Economia

linha férrea

Arauco investirá 3 vezes mais que a previsão inicial em sua ferrovia

Valor estimado aumentou dos iniciais R$ 800 milhões para R$ 2,831 bilhões, de acordo com relatório da ANTT

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A empresa Arauco Celulose vai investir três vezes mais que o estimado inicialmente no ramal ferroviário de 46 km que vai ligar a unidade produtora do Projeto Sicuriú até a linha férrea Rumo Malha Norte, a Ferronorte, no município de Inocência. O valor previsto subiu de R$ 800 milhões para R$ 2,831 bilhões, de acordo com a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT).

O valor foi apresentado no parecer do requerimento de autorização para a construção do trecho ferroviário solicitado pela empresa, que foi aprovado por unanimidade no dia 4 pela diretoria colegiada da ANTT.

Na Deliberação nº 118/2025, a autarquia permitiu a construção e a exploração do ramal por 99 anos, até 2124, e o contrato de adesão terá de ser assinado em 30 dias (até 9/5), “sob pena de eficácia dessa deliberação e o consequente arquivamento do processo”.

A linha férrea vai utilizar bitola larga, tendo investimento global de R$ 2,831 bilhões, considerando como parâmetro de cálculo os valores de julho de 2024, o que pode fazer o montante ser ainda maior ao ser atualizado. Esse quantitativo é três vezes e meia superior ao estimado no anúncio do empreendimento.

Embora a produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra de eucalipto por ano deva começar em 2027, o ramal só vai entrar em operação em fevereiro de 2035, quando será concluída a obra.

Para justificar o pedido, a Arauco afirmou que a linha férrea será usada para transportar a celulose “proveniente de fabricação própria” e que “o transporte ferroviário tem inúmeras vantagens sobre os demais modos terrestres, por ter uma grande capacidade de carga, reduzir o consumo de combustíveis, ser menos poluente e diminuir o número de caminhões e acidentes nas rodovias, além de baixar o custo de transporte do produto”.

A empresa também ressaltou que “são inquestionáveis a importância e o potencial do Projeto Sucuriú para a região. A construção do trecho ferroviário representa uma oportunidade única de desenvolvimento, trazendo benefícios econômicos, sociais e ambientais não apenas para o município de Inocência, mas para todo o Estado”.

A Arauco destacou que o Projeto Sucuriú “consiste em uma planta de celulose Kraft, com capacidade projetada para 3,5 milhões de toneladas, tornando-se o maior projeto de celulose em fase única no mundo”.

Para evitar conflitos na concessão da outorga, a ANTT solicitou em janeiro um posicionamento da Rumo Malha Central, da Rumo Malha Norte e da Rumo Malha Paulista se queriam ter o direito de preferência, em virtude do ramal estar na área de influência dessas três concessionárias.

Elas responderam, conforme parecer no voto da diretoria, “o não interesse em exercer o direito de preferência para o projeto de implantação de ferrovia no município de Inocência, por meio de outorga por autorização, requerido pela empresa Arauco Celulose do Brasil S.A.”.

MAIS PEDIDOS

Outras empresas de celulose instaladas no Estado já estão autorizadas a construir linhas férreas.

O primeiro pedido e com estudos mais adiantados foi a da Eldorado Celulose, em 2021, para instalar a EF-A05, localizada entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado, e explorar a infraestrutura pelo prazo de 99 anos, com extensão de 89 km e investimentos de R$ 890 milhões, calculados em 2021 – valor também que deve subir, uma vez que os custos de construção aumentaram nos últimos quatro anos. 

A empresa obteve em julho de 2024 a licença prévia para instalação do governo de MS e comprometeu-se a pagar mais de R$ 7,8 milhões em compensações ambientais ao Estado.

Além da Eldorado, a Suzano – a qual opera uma fábrica de celulose em Três Lagoas com capacidade para 2,55 milhões de toneladas anuais –, em 2022, também solicitou autorização à ANTT para uma ferrovia com extensão de 111,7 km até Aparecida do Taboado.

A agência, no entanto, indicou que apenas uma autorização será concedida, o que poderá forçar as empresas a compartilharem o mesmo ramal. 

A Suzano fez um outro pedido, o de construção de um ramal em Três Lagoas com 24,28 km.

Outro processo em andamento na ANTT é para a autorização de construção de trecho que se conectará com a Ferroeste, a EF-483, entre Maracaju e Dourados, com 76 km, e a permissão para explorar por 99 anos. O pedido foi realizado em 2021 e, nesse caso, será para o transporte de grãos.

“Tanto a Suzano quanto a Eldorado solicitaram, mas isso está em stand-by. A Eldorado já teve licenciamento ambiental autorizado, porém, nesse momento, eles não conseguem tocar o projeto, porque estão aguardando como vai ser a recomposição total da Malha Oeste”, explicou ao Correio do Estado o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck.

“Hoje, a proposta é ligar Campo Grande a Ribas do Rio Pardo e subir para Aparecida do Taboado. Então, antes dessa linha da Suzano e da Eldorado, a gente aguarda a decisão do TCU [Tribunal de Contas 
da União], em função da repactuação da Malha Oeste”, disse.

FERROVIA

Conforme adiantou o Correio do Estado no início deste mês, o trecho que começará a ser construído em setembro será a primeira obra desse modal a ser implantada em MS em mais de 27 anos. O último ramal foi inaugurado no Estado em 1999.

“Esse é o primeiro processo, na verdade, que foi autorizado no novo regime de autorização – vamos chamar assim – da nova regulamentação. A ANTT já autorizou a construção e a Rumo também autorizou a conexão”, pontuou Verruck.

Ainda de acordo com o titular da Semadesc, o que falta atualmente é a declaração de utilidade pública (DUP). Após ela, é feita a desapropriação das áreas onde a ferrovia vai passar.

“A parte processual está toda resolvida. Em setembro, vamos fazer o lançamento dessa ferrovia. A ideia é de que em setembro a gente tenha tudo isso resolvido, de tal forma que eles possam, a partir de então, já iniciar as obras”, concluiu o secretário.

*Colaborou Súzan Benites

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em ms

"Isso de empresa quebrar é piada", diz ministro do trabalho sobre fim da escala 6x1

Durante agenda em MS, ministro disse que a discussão sobre a PEC é semelhante a que houve quando foram instuídas férias e 13º salário

08/09/2026 11h34

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu o fim da escala 6x1 na manhã desta terça-feira (8), durante agenda em Campo Grande, e criticou o argumento de empresários e outros setores de que a proposta elevaria custos e prejudicaria a economia, supostamente levando ao fechamento de empresas.

"Essa coisa de empresa quebrar, isso é piada. Tem um monte de empresas que quebra por problemas, por fraude, se tem um mau gestor na empresa e comete uma fraude, pode levar a empresa a quebrar. Por briga de sucessão, que é o caso das Casas Bahia, então nós precisamos separar as coisas. Eu não conheço na história, no Brasil e no mundo, uma empresa que tenha quebrado por redução de jornal de trabalho", disse o ministro.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à jornada de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1) foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no dia 2 de setembro, mas deve passar por dois turnos de votação no plenário da Casa apenas após as eleições.

Marinho acrescentou que sempre que há uma mudança nas leis trabalhistas, há discussão sobre a possibilidade de prejudicar a economia, mas que muitas delas tiveram resultados positivos.

"Quando criou-se o décimo terceiro foi a mesma discussão, de que iria quebrar a empresa, quando criou a licença maternidade nem se fala, de que não contratariam mais mulheres, teria demissão de mulheres, e não foi o que aconteceu. Isso [discussão] aconteceu com as férias, aconteceu quando reduziu de 48 para 44 [a jornada] na Constituinte 88. Os debates foram os mesmos, 'as empresas vão quebrar, vão gerar desemprego', e na verdade foi ao contrário", avaliou o Marinho.

"O que vai acontecer é fortalecer a relação do trabalhador com a empresa, e o trabalhador, a trabalhadora, tendo melhor condição física, psíquica, ele poderá se dedicar melhor ao seu trabalho, o teu produto, da tua qualidade, da tua produtividade", acrescentou.

Apesar disso, o ministro disse que é importante entender a preocupação dos empresários e dialogar com eles, para escutar as demandas e encontrar na legislação um formato para organizar as escalas de trabalho.

O ministro esclareceu ainda que há muitas informações desencontradas sobre a PEC, como o supostamento fechamento no fim de semana, o que não corresponde ao projeto.

"Uma coisa é o debate da redução do jornal de trabalho, de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário, e outra é o direito da pessoa, do trabalhador, ter duas folgas na semana. E você pode, ouvindo os trabalhadores e empregadores, organizar, porque muitos empresários falam assim: 'mas eu preciso trabalhar o sábado'. Não está proibido trabalhar o sábado, não está proibido trabalhar domingo, não é essa a lógica do debate sobre a escala 6x1. O que está proibido, se aprovado, é que o trabalhador trabalhe 6 dias sem uma remuneração extraordinária", explicou.

Marinho ressaltou que além da escala 5x2, há outros tipos de escala, como a 12x36, e outras possibilidades que podem ser determinadas em acordo coletivo de trabalho.

Por fim, o ministro disse estar confiante de que a PEC será aprovada no Senado.

Votação no Senado

Na última quinta-feira (3), o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a PEC que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais será votada após as eleições.

A declaração ocorreu durante sessão deliberativa no plenário da Casa, em resposta a um apelo feito pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que anunciou a aposentadoria e cumpre o último mandato parlamentar no Congresso Nacional.

Um dia antes, sem ter garantia sobre os votos necessários para aprovar a PEC, e sob obstrução da oposição, a base do governo no Senado decidiu não arriscar apreciação do texto em plenário, processo que exige 49 votos em dois turnos.

O texto passou apenas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A previsão é que o novo esforço concentrado de votação legislativa ocorra na segunda semana de outubro.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno, para 25 de outubro.

Panorama

Venda de veículos cresce 3,5% e elétricos disparam no Estado

Crescimento é sustentado por carros e comerciais leves, enquanto motos recuam; mercado premium aposta em eletrificados para manter expansão em Mato Grosso do Sul

08/09/2026 08h15

Divulgação

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O mercado de veículos novos de Mato Grosso do Sul acumula alta de 3,46% nos oito primeiros meses deste ano. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que foram 44.140 emplacamentos entre janeiro e agosto, contra 42.664 no mesmo período de 2025.

O avanço, porém, não ocorre de forma uniforme entre os segmentos. Os automóveis respondem pela maior parcela das vendas e acumulam crescimento de 12,48%, passando de 13.361 unidades nos oito primeiros meses de 2025 para 15.028 neste ano. Os veículos comerciais leves também avançaram, com alta de 8,71%, de 6.108 para 6.640 unidades.

Na contramão, as motocicletas recuaram 4,73%, de 18.263 para 17.399 unidades, enquanto ônibus tiveram queda ainda mais acentuada, de 44,88%, embora representem uma fatia pequena do mercado estadual.

O desempenho mais recente também indica uma desaceleração. Em agosto, foram 5.441 veículos emplacados, queda de 6,69% em relação às 5.831 unidades registradas em julho. 

Na comparação com agosto de 2025, entretanto, houve leve alta de 0,70%, quando foram emplacados 5.403 veículos.

Dentro desse cenário de crescimento moderado, o segmento de veículos premium mantém uma dinâmica diferente, segundo avaliação do mercado.

Para o diretor regional do Grupo Raviera, Rogério Branquinho, responsável pela operação da BMW em Mato Grosso do Sul, as vendas de veículos de luxo apresentam menor influência de períodos tradicionais de maior consumo.

“O mercado premium não tem a sazonalidade do varejo. É uma realização de sonho: o sonho não tem data, a pessoa realiza quando quer e quando pode”, afirma.

Segundo ele, a expectativa para este ano é de manutenção do volume registrado no ano passado, apesar do ambiente econômico e das incertezas relacionadas ao calendário eleitoral.

“Esse mercado não tem grandes variações há cerca de 10 anos. A expectativa é de fechar o ano com o mesmo número do ano passado e, mesmo assim, terminar em primeiro lugar no mercado premium de Mato Grosso do Sul”, diz.

Branquinho avalia que fatores externos podem influenciar o comportamento dos consumidores neste ano.
“Estamos num ano com alguma sazonalidade diferente, temos eleições, entre outras coisas, que têm reflexo independentemente do mercado premium ir bem ou não”, afirma.

A avaliação ocorre em um momento em que o mercado estadual também passa por uma mudança tecnológica, com a expansão dos veículos eletrificados.

ELÉTRICOS

Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), com base em informações nacionais da Bright Consulting, apontam que os carros 100% elétricos emplacados no Estado mais que dobraram.

No período entre janeiro e agosto de 2025 foram 408 registros,  saltando para 997 unidades no mesmo período deste ano, alta de 144,4%.

Considerando elétricos e híbridos, a participação dos veículos eletrificados no total de carros novos emplacados em Mato Grosso do Sul passou de 4,3% para 7,8% no período.

O avanço ocorre mesmo com o mercado total apresentando crescimento mais contido. Um levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), referente ao período de janeiro a maio, já apontava alta de 67,75% nos emplacamentos de eletrificados leves em Mato Grosso do Sul.

Para Branquinho, a expansão dos elétricos não representa, necessariamente, o fim dos veículos movidos a combustão.

“O elétrico é uma realidade em todas as marcas, no mundo inteiro. A BMW é hoje uma das marcas premium mais atualizadas em capacidade de bateria, o que garante mais autonomia. Mas mantemos nosso DNA de esportividade: a linha segue com motores a combustão e entra na inovação, com carros 100% elétricos”, afirma.

INVESTIMENTOS

O movimento também tem sido acompanhado por investimentos no segmento premium em Campo Grande.

A concessionária localizada na Avenida Ceará passou por reformulação e foi reaberta em um novo conceito de showroom.

Para o executivo, a aposta está relacionada ao crescimento econômico do Estado e à expansão do mercado de maior poder aquisitivo.

“Mato Grosso do Sul é um dos estados de maior performance e crescimento do Centro-Oeste. Não tem por que não ser aqui”, considera.

Embora o segmento de luxo tenha peso menor no conjunto dos emplacamentos estaduais, a movimentação acompanha uma transformação mais ampla do mercado automotivo, marcada pela entrada de novas tecnologias e pelo crescimento dos veículos eletrificados.

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