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TCE-MS deve fazer "pente-fino" no edital da Lotesul em Mato Grosso do Sul

Processo licitatório foi suspenso pela Corte de Contas após denúncia de suspeita de direcionamento indevido do certame

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O corpo técnico do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) pediu a contratação de uma equipe especializada em loterias para realizar um “pente-fino” no edital da licitação que vai escolher o gestor da plataforma eletrônica da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul).

A denúncia na Corte de Contas foi feita por Jamil Name Filho, o Jamilzinho, e pela empresa Criativa Technology, com sede em Dourados. Eles alegaram a existência de um direcionamento do certame, suspeitando que as exigências técnicas excessivas seriamo indícios de uma tentativa de restringir a participação de empresas no processo licitatório.

Após o pedido de impugnação do certame, o conselheiro Márcio Monteiro, em decisão no dia 9, determinou a suspensão da licitação, que deveria ter sido encerrada no dia 17, mas foi paralisada por um pedido de explicação.

A suspensão foi feita justamente para que a área técnica da Corte de Contas pudesse analisar o edital e definir sobre a existência de um possível direcionamento do certame.

Em resposta a essa análise, despacho da Divisão de Fiscalização de Contratações Públicas do TCE-MS nesta terça-feira pediu que o edital seja analisado por especialistas no assunto, levando em consideração a “natureza altamente especializada da suposta irregularidade e tendo em vista a possibilidade de contratação de especialistas internos ou externos em situações que demandem conhecimentos técnicos específicos”. 

“Esta Divisão de Fiscalização sugere ao conselheiro relator que avalie a pertinência da designação de um especialista na área de tecnologia de sistemas lotéricos”, informa o despacho.

Conforme análise da equipe técnica, “a expertise de profissional especializado justifica-se na necessidade de auxílio na análise aprofundada das especificações técnicas do edital, da compatibilidade da solução proposta com as necessidades da Sefaz [Secretaria de Estado de Fazenda] e da razoabilidade dos custos envolvidos, garantindo, assim, uma avaliação mais robusta e segura para a tomada de decisão deste Tribunal de Contas”, trouxe o despacho.

Para o advogado André Borges, que defende Jamil Name Filho neste processo, a escolha do TCE-MS pela análise técnica foi acertada.

“O TCE-MS tem atuado tecnicamente. O órgão avaliou bem a importância da licitação: tudo que puder ser feito para melhor fiscalizar o ato do Executivo deve ser aplaudido. Aguarda-se o resultado final porque a lei é clara em vedar redução injustificada do número de participantes, conforme estabeleceu o edital impugnado”, declarou Borges.

A empresa que cumprir os critérios estabelecidos no edital operará o sistema lotérico estadual, que tem previsão de disponibilizar os jogos de forma totalmente eletrônica, com a possibilidade de credenciar operadores para apostas em resultados esportivos (as chamadas bets) e até mesmo para outras modalidades, como os jogos de cassino on-line, cujos mais famosos atualmente são Aviator e o “jogo do tigrinho”.

A empresa que vencer a licitação, de acordo com o termo de referência a que o Correio do Estado teve acesso, poderá ter um faturamento anual de até R$ 1,4 bilhão, segundo estimativa feita pelo Executivo estadual.

Apesar de no edital de licitação constar que a “estimativa da receita média anual de remuneração da plataforma é de R$ 51.474.339,31”, no termo de referência está posto que o valor pode chegar até 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, que é de R$ 166,8 bilhões.

A FAVORITA

Reclamações de empresários sobre o processo de licitação da Lotesul começaram quando alguns interessados no certame suspeitaram de um possível direcionamento no edital que estaria favorecendo principalmente a empresa PayBrokers.

Atualmente, a empresa controla a loteria estadual do Paraná, cujo edital de licitação também foi alvo de investigação por parte do Tribunal de Contas daquele estado. Porém, apesar de a parte técnica apontar direcionamento no certame, o relator do caso negou o pedido de suspensão da licitação.

Além disso, no ano passado, a empresa foi alvo de operação da Polícia Civil de Pernambuco, em investigação sobre a atuação de jogos de azar por meio de bets legalizadas no Brasil.

A responsável pela Loteria do Estado do Paraná (Lottopar) venceu o processo de licitação em 2023, com contrato de R$ 167 milhões com o governo estadual.

IMPUGNAÇÃO

A decisão de suspender a licitação para a gestão da Lotesul, tomada pelo conselheiro do TCE-MS Márcio Monteiro no dia 9, foi dada “até a manifestação desta Corte de Contas sobre a legalidade do procedimento licitatório, evitando, assim, prejuízos ao interesse público”. 

“Os denunciantes alegam que o edital de licitação impugnado contém indícios de direcionamento do certame, em virtude de condições incomuns e injustificadas, assim como impugnam diversos itens do termo de referência que comprometam a competitividade e/ou viabilidade econômica da licitação, tanto para os concorrentes quanto para o próprio estado de Mato Grosso do Sul”, trouxe trecho do documento que determinou a suspensão da licitação.

Os mesmos requerentes que pediram a impugnação do certame (Jamilzinho e Criativa Technology) também haviam ingressado com pedido de impugnação na Sefaz, porém, o pedido foi negado pela secretaria.

A licitação para controlar a Lotesul ocorreu no dia 17 de março, mas foi suspensa logo após seu início, com três propostas feitas.

Saiba

A vencedora da licitação pode ficar à frente do negócio bilionário por até 35 anos. Segundo o edital, a estimativa de receita anual é de R$ 1,4 bilhão.

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TEMPO

Chuva de 55 milímetros derruba temperaturas em MS

Tempo instável já dura 48 horas e previsão é que terça-feira (6) continue igual; sol reaparece na quarta-feira (7)

06/10/2026 09h40

Sul-mato-grossense teve que tirar o guarda-chuva e o casaco do armário neste começo de semana

Sul-mato-grossense teve que tirar o guarda-chuva e o casaco do armário neste começo de semana MARCELO VICTOR

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Tempo instável, chuvoso e nublado está persistente e já dura mais de 48 horas em Mato Grosso do Sul.

As pancadas começaram no domingo (4) de eleição e permaneceram durante toda a segunda-feira (5), em todas as regiões do Estado. A previsão é que a terça-feira (6) permaneça da mesma forma.

De acordo com o meteorologista, Natálio Abrahão, Campo Grande registrou 55 milímetros de chuva no domingo (4) e 17,2 mm na segunda-feira (5). Já Corumbá contabilizou 32,8 mm de domingo (4) até às 17 horas de segunda-feira (17), direto, sem parar.

A chuvarada reduziu as temperaturas em pelo menos 5°C, aumentou a umidade relativa do ar, melhorou a qualidade de respiração e deixou o clima úmido.

O Inmet divulgou alerta amarelo de tempestade para Mato Grosso do Sul:

  • Tempestade – alerta amarelo – perigo potencial: Chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos (40-60 km/h), e queda de granizo. Baixo risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de galhos de árvores e de alagamentos

De acordo com Abrahão, as chuvas são decorretes da influência do El Niño.

"A primeira quinzena de outubro será de contraste de temperatura e de chuvas também. MS terá chuvas acima da média entre Sidrolândia e Sete Quedas. Campo Grande pouco menos, mas chove também. [É um] contraste térmico fortemente influenciado pelo El Niño", explicou.

Abrahão ainda revelou como ficará o tempo nas próximas semanas. 

"A semana de 5 a 12 de outubro haverá chuvas acima de 35-40mm no sul de MS, de Dourados até o limite do Paraná. A influência será um ciclone extratropical, passando no Sul de MS no sábado, trazendo tempestades até a segunda feira dia 12. Na semana seguinte, 12 a 19 outubro, chuvas fortes e tempestade podem ocorrer principalmente no dia 15 de outubro. Campo Grande pode receber muita água e ter enchentes na região central. Todos os municípios de Dourados para baixo fiquem em estado de alerta, pois se espera mais de 50 a 70 milímetros de chuva. Em contraste o Norte e Nordeste do Estado apresentam desvios com tendência de chuvas abaixo ou até falta de chuva", detalhou o meteorologista.

PRIMAVERA

Primavera começou às 20h05min de 22 de setembro e terminará às 17h50min de 21 de dezembro de 2026 em Mato Grosso do Sul.

A estação é caraterizada pela

  • Floração de plantas
  • Aumento da umidade
  • Retorno das chuvas
  • Dias mais longos/noites mais curtas
  • Transição entre inverno (seca) e verão (chuvoso)

Climatologicamente, é considerada um período de transição entre o período quente e seco do inverno para uma estação mais chuvosa.

Tempo

Campo Grande teve o dia de votação mais chuvoso de que se tem registro

Chuva se estendeu pelo interior do Estado e pode ter levado MS a registrar maior abstenção do País

06/10/2026 08h30

Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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Campo Grande acumulou, no domingo, 65 milímetros de chuva durante o primeiro turno das eleições; este foi o maior índice de precipitação já registrado durante um pleito na Capital. Além disso, vários outros municípios também tiveram um dia chuvoso, o que pode ter contribuído para que Mato Grosso do Sul tenha sido o estado com o maior número de abstenções neste turno.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Campo Grande chegou a 65 mm no domingo, antes, o maior acumulado para uma eleição do qual se tem registro ocorreu no dia 31 de outubro de 2010, quando foram 25 mm na Capital, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que registra as informações de chuva apenas a partir de 2001.

Na última eleição, em 2024, quando a disputa era para cargos municipais, a precipitação foi de apenas 2,6 mm, segundo o Inmet.

Em meio a chuva na Capital, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção ficou em 20,13%, ou seja, 128.730 pessoas, das 639.433 aptas a votar, não compareceram ao seu local de votação.

Já em Corumbá, onde o acumulado de chuva chegou a 77,4 mm no dia do primeiro turno, a abstenção foi um pouco maior, de 24,04% do eleitorado, o que representa 16.236 votos a menos no município.

A cidade de Mato Grosso do Sul onde mais choveu no domingo foi Coxim, com um acumulado do dia que chegou a 136,8 mm. O município teve também uma das maiores abstenções do Estado, 26,87%, que representam 7.105 pessoas.

O mesmo ocorreu em Bonito, onde a chuva foi de 108,8 mm e 26,35% do eleitorado deixou de ir votar, ou seja, 5.073 votos a menos foram depositados nas urnas daquela localidade.

A maior abstenção do Estado, no entanto, ocorreu em Água Clara, onde o porcentual de pessoas que não foram votar foi de 33,49%, o que representa 4.509 eleitores.

RANKING DOS ESTADOS

Esses porcentuais refletiram no valor total de eleitores que compareceram às urnas em todo o Estado. Após a computação de todas as mais de 7,1 mil seções eleitorais espalhadas pelo Brasil neste primeiro turno, balanço do TSE apontou que Mato Grosso do Sul teve o pior desempenho entre as Unidades da Federação no que diz respeito ao volume de abstenções. 

Somando 2.024.430 eleitores aptos a votar neste ano em MS, o Estado registrou o comparecimento de somente 1.541.220 deste total, o que representa a porcentagem de 23,87% de abstenções, ou seja, 483.210 que deixaram de votar.

Além de estar no topo das abstenções, Mato Grosso do Sul ficou ainda dois pontos porcentuais acima da média nacional de abstenções que foi de 21,08%.

O segundo estado com o maior número de abstenções foi o Rio de Janeiro, onde 23,33% dos eleitores não compareceram às urnas, o que significou 2.996.650 de votos a menos.

RECORDE

O porcentual de abstenções deste ano representou o recorde de uma eleição presidencial desde 2014.
Matéria do Correio do Estado mostrou que em 2022, por exemplo, 440.788 não foram votar no primeiro turno e 446.100, no segundo turno, o que representava 22,08% e 22,34%, respectivamente, dos 1.996.510 eleitores aptos. Naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou na primeira colocação em ambas as “rodadas”.

Em 2018, quando a eleição presidencial foi protagonizada por Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, 398.404 (21,21%) não foram às urnas no primeiro turno, enquanto 427.761 (22,78%) não compareceram no segundo turno. 

Já nas eleições de 2014, quando a petista Dilma Rousseff venceu o tucano Aécio Neves, 373.371 (20,53%) se ausentaram do direito ao voto no primeiro turno e 420.597 (23,12%) tiveram a mesma atitude no segundo turno, em um universo de 1.818.937 eleitores. (Colaborou Leo Ribeiro)

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