Economia

MINISTÉRIO DA FAZENDA

Secretário do Tesouro defende controle de gastos em regra fiscal

Rogério Ceron disse que o crescimento das despesas tem de estar atrelado a uma alta "saudável" de receitas

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O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, defendeu a fixação de regra de controle de gastos na nova âncora fiscal. O projeto de lei com o tema será encaminhado em abril ao Congresso.

Ceron disse que o crescimento das despesas tem de estar atrelado a uma alta “saudável” de receitas. “O que pode ou não crescer (de despesa) tem a ver com quanto se terá de receita disponível”, disse Ceron ao Estadão/Broadcast. Veja os principais tópicos da entrevista do secretário do Tesouro.

DÉFICIT DAS CONTAS PÚBLICAS.

“O ministro Haddad sinalizou que um déficit de menos de 1% do PIB (cerca de R$ 100 bilhões) seria um resultado muito satisfatório. É o nosso piso. Estou confiante de que vamos atingir. Respiramos todo o tempo para melhorar esse número. Eu miro zerar.”

PACOTE FISCAL.

“Está em curso. Temos um mês. Tem várias medidas que precisam cumprir a noventena (prazo de 90 dias para entrar em vigor). Está indo de forma satisfatória. Em abril, teremos o impacto cheio das medidas. Acredito que vamos superar as expectativas sobre o pacote.”

MERCADO.

“É preciso dar tempo ao tempo. Fizemos o anúncio das medidas do pacote. Um mês depois, a maior parte das casas do mercado já alinhou a previsão para um déficit em torno de R$ 100 bilhões e R$ 120 bilhões. Vai ganhando credibilidade ao longo do tempo.”

CONGRESSO.

“Tenho visto sinalizações muito positivas de ajudar e encontrar um bom caminho do diálogo. Naquilo que não há consenso, buscar aprimoramento, mas prosseguir.”

REGRA FISCAL.

“Acho importante, sim, ter uma regra de controle de despesas. A regra que está posta (o teto de gastos) é impossível. Há despesas que têm crescimento real. O teto congela as despesas. Para mudá-lo, teria de ser algo acima disso (um crescimento real, acima da inflação). Esse crescimento tem de estar ancorado numa alta saudável de receitas, que tem a ver com o crescimento econômico. O que pode ou não crescer (de despesa) tem a ver com quanto terá de receita disponível para não gerar um problema de superendividamento lá na frente.”

TABELA DO IR.

“O Imposto de Renda não afeta exatamente o resultado primário das contas do governo porque terá uma medida de compensação. Se formos fazer um ajuste no sentido de desonerar algumas faixas ou elevar o limite de isenção em termos de salário mínimo, tem vários desenhos possíveis, tem que compensar.”

PROGRAMA DESENROLA.

“A intenção é sair ainda neste mês. Se o desenho final for atender até quem ganha dois salários mínimos, é um universo de 50 milhões de pessoas. É muita gente “

DESONERAÇÃO DA GASOLINA E DO ÁLCOOL.

Como o ministro (Haddad) já tinha sinalizado, não há nenhuma discussão em curso (para prorrogar). O que está posto é que, a partir de março, volta a incidência dos tributos federais.”

REFORMA TRIBUTÁRIA x REGRA FISCAL.

“Não sei se tem risco em votar a reforma tributária antes da regra fiscal. Há uma convergência para aprovação célere da reforma tributária. Se ela acontecer, tem de aproveitar o momento. Ela é importantíssima.”

CARGA TRIBUTÁRIA NEUTRA.

“Não temos uma discussão de aumento da carga. Mas temos a busca da carga tributária de 2022. É um patamar necessário para manter o Estado brasileiro solvente Para ser abaixo disso, precisaria ser um Estado menor, o que a sociedade não quer. Ela quer um suporte social. Precisa ter um Estado saudável. Não adianta fingir que existe Estado grátis.”

BOLSA FAMÍLIA.

“Se for verificado o número de beneficiários não elegíveis, (a economia) poderia ser até maior. Estão falando de 1,5 milhão a 2 milhões de beneficiários. Aí, é a qualidade de gastos porque é um programa que está beneficiando quem não deveria.”

SUBSÍDIOS.

“Precisamos avaliar se os gastos tributários (subsídios, incentivos) como estão cumprem o seu papel. Temos muitas desonerações. A pejotização que está acontecendo para tentar fugir da tributação do Imposto de Renda. O próprio movimento que acontece de empresas que começam no Simples Nacional e que, para não sair do programa, começam a se multiplicar para poder não sair do regime. Isso é ruim para o País.”

CARF.

“Colocamos luz numa discussão muito importante que é a do Carf. Faz sentido um contencioso administrativo que dura seis anos e depois vai para discussão judicial, que demora mais nove anos, e depois começa uma execução fiscal, que demora mais cinco a dez anos? É esse o sistema que queremos? No mundo inteiro, é célere. Tem de ser revisto.”

LULA, BC E JUROS.

“O presidente tem o direito de fazer as considerações dele. Os ministros da Fazenda e do Planejamento estabelecem a meta que o BC tem de cumprir e eles são os atores legítimos para tratar desse assunto. O que eu olho é o custo da atuação do BC sobre o custo da dívida e, por consequência, o quanto ele ocupa de espaço no Orçamento, que deveria ser utilizado para outras coisas. Eu não falo sobre mérito da condução, mas é obvio que há um impacto.”

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Renegociação

Quem tem dívida com a Prefeitura pode negociar com até 90% de desconto em Campo Grande

"Regulariza CG" começa nesta terça-feira e permite que moradores e empresas renegociem débitos municipais; prazo vai até 9 de outubro

08/09/2026 14h15

Reprodução/ Prefeitura de Campo Grande

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Moradores e empresas que têm dívidas com a Prefeitura de Campo Grande podem começar a negociar os débitos nesta terça-feira (8). O programa "Regulariza CG" oferece descontos de até 90% sobre juros, multas e outros acréscimos legais para quem deseja quitar pendências municipais. O prazo para aderir ao programa termina em 9 de outubro.

Podem ser negociados débitos de natureza tributária e não tributária em que o fato gerador tenha ocorrido até 31 de dezembro de 2025. A medida alcança pessoas físicas e empresas que possuem pendências com o Município dentro desse período.

O programa é destinado a contribuintes que possuem débitos com o Município de Campo Grande, sejam eles tributários ou não tributários. Para quem optar pelo pagamento à vista, o desconto varia conforme o ano em que a dívida foi gerada. As pendências originadas até 2018 terão redução de 90% nos acréscimos legais. Para dívidas de 2019 e 2020, o desconto será de 70%, enquanto os débitos entre 2021 e 2025 terão redução de 50%.

Quem já possui uma dívida parcelada também poderá optar pela quitação à vista, com desconto de 30% sobre os juros que ainda seriam cobrados.

Parcelamento

Quem não conseguir quitar o débito de uma só vez também poderá parcelar a dívida. O desconto nos acréscimos legais será de 40% para pagamentos divididos em até seis vezes, de 30% para quem escolher até 12 parcelas e de 25% para débitos parcelados em até 16 vezes. Em qualquer uma das opções, o valor mínimo de cada parcela será de R$ 100.

Dívidas que já foram incluídas em acordos anteriores não poderão ser novamente parceladas pelo Regulariza CG. Nesses casos, a opção prevista pelo programa é o pagamento à vista.

A adesão ao programa pode ser feita pela internet, por meio do sistema de parcelamento da Prefeitura de Campo Grande. Também há atendimento presencial na Central do Cidadão, localizada na Rua Cândido Mariano, 2.655, no Centro. O prazo para aderir ao Regulariza CG termina em 9 de outubro.

CAMPO GRANDE

Ministro Luiz Marinho lança mesa do Pacto pelo Trabalho Decente do Meio Rural em MS

Iniciativa tripartite visa a devida formalização do emprego, o chamado recrutamento justo, bem como a saúde e segurança em ambiente de trabalho

08/09/2026 13h01

""O objetivo principal hoje aqui é participar do pacto pelo trabalho decente com o segmento rural", diz Luiz Marinho. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Ministro do Trabalho e Emprego do Brasil (MTE), Luiz Marinho esteve em Campo Grande nesta terça-feira (08) para duas agendas, começando com uma visita aos servidores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do MS (SRTE-MS) e terminando na instalação da chamada Mesa do Pacto pelo Trabalho Decente do Meio Rural de Mato Grosso do Sul. 

"Infelizmente vou embora hoje. Gostaria de ficar mais tempo aqui, até porque é uma cidade maravilhosa Campo Grande, o Estado é maravilhoso. Cresci na divisa com o Mato Grosso do Sul, na região de Santa Fé do Sul, puxei enxada naquele território e vira e mexe pulava a fronteira para MS nos bailinhos da adolescência, comentou o ministro hoje durante sua passagem pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.

Abrangendo atividades agrícolas e pecuárias, o dito pacto pelo trabalho decente no meio rural busca também promover boas condições para quem busca sobreviver do trabalho no campo.

Conforme o MTE essa iniciativa tripartite visa a devida formalização do emprego, o chamado recrutamento justo, bem como a saúde e segurança no ambiente de trabalho. 

Essas mesas em questão tratam-se do espaço tripartite - que envolve representantes do Governo Federal, de organizações de trabalhadores rurais, entidades de empregadores e organismos parceiros - para construção coletiva de soluções. 

"O objetivo principal hoje aqui é participar do pacto pelo trabalho decente com o segmento rural. E a Federação da Indústria participa pela lógica de pensar a agroindústria e não somente a questão rural", diz Marinho. 

Vale lembrar, como mostra a atualização de abril deste ano, do cadastro de empregadores responsabilizados pela submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão, a chamada "Lista Suja" ganhou 10 novos nomes, somando 28 após outros sete deixarem a relação. 

Criada em 2003, a “Lista Suja” foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020 como uma medida de transparência ativa, já que é direito de todo cidadão o acesso à informação e dever dos órgãos públicos a divulgação de informações de interesse coletivo ou geral. 

Publicada semestralmente, a lista tem como objetivo dar transparência aos resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo, que envolvem a atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e, eventualmente, outras forças policiais.

Trabalho decente

Presente em Campo Grande, o ministro Trabalho e Emprego relembra o cenário assumido pelo Governo Federal para a atual gestão, o que ele considera diferente dos problemas enfrentados atualmente. 

"Ruim é se estivesse com o desemprego em alta, como nós assumimos em 23. No primeiro ano de nosso governo, em 2023, o desemprego estava na casa de mais de 15%. Nós conseguimos, com a que o presidente têm do Brasil, primeiro estimular investimento em todo território nacional, não só aquele eixo Rio-São Paulo; Sul... como que o conjunto do território participa do projeto nacional", afirma. 

Justamente entre os resultados concretos dessas mesas nacionais de diálogo, o MTE faz questão de ressaltar os seguintes possíveis frutos: 

  • Fortalecimento do diálogo social tripartite, com reuniões regulares e instalação de mesas setoriais e subsetoriais de diálogo;
  • Aumento da formalização em setores produtivos do meio rural, especialmente onde pactos setoriais já foram firmados;
  • Instalação de grupos de trabalho tripartites, constituídos para estudo das causas da informalidade e sobre saúde e segurança do trabalho no meio rural;
  • Realização de ações de orientação e capacitação sobre legislação e boas práticas trabalhistas.

Em outras palavras, enquanto os pactos formalizam os compromissos públicos, definindo os objetivos e diretrizes com um caráter orientador e programático, as mesas mais especificamente viabilizam as negociações coletivas, além de definir prioridades, metas e monitorar os resultados, transformando os acordos em prática. 

Em sua fala, Luiz Marinho citou até mesmo o presidente norte-americano, Donald Trump, para reforçar que diferente dos Estados Unidos, que segundo o ministro do Trabalho e Emprego da Brasil "está expulsando os imigrantes", as terras tupiniquins estão de braços abertos, já que esses estrangeiros podem ser visualizados como a solução da falta de mão de obra. 

"Isso é fundamental para que a gente possa estabelecer por unidade, isso fez com que vários Estados, como é o caso do Mato Grosso do Sul, explodisse o investimento, atraísse muitos investimentos... resultado das intervenções, marco que se tem do planejamento do País.  

Segundo o ministro, discutir também a pauta ligada aos casos de registro de trabalho análogo à escravidão é considerado igualmente o "coração do pacto", já que esses casos são comumente atrelados ao setor agropecuário 

"Se você, a empresa, tem boas práticas, jamais contratará ou terá algum serviço relacionado a qualquer trabalho forçado, seja a exploração de mão de obra infantil ou análogo à escravidão de homens e mulheres. O pacto é para que nós tenhamos a lógica do trabalho decente. Pressupõe, portanto, que trabalhadores e empregadores tenham uma conversa, um diálogo saudável, a partir das necessidades e diferenças existentes, das contradições que existem entre trabalhador e empregador. Mas essas diferenças se resolvem tranquilamente quando se têm disposição das partes em fazer um processo de negociação maduro", conclui. 

 

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