Governador tem 58% dos votos válidos, enquanto Fábio caiu para 13,78% e os outros ainda não conseguem ameaçar sua reeleição
Sem uma reação dos adversários e mantendo ampla distância na liderança, o governador Eduardo Riedel (PP) caminha para resolver a disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul já no primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro.
A pesquisa solicitada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) divulgada em agosto mostrou Riedel com 44,77% das intenções de voto na estimulada, contra 13,78% do ex-deputado federal Fábio Trad (PT), segundo colocado, ou seja, com 31 pontos porcentuais de vantagem.
Mais importante para a definição da eleição, porém, é a projeção sobre os votos válidos. Retirados brancos, nulos e indecisos, Riedel teria atualmente cerca de 58%, segundo análise do diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa.
O porcentual coloca o governador acima da maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno. Na avaliação de Barbosa, para mudar esse cenário não basta aos adversários permanecerem nos atuais patamares.
A oposição precisaria crescer e, principalmente, retirar votos de Riedel. Até agora, isso não ocorreu em intensidade suficiente.
Fábio Trad, principal adversário do governador, oscilou entre 13,78% e 16,45% nas quatro rodadas consideradas na série histórica do IPR. Em agosto, aparece justamente no menor patamar desse intervalo.
Ao mesmo tempo, nenhum dos demais candidatos consegue ultrapassar a casa dos 8%. Por isso, segundo a análise do IPR, a maior ameaça atualmente à vitória de Riedel no primeiro turno não é uma aproximação de Trad, mas o crescimento conjunto dos candidatos que aparecem mais distantes da liderança.
OS OUTROS
Delcídio do Amaral (PRD), com 7,02%; João Henrique Catan (PL), com 4,85%; Renato Gomes (DC), com 2,68%; Lucien Rezende (PSOL), com 1,91%; Jeferson Bezerra (Agir), com 0,89%; e Daniel Lemes (PCO), também com 0,89%, somam 18,24% das intenções de voto.
Juntos, eles têm 4,46 pontos porcentuais a mais que Fábio Trad. É justamente esse bloco que, na avaliação de Barbosa, pode reduzir a vantagem de Riedel na conta dos votos válidos e forçar uma segunda votação.
A lógica é simples: como o segundo colocado não vem demonstrando crescimento consistente, cada voto retirado de Riedel por um candidato menor também ajuda a aproximar o governador da linha dos 50% dos votos válidos.
Mesmo assim, a fotografia atual ainda aponta vantagem confortável para o governador. Na rodada de junho, Riedel teria aproximadamente 61% dos votos válidos. Agora, essa projeção caiu para cerca de 58%.
Houve redução, mas ele permanece aproximadamente oito pontos acima do porcentual necessário para definir a eleição já no dia 4 de outubro.
PRINCIPAL MUDANÇA
A maior alteração na disputa nas últimas rodadas veio de Delcídio do Amaral.
O ex-senador apareceu em agosto com 7,02% das intenções de voto e assumiu a terceira colocação, superando João Henrique Catan.
A entrada de Delcídio no atual patamar, contudo, não ocorreu pela redução do número de eleitores indecisos ou daqueles que pretendem votar em branco ou nulo.
Esse contingente representava 23,21% em junho e continuou exatamente em 23,21% em agosto. O que houve foi uma redistribuição de votos entre os candidatos.
Riedel passou de 46,81% para 44,77%, queda de 2,04 pontos porcentuais. Trad caiu de 15,31% para 13,78%, recuo de 1,53 ponto porcentual, enquanto Catan despencou de 7,53% para 4,85%, perda de 2,68 pontos porcentuais.
Somadas, as quedas dos três chegam a 6,25 pontos porcentuais, número próximo dos 7,02% alcançados por Delcídio.
A leitura de Aruaque é de que o ex-senador conseguiu atrair votos de diferentes candidaturas, sem provocar, até o momento, uma mudança estrutural na liderança da eleição.
Entre os principais adversários, João Henrique Catan sofreu a maior queda proporcional. O candidato do Novo passou de 7,53% em junho para 4,85% em agosto.
Para Barbosa, a distância entre o desempenho do Novo nas duas disputas sugere que uma parcela significativa do eleitorado de direita sul-mato-grossense já escolheu Riedel para governador.
Parte do eleitorado que ainda permanecia com Catan também teria sido atraída por Delcídio na rodada mais recente.
O resultado contribui para manter fragmentada a oposição ao governador: enquanto o candidato presidencial do PL lidera no Estado, o postulante do partido ao Governo permanece abaixo dos 5%.
Embora tenha alcançado a terceira colocação na pesquisa estimulada, Delcídio apresenta números que indicam que seu eleitorado ainda não está consolidado.
Quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, ele chega a 7,02%. Na pesquisa espontânea, em que o eleitor precisa lembrar sozinho em quem pretende votar, o ex-senador registra somente 0,38%, mesmo porcentual de Catan.
Riedel, por comparação, alcança 16,20% na espontânea. De acordo com Barbosa, essa diferença indica que parte do desempenho de Delcídio está associada ao reconhecimento de seu nome quando apresentado ao eleitor, e não necessariamente a uma decisão de voto já consolidada.
A rejeição também representa uma dificuldade para seu crescimento. Delcídio é rejeitado por 12,37% dos entrevistados, segunda maior taxa entre os candidatos ao Governo. Só Fábio Trad tem porcentual maior, com 17,98%, enquanto Riedel registra rejeição de 6,25%.
TIRAR VOTOS
A matemática da eleição explica por que a falta de reação da oposição favorece diretamente uma vitória de Riedel no primeiro turno.
Para ser eleito governador, o candidato precisa conquistar mais da metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos.
Com cerca de 58% nessa projeção, Riedel poderia perder alguns pontos e ainda permanecer acima da linha necessária para vencer sem segundo turno.
O desafio dos adversários, portanto, não é apenas crescer individualmente, mas reduzir significativamente a participação do governador entre os votos válidos.
Fábio Trad não conseguiu fazer isso até agora. Depois de registrar 14,41% em março, chegou a 16,45% em abril, marcou 15,31% em junho e caiu para 13,78% em agosto.
Riedel, por sua vez, passou de 47,83% em março para 47,32% em abril, 46,81% em junho e 44,77% em agosto. A tendência mostra uma perda gradual do governador, mas sem avanço correspondente do principal adversário.
É justamente por isso que os candidatos menores assumiram importância na disputa. Se continuarem avançando principalmente sobre o eleitorado de Riedel, poderão reduzir os votos válidos do governador para perto de 50%. Se perderem força ou retirarem votos uns dos outros, aumenta a possibilidade de definição no primeiro turno.
* Saiba
As próximas rodadas das pesquisas Correio do Estado-IPR deverão mostrar se a redução gradual de Riedel representa o início de uma mudança capaz de provocar segundo turno ou apenas uma oscilação dentro de um cenário ainda amplamente favorável à reeleição do governador.
O desempenho de Delcídio será uma das principais variáveis, pois, se os 7,02% conquistados pelo ex-senador se consolidarem e ele continuar crescendo sobre eleitores de Riedel, a margem do governador nos votos válidos poderá diminuir.
Se parte desse eleitorado retornar ao governador, migrar para Catan ou simplesmente se redistribuir entre os demais candidatos, o cenário de vitória de Riedel no primeiro turno se fortalece.