Cidades

SAÚDE PÚBLICA

Primeira morte por chikungunya em área urbana é confirma em Dourados

Vítima de 63 anos morava em região com alta infestação do mosquito; município já soma oito óbitos pela doença

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A Prefeitura de Dourados confirmou nesta quinta-feira (16) a primeira morte por chikungunya registrada em área urbana do município desde o início da atual epidemia. A vítima é um homem de 63 anos, residente no bairro Parque das Nações 2, região considerada crítica para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

De acordo com informações do portal Dourados News, o paciente apresentava comorbidades e começou a manifestar sintomas no dia 7 deste mês. Ele chegou a ser internado em hospital da rede privada, mas não resistiu e morreu na segunda-feira (13). A confirmação da causa ocorreu após análise laboratorial realizada pelo Lacen (Laboratório Central).

Com o novo registro, Dourados passa a contabilizar oito mortes por chikungunya em 2026. Os demais óbitos ocorreram entre a população indígena e incluem duas mulheres idosas, com 60 e 69 anos, três homens de 55, 73 e 77 anos, além de dois bebês, de um e três meses de idade.

Ainda há um caso em investigação envolvendo uma criança indígena de 12 anos, que apresentou sintomas no fim de fevereiro e morreu no início de abril. Já a suspeita envolvendo uma menina de 10 anos, moradora do Jardim Novo Horizonte, foi descartada após exames laboratoriais, embora a causa da morte continue sendo apurada.

Os dados mais recentes indicam que a circulação do vírus segue intensa no município. A taxa de positividade está em 67,5%, o que aponta alta probabilidade de confirmação da doença entre pacientes com sintomas compatíveis. Ao todo, Dourados já registrou 1.747 casos confirmados, enquanto outros 3.083 permanecem em investigação e 841 foram descartados.

As notificações de casos suspeitos somam 5.671. Entre as unidades de saúde da área urbana, as que mais realizaram atendimentos são as do Joquei Clube, Seleta e Parque do Lago 2, seguidas por Santo André, Maracanã e Parque das Nações 2, esta última localizada no bairro onde ocorreu o óbito mais recente.

Relatório da vigilância em saúde aponta ainda aumento expressivo nas internações e início de sobrecarga nos serviços públicos, tanto na atenção básica quanto nas unidades de urgência e emergência, além da pressão sobre os leitos hospitalares.

Nas últimas semanas, a maior parte dos casos agudos tem sido registrada entre a população não indígena. Já na Reserva de Dourados, foi observado recuo nas ocorrências recentes. Nas aldeias Jaguapiru e Bororó, que também abrangem moradores de Itaporã, foram contabilizados 1.461 casos confirmados, 639 descartados e 532 ainda em análise.

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Campo Grande

Com foco em infraestrutura, prefeitura prevê orçamento de R$ 7,2 bilhões para 2027

O orçamento para o próximo ano é 4,2% maior que o de 2026, com foco em obras de infraestrutura, como drenagem e pavimentação

16/04/2026 16h15

Orçamento foi entregue na Câmara de Vereadores nesta quinta-feira (16)

Orçamento foi entregue na Câmara de Vereadores nesta quinta-feira (16) Divulgação/Câmara Municipal

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A Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), entregou nesta quinta-feira (16) à Câmara dos Vereadores a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2027.

De acordo com o Projeto de Lei, o orçamento previsto para o próximo ano é de R$ 7,261 bilhões, um aumento de 4,12% em relação ao valor previsto para 2026, que foi de R$ 6,974 bilhões. 

Com a entrega da LDO, inicia o prazo para que os vereadores apresentem emendas para os investimentos que atendam às principais demandas da Capital.

O documento deve ser aprovado ou não pela Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal, presidida pelo vereador Otávio Trad e composta pelos vereadores Landmark, Maicon Nogueira, Fábio Rocha e Ronilço Guerreiro. 

A prioridade da Prefeita são as obras de infraestrutura da cidade, com R$ 500 milhões destinados a investimentos e recursos para a pavimentação. 

"Vamos pavimentar 40 bairros com investimentos de R$ 540 milhões em obras de drenagem e pavimentação", afirmou Adriane. 

O investimento no asfalto também foi destaque na fala do vereador Papy, que ressaltou que o problema vem causando sofrimento na população. 

"O grande investimento neste ano é na pavimentação asfáltica e drenagem. Temos quase 1.125 quilômetros sem asfalto em Campo Grande, quase 25% da nossa malha viária. Os bairros sofrem muito em tempo de chuva e de seca, com a poeira”.

Papy também lembrou que os vereadores podem apresentar emendas complementares que podem ser acopladas à LDO. 

“A partir de então, esse relator vai acolher as emendas dos vereadores na LDO e quando o relatório estiver pronto temos condição de votar em Plenário”, esclareceu. 

Além disso, os vereadores podem apresentar as emendas impositivas, que obrigatoriamente precisam ser executadas pelo Executivo. Metade desses recursos será direcionada à saúde e o restante é voltado a outras áreas, como educação, infraestrutura, esporte, cultura, entre outros. 

As emendas estão orçadas em R$ 830 mil que cada vereador pode apontar na peça orçamentária. 

“Tem uma expectativa no Terceiro Setor com as emendas do Parlamento, é um recurso muito bem usado dentro das ONGs e instituições que fazem um trabalho de saúde e social muito importante para Campo Grande”, ressaltou o presidente Papy.

Na mensagem constante na proposta, a prefeitura informa que trabalha "com as projeções utilizadas pelo Governo Federal, associadas à série histórica de crescimento de cada rubrica da receita, assim como às novas perspectivas de operações de crédito a serem realizadas pelo Município”.

A LDO é usada para estabelecer metas da administração pública e como base para elaborar o orçamento, que é definido por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA) e todas as sugestões precisam estar em consonância com o Plano Plurianual (PPA).

Corrupção no Judiciário

Grilagem jurídica: PF revela venda de sentenças em disputas de terras no TJMS

Relatório da Polícia Federal aponta venda de decisões judiciais envolvendo desembargadores do TJMS em disputas por fazendas e detalha esquema com propina, falsificação de documentos e extorsão

16/04/2026 15h57

Operação da Polícia Federal contra venda de sentenças na Justiça de Mato Grosso do Sul foi desencadeada em 2024

Operação da Polícia Federal contra venda de sentenças na Justiça de Mato Grosso do Sul foi desencadeada em 2024 Marcelo Victor

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O relatório final da Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal — que resultou no indiciamento de sete desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), entre aposentados e em atividade — indica que um grande “mercado de sentenças”, envolvendo disputas agrárias, resultou no escândalo de corrupção envolvendo os magistrados.

No relatório constam detalhes de como decisões judiciais de alta relevância, envolvendo a posse e a propriedade de quatro grandes fazendas em Mato Grosso do Sul, teriam sido negociadas por desembargadores do Tribunal de Justiça (TJMS).

O esquema revelado pela Operação Ultima Ratio contava com a intermediação de advogados e familiares — sobretudo os filhos do desembargador Sideni Pimentel, Rodrigo e Renata —, utilizando dinheiro em espécie, contratos simulados e até extorsão para garantir o controle de propriedades rurais valiosas.

As fazendas envolvidas são Santo Antônio e Vai Quem Quer, no Pantanal, além de Pauliceia, Montanha e San Diego.

A Polícia Federal identificou na operação os crimes de corrupção passiva — o crime central do inquérito, que fundamenta a “venda de sentenças” por parte dos magistrados. Também há indiciamentos por lavagem de dinheiro, falsificação de documento público (no caso da Fazenda Pauliceia), extorsão (também no caso da Fazenda Pauliceia) e organização criminosa.

Quem são os indiciados?

A Polícia Federal indiciou os desembargadores Julio Roberto Siqueira Cardoso, Sideni Soncini Pimentel e Divoncir Schreiner Maran, estes já aposentados. Também foram indiciados os desembargadores em atividade Vladimir Abreu da Silva, Alexandre Aguiar Bastos, Sérgio Fernandes Martins e Marcos José de Brito Rodrigues; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, Osmar Domingues Jeronymo; e o juiz Paulo Afonso de Oliveira.

O delegado Marcos André Araújo Damato também indiciou os advogados Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, Renata Gonçalves Pimentel, Rodrigo Gonçalves Pimentel, Fábio Castro Leandro, Julio Sergio Greguer Fernandes, Bruno Terence Romero, Fábio Pinto de Figueiredo e Gabriel Affonso de Barros Marinho.

Também estão entre os indiciados Danillo Moya Jeronymo (ex-servidor comissionado do TJMS), Diego Moya Jeronymo (empresário), Everton Barcellos de Souza (empresário), Cláudio Bergmann (empresário), Darci Guilherme Bazanella Filho (herdeiro), Tatiele Toro Correia (herdeira), Nathalia Poloni Ney (interessada em uma das fazendas), Paulo Ricardo Fenner (interessado em uma das fazendas), Lydio de Souza Rodrigues (beneficiado com uma fazenda em decisão), Percival Henrique de Souza Fernandes (empresário), Maycon Nogueira (tabelião), Leandro Batista dos Santos e Volmar Dalpasquale (empresário).

Propina milionária

O esquema de corrupção no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul envolveu a negociação de decisões judiciais ligadas a cinco propriedades rurais principais, utilizando intermediação de familiares, falsificação de documentos e extorsão.

No caso da Fazenda Santo Antônio, em Corumbá, a Polícia Federal identificou a venda de um alvará judicial que autorizou a alienação de parte da propriedade em benefício da família Bazanella.

A investigação aponta que a advogada Renata Gonçalves Pimentel, filha do desembargador Sideni Soncini Pimentel, intermediou a decisão proferida por seu pai, com a participação dos desembargadores Vladimir Abreu da Silva e Julio Roberto Siqueira Cardoso.

Renata teria recebido mais de R$ 1 milhão em vantagens indevidas, pagas pelo comprador Cláudio Bergmann e por advogados do espólio. O valor depositado judicialmente foi de R$ 1,1 milhão, quantia considerada muito inferior aos R$ 4,4 milhões estimados como valor real da parte do espólio, o que resultou na apropriação indevida da diferença pelos envolvidos.

Golpe validado

Sobre a Fazenda Vai Quem Quer, também em Corumbá, a decisão de abril de 2023 manteve a validade de um contrato de permuta favorável a Lydio de Souza Rodrigues, apesar de alegações de estelionato por falsificação de documentos na compra da fazenda.

Segundo o relatório, os desembargadores Alexandre Aguiar Bastos, Sideni Pimentel e Vladimir Abreu venderam o resultado do julgamento. As provas indicam que Lydio celebrou a venda de parte da fazenda antes do julgamento final, condicionando o pagamento de R$ 1 milhão aos seus advogados apenas ao êxito na apelação, o que demonstraria o conhecimento prévio do resultado favorável no tribunal.

Corrupção, falsificação e extorsão

A Fazenda Pauliceia, situada em Maracaju, envolveu crimes de corrupção, falsificação de documentos e extorsão. Os desembargadores Vladimir Abreu, Julio Cardoso, Alexandre Bastos e Sideni Pimentel proferiram decisões para manter a propriedade com os sobrinhos do conselheiro do Tribunal de Contas, Osmar Domingues Jeronymo.

A Polícia Federal apurou que escrituras públicas foram falsificadas para transferir terras de Marta Martins de Albuquerque para empresas ligadas ao grupo de Percival Fernandes e Diego Moya Jeronymo. Além disso, Osmar Jeronymo, o advogado Felix Jayme e os sobrinhos Diego e Danillo Jeronymo foram apontados por praticar extorsão contra o produtor Gerson Pieri, obrigando-o a desistir da disputa judicial pela área sob ameaça física e coação.

“Leilão” de desembargadores

No processo relativo às fazendas Montanha e San Diego, a investigação descreveu uma dinâmica de venda de votos na Primeira Câmara Cível. Os autores do crime de corrupção passiva identificados foram os desembargadores Sérgio Fernandes Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues.

O esquema contou com a intermediação do advogado Felix Jayme para favorecer o interessado Paulo Ricardo Fenner. Mensagens interceptadas indicam que o julgamento foi negociado para terminar com um placar de três votos a dois, sendo descrito em diálogos como um leilão, no qual os votos eram pagos conforme o combinado após a sessão.

“Um leilão danado”, disse o advogado Felix Jayme Nunes da Cunha a Danillo Moya Jeronymo, à época do julgamento. “Tô ticado num julgamento das 14h de hoje. Saí agora do TJ, vou faturar por 3x2”, disse. “Pqp, leilão danado kkkk... Cada um quer mais que o outro”, afirmou ao relatar a sessão ao colega.

O trâmite

O relatório final da Operação Ultima Ratio agora será encaminhado ao Ministério Público Federal. Caberá aos procuradores da República analisar as provas e os indícios para formular uma denúncia, para que os indiciados sejam acusados e, se for o caso, respondam criminalmente.

A Operação Ultima Ratio foi desencadeada em outubro de 2024. Na ocasião, cinco desembargadores foram afastados: Sideni Pimentel, Sérgio Martins, Alexandre Bastos, Marcos Brito Rodrigues e Vladimir Abreu.

De lá para cá, Sérgio Martins foi reintegrado ao cargo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, e Sideni Soncini Pimentel se aposentou.

Alexandre Bastos, Marcos Brito Rodrigues e Vladimir Abreu continuam afastados, agora por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde já respondem a processo disciplinar.

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