Política

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Licença parlamentar de Eduardo Bolsonaro termina neste domingo; entenda o que acontece agora

Pela regra, caso um parlamentar falte mais de um terço das sessões plenárias realizadas num ano, ele pode perder o mandato

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A licença parlamentar do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chega ao fim neste domingo, 20. Sem possibilidade de renovação, as faltas dele voltarão a ser contabilizadas pela Casa após o recesso. Na semana passada, em entrevista à Coluna do Estadão, Eduardo afirmou que, embora lamente, pretende abrir mão do mandato.

Em março, Eduardo solicitou 122 dias de licença - dois por motivos de saúde e 120 por interesse pessoal. Desde então, vive em "autoexílio" nos Estados Unidos, onde tem pressionado o governo americano a impor sanções a autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ofensiva resultou em um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e na revogação do visto de ministros da Corte.

A atuação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos EUA passou a ser alvo de um inquérito que apura suposta coação, obstrução de investigação e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, Eduardo intensificou "condutas ilícitas" após a decisão que impôs medidas restritivas a seu pai, na última sexta.

O afastamento de Eduardo termina neste domingo e o retorno ocorre de forma automática, sem necessidade de aviso à Câmara.

O prazo de 120 dias de licença não remunerada por razão pessoal é o tempo máximo de afastamento, não sendo possível prorrogar esse prazo.

Como o recesso parlamentar já começou, Eduardo não acumula faltas por ora, mas se deixar de registrar presença após a volta dos trabalhos, em 4 de agosto, terá suas ausências contabilizadas.

Pela regra, caso um parlamentar falte mais de um terço das sessões plenárias realizadas num ano, ele pode perder o mandato.

Conforme já mostrou o Estadão, a decisão de decretar a perda do mandato nesse caso é da Mesa Diretora da Câmara, comandada pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

Caso opte por renunciar, Eduardo deverá comunicar a decisão por escrito à Mesa. A renúncia não depende de aprovação dos demais parlamentares, mas só passa a valer após ser lida no expediente ou publicada no Diário da Casa.

Salário, foro no STF: o que Eduardo perde se renunciar

Caso renuncie do mandato de deputado federal, Eduardo abrirá mão de R$ 46.366,19 de salário mensal. Além disso, perderá até R$ 42 837,33 mensais de cota parlamentar, R$ 4.148,80 por mês de auxílio moradia e reembolsos com gastos com saúde que podem chegar a R$ 135,4 mil.

Como parlamentar, ele também dispõe de R$ 133,2 mil mensais para pagar 25 secretários parlamentares, além da prerrogativa de indicar cerca de R$ 37,8 milhões anuais em emendas parlamentares ao Orçamento.

As vantagens vão além do aspecto financeiro. Deputados federais têm imunidade parlamentar, ou seja, não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável e com o aval do plenário da Casa e é inviolável civil ou penalmente por qualquer opinião ou voto.

Também têm direito a foro privilegiado e só podem ser julgados no STF por crimes cometidos no exercício do mandato. Sem esse direito, os processos tramitam na primeira instância do Judiciário.

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Eleições

Relacionamento com a imprensa foi um dos problemas do governo Bolsonaro, diz Flávio

Flávio disse que a imprensa tem um papel importante na sociedade e que o trato com os veículos de comunicação durante o mandato do seu pai foi equivocado

15/06/2026 13h45

Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República

Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República Andressa Anholete/Agência Senado

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O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, reconheceu que a relação do seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro com a imprensa foi um dos problemas da gestão como um todo. Ele acrescentou que pretende mudar essa dinâmica em um eventual mandato na presidência.

"Foi um dos problemas que eu identifico no governo do presidente Bolsonaro. O relacionamento com a imprensa, o preconceito muitas vezes de quem estava gerindo o orçamento para publicidade. Eu pretendo mudar isso. É um aprendizado numa coisa que eu acho que foi feita errada, que podemos fazer muito melhor, e assim será num possível governo meu", frisou.

Flávio disse que a imprensa tem um papel importante na sociedade e que o trato com os veículos de comunicação durante o mandato do seu pai, Jair Bolsonaro, foi equivocado.

"Eu dou um papel importante na imprensa que eu vou sempre respeitar, e sempre aplaudir. E o que depender de mim, vai ter sempre liberdade de imprensa, liberdade de expressão, independente de matérias que estejam construídas contra mim, ainda que acho que sejam injustas", salientou, durante o fórum Rumos do Brasil, organizado pela Veja, em São Paulo.

Na relação com os demais Poderes da República, Flávio disse que, "sem sombra de dúvidas", a relação será institucional. "Vamos respeitar o que está na Constituição, que prevê harmonia e independência entre os Poderes", afirmou.

Flávio ainda reiterou que tem independência e autonomia para fazer "o melhor governo que o Brasil já viu", porque não é investigado em absolutamente nada. "Eu não devo absolutamente nada para ninguém", afirmou.

'Tesouraço geral e suspensão da reforma tributaria por um ano'

O senador e pré-candidato à presidência voltou a afirmar que, caso seja eleito, fará a revogação de normas regulamentadoras, entre elas a reforma tributária.

"Vamos suspender a reforma tributária por pelo menos um ano, porque nós vamos fazer uma reforma tributária que, de verdade, simplifique todo esse aparato que nós temos de tributos do Brasil, mas que seja uma redução de carga tributária", disse durante participação no Veja Fórum.

Ele disse também que vai mudar o artigo legal que obriga o Executivo indicar de onde virá o recurso compensatório sempre que um imposto for reduzido.

"Você, sempre que você reduz um imposto, tem que dizer de onde você vai tirar, porque tem formas de você provar que quando você reduz um imposto de determinado setor, com o passar do tempo, a tendência é que a arrecadação aumente e não reduza como está acontecendo agora. A carga tributária é tão alta e ultrapassou a curva de Laffer há muito tempo", disse, emendando que a consequência vai ser inadimplência, sonegação e redução de arrecadação.

"Então, tendo essa consciência de responsabilidade fiscal e de dar o exemplo para aprovar PEC do fim da reeleição é uma coisa que eu pretendo fazer logo no início do mandato."

Justiça Eleitoral

Rejeição de contas pelo TSE pode provocar vários obstáculos para reeleição de Soraya

Parecer que recomenda devolução de R$ 4,8 milhões deve afetar obtenção da quitação eleitoral para registro de candidatura

15/06/2026 08h00

A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PSB)

A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PSB) Andressa Anholete/Agência Senado

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A possível desaprovação das contas da campanha presidencial de 2022 da senadora Soraya Thronicke (PSB) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode trazer reflexos políticos e jurídicos para eventual tentativa de reeleição da parlamentar no pleito deste ano.

Embora especialistas em Direito Eleitoral ressaltem que a rejeição das contas, por si só, não gera inelegibilidade, a obrigação de devolver recursos públicos utilizados na campanha pode se transformar em um fator de risco para o registro de candidatura da senadora.

O alerta foi feito por integrante da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) e por especialistas em Direito Eleitoral. 

O caso ganhou relevância após um parecer do Ministério Público Eleitoral publicado com exclusividade pelo Correio do Estado na edição do fim de semana recomendar ao TSE a desaprovação das contas da campanha presidencial da parlamentar e a devolução de valores milionários considerados irregulares – R$ 4,8 milhões.

A vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MS, Andressa Nayara Basmage, destacou que a legislação e a jurisprudência eleitoral são claras ao estabelecer que a desaprovação das contas não impede automaticamente uma futura candidatura.

Segundo Andressa, a eventual rejeição das contas não afeta a capacidade eleitoral passiva da senadora nem impede, por si só, o registro de candidatura.

“A decisão final, entretanto, ainda depende de julgamento do TSE, que analisará o parecer do Ministério Público e toda a documentação”, disse.

Apesar disso, o advogado eleitoralista Valeriano Fontoura avaliou que o processo contém pontos considerados relevantes para a análise das contas.

“Entre eles estão questionamentos sobre movimentações financeiras apontadas em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que ainda aguardam definição sobre eventual acesso da Procuradoria aos documentos, além de falhas no cumprimento do prazo legal para informar recursos recebidos pela campanha”, enumerou. 

Outro aspecto considerado sensível pelo jurista envolve despesas relacionadas à produção e veiculação de programas de rádio e televisão.

“Conforme o parecer técnico do Ministério Público Eleitoral, não teria sido comprovada de forma suficiente a efetiva prestação de parte dos serviços contratados, situação que motivou a recomendação de devolução dos recursos públicos usados nos pagamentos”, ressaltou.

Ele explicou ainda que, caso o plenário do TSE acompanhe o parecer do Ministério Público Eleitoral e determine o ressarcimento dos valores, a principal consequência imediata será financeira. No entanto, alertou para um cenário que poderia afetar a candidatura dela.

De acordo com o especialista, após o trânsito em julgado da decisão, a eventual dívida com a Justiça Eleitoral precisaria ser quitada ou parcelada. Se isso não ocorrer, a senadora poderá enfrentar dificuldades para obter a certidão de quitação eleitoral, documento obrigatório para o registro de candidatura.

“A rejeição das contas não gera inelegibilidade. A inelegibilidade ocorre quando não há prestação de contas. Mas, se houver determinação de devolução de recursos e a dívida permanecer pendente, pode ter impedimento à emissão da certidão de quitação eleitoral, requisito indispensável ao registro de candidatura”, falou.

Dessa forma, o maior risco para uma eventual campanha de reeleição não estaria diretamente na desaprovação das contas, mas nas consequências decorrentes de eventual condenação ao ressarcimento dos recursos apontados como irregulares. 

Caso a obrigação financeira seja confirmada e não haja regularizada dentro das exigências da Justiça Eleitoral, a situação poderá se transformar em um obstáculo jurídico à participação da parlamentar nesta eleição.

Enquanto isso, o processo segue em tramitação no TSE, que deverá decidir se acolhe ou não o parecer do Ministério Público Eleitoral e as conclusões da área técnica responsável pela análise das contas da campanha presidencial de 2022.

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