Uma pulverização aérea de agrotóxicos realizada nas proximidades de propriedades rurais de Glória de Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul, é apontada como provável causa da morte de milhares de larvas de bicho-da-seda em propriedades rurais de Glória de Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul. O caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
A mortandade atingiu pelo menos quatro criadores do loteamento Bétel e foi considerada severa por fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), que estiveram nas propriedades entre os dias 27 e 30 de janeiro deste ano.
Os relatórios produzidos após as vistorias apontam como causa provável a intoxicação por agrotóxicos e relacionam o episódio à pulverização aérea realizada em cultivos de cana-de-açúcar vizinhos.
O cenário encontrado pelos fiscais também foi registrado em fotografias. As imagens anexadas aos documentos mostram grandes quantidades de larvas espalhadas e acumuladas nas estruturas utilizadas para a criação.
Imagens anexadas nos autos mostram milhares de bichos-de-seda mortos nas propriedades - ReproduçãoForam atingidas propriedades de Gilberto Machado de Souza, Paulo Plizzari, Ozeas de Oliveira Martins e Roberto Venâncio Marques, correspondentes aos lotes 4, 8, 9 e 11 do Loteamento Bétel.
A suspeita levantada durante a fiscalização é de que os criadouros tenham sido alcançados por agrotóxicos utilizados nas áreas agrícolas próximas. A hipótese considerada posteriormente pelo MPMS é de deriva da pulverização aérea, quando o produto aplicado é deslocado para fora da área que deveria recebê-lo.
Os relatórios individuais da Iagro mostram que o problema não ficou restrito a uma única propriedade. As vistorias foram realizadas separadamente nos criadouros e registraram o estado das larvas e das estruturas destinadas à produção.
A criação do bicho-da-seda é particularmente vulnerável a uma eventual contaminação das amoreiras, já que as folhas da planta servem de alimento às larvas.
Este foi o principal ponto na apuração, além das larvas mortas ou doentes, as folhas de amoreira entraram na lista de materiais que poderiam ser submetidos a exames para identificar resíduos agrotóxicos.
Em março, o MPMS pediu à Iagro que informasse se amostras de material biológico e vegetal recolhidas durante as fiscalizações haviam sido encaminhadas à Embrapa ou a outro laboratório oficial.
A Promotoria também quis saber se ainda havia material sob custódia da agência que pudesse ser enviado imediatamente para análise e se foram elaborados termos específicos para registrar as coletas realizadas nas propriedades.
Os elementos levantados durante as vistorias levaram o Ministério Público a considerar consistente a possibilidade de intoxicação.
Em decisão juntada ao procedimento, o promotor Gilberto Carlos Altheman Júnior registrou haver “indícios técnicos suficientes” de que a mortalidade das larvas tenha decorrido de intoxicação por agrotóxicos.
O documento ainda afirma que a hipótese de deriva de pulverização aérea proveniente das lavouras de cana-de-açúcar vizinhas é "tecnicamente compatível com os danos observados".
Apesar disso, ainda não é possível afirmar definitivamente que uma determinada pulverização tenha causado as mortes.
A mesma decisão ressalta que a ausência de análise laboratorial impedia, naquele momento, a confirmação definitiva da origem do dano.
Já o documento mais recente disponibilizado nos autos é de 31 de agosto e indica avanço na obtenção das informações técnicas.
Naquela data, a Promotoria encaminhou à Iagro cópias de relatórios de análise laboratorial para multirresíduos, solicitando conhecimento e providências.
O trecho disponível, porém, não apresenta os resultados desses exames. Portanto, a documentação analisada não permite dizer qual substância foi eventualmente detectada, em qual concentração ou de onde teria partido o produto.
Alvorada Festiva, participação popular de homenagem ao aniversário de Ladário. Foto: Reprodução/Instagram @munirsadeqoficial



