indiciadas, como o caso de Camila Bastos.

Além dela, também não foram indiciados no inquérito 1.483 os advogados filhos de Vladimir Abreu (outro desembargador indiciado), Marcos Vinícius Machado Abreu da Silva e Ana Carolina Machado Abreu da Silva; Mauro Boer; Divoncir Schreiner Maran Junior (filho de outro desembargador indiciado no mesmo inquérito); Diego Ferreira Rodrigues; Flavio Alves de Morais; e o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que é o alvo principal de outro inquérito, que apura venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os indiciados

O relatório final do inquérito 1.483 da Operação Ultima Ratio resultou no indiciamento de oito magistrados, sete deles desembargadores do Tribunal de Justiça.

Os desembargadores indiciados são Alexandre Bastos, Júlio Roberto Siqueira Cardoso, Vladimir Abreu da Silva, Sideni Soncini Pimentel, Sérgio Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues, todos pelo crime de corrupção passiva. Júlio Siqueira também foi indiciado por lavagem de dinheiro. O juiz de 1ª instância Paulo Afonso de Oliveira também foi enquadrado pela PF no crime de corrupção passiva.

Também foram indiciados os advogados Renata Gonçalves Pimentel, Rodrigo Gonçalves Pimentel, Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, Fábio Castro Leandro, Julio Sergio Greguer Fernandes, Bruno Terence Romero, Fábio Pinto de Figueiredo e Gabriel Affonso de Barros Marinho.

Ainda foram indiciados Danillo Moya Jeronymo (ex-servidor comissionado do TJMS), Diego Moya Jeronymo (empresário), Everton Barcellos de Souza (empresário), Cláudio Bergmann (empresário), Darci Guilherme Bazanella Filho (herdeiro), Tatiele Toro Correia (herdeira), Nathalia Poloni Ney (interessada em fazendas), Paulo Ricardo Fenner (interessado em fazendas), Lydio de Souza Rodrigues (beneficiado por decisão), Percival Henrique de Souza Fernandes (empresário), Maycon Nogueira (tabelião), Leandro Batista dos Santos e Volmar Dalpasquale (empresário).

 

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