Cidades

pavimentação da MS-134

Estado oficializa contratação da 2ª colocada em licitação de R$ 96 milhões

A primeira colocada foi desclassificada pela Agesul porque ofereceu desconto muito alto sobre o valor máximo estipulado pelo Governo

Continue lendo...

Edição extra do diário oficial do governo de Mato Grosso do Sul publicada na tarde desta sexta-feira (22) oficializou a contratação da empreiteira goiana Caiapó para a obra de pavimentação de 23 quilômetros da MS-134. Ela havia ficado em segundo lugar na licitação, atrás da empreiteira capixaba Contek. 

O valor máximo estipulado no edital para asfaltar o primeiro trecho da rodovia que liga o distrito de Casa Verde (município de Nova Andradina) à MS-040 (rodovia que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo), era R$ 101,97 milhões. Mas, a empreiteira capixaba acabou desbancando a Caiapó e se ofereceu para fazer a obra por R$ 96,062 milhões.

A segunda colocada, após uma série de 21 lances apresentados em 16 de dezembro do ano passado, abandonou a disputa após apresentar a proposta de R$ 96,317 milhões, uma diferença a maior de R$ 255 mil. 

Em março deste ano, porém, técnicos da Agesul entenderam que a Contek ofereceu descontos acima do permitido e desclassificaram a empresa porque ela supostamente não atendeu aos  "requisitos do Edital, conforme detalhado no parecer técnico".

Entre estes requisitos, conforme a Agesul, está o fato de a Contek ter informado que utilizaria areia, pedrisco e brita, entre outros produtos, com valores de até 38% abaixo do valor máximo estipulado no edital. E este edital prevê que nenum item poderia ter redução superior a 25%, sob pena de prejudicar os concorrentes. Ou seja, a primeira colocada foi desclassificada porque ofereceu desconto muito alto. 

"No caso em análise, a estratégia principal da proponente para reduzir o valor global da proposta reside na adoção de parâmetros logísticos diferenciados (DMT inferior à prevista) e fornecedor alternativo. A
vantajosidade da contratação não se restringe ao menor valor ofertado, devendo ser avaliada à luz da exequibilidade e da consistência das premissas adotadas na planilha, sob pena de comprometer a segurança da execução contratual", diz trecho do parecer que recomendou a desclassificação da Contek.

Por conta desta desclassificação, a Construtora Caiapó foi chamada e nesta sexta-feira foi publicada a assinatura do contrato. Ela terá 720 dias para concluir a obra. O prazo começa a se contabilizado a partir da assinatura da ordem de serviço. 

Mas, apesar da desclassificação da primeira colocada, ainda assim a licitação teve deságio  da ordem de 5,5%, percentual bem superior à média das obras de pavimentação lançadas pela Agesul nos dois últimos anos e bancadas com o paconte de R$ 2,3 bilhões de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Em média, o desconto nestas licitações foi da ordem de 1% sobre o valor máximo definido no edital. A maior delas, a pavimentação de 63 quilômetros da MS-320, entre Inocência e Três Lagoas, foi contratada com deságio zero, por  R$ 276.169.461,16. 

OUTROS CONTRATOS

Ao contrário da Contek, que supostamente havia vencido sua primeira licitação em Mato Grosso do Sul, a Construtora Caiapó, que  foi derrotada em campo e venceu no tapetão, é velha conhecida nos projetos de engenharia em Mato Grosso do Sul. 

Ela particiou em cerca de 15 licitação do pacote de obras do BNDES, mas não havia vencido nenhuma, pois nem chegava a entrar na disputa de preços. Mas, neste período foi declarada vencedora da licitação que concedeu à iniciativa privada 870 quilômetros de rodovias pelos próximo 30 anos na chamada Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul. (BR-262, BR-267 e MS-040).

A Caiapó é acionista minoritária do consórcio Caminhos da Celulose, que desde janeiro é responsável pela manutenção das rodovias e que no começo do próximo ano deve começar a cobrar pedágio. Uma delas é a MS-040,  na região onde agora ela vai pavimentar os 23 kmda MS-134.

Inicialmente, conforme leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) em 8 de maio do ano passado, o consórcio liderado pela XP Investimentos e integrado por uma série de construtoras havia ficado em segundo lugar, pois ofereceu deságio de 8% sobre o valor máximo da tarifa de pedágio. O vencedor havia ofertado desconto de 9%. 

Porém, depois que a empresa K-Infra, uma das integrantes do primeiro colocado, perdeu a concessão de BR-393, no Rio de janeiro, o Governo do Estado atendeu a pedido  do segundo colocado, desclassificou o consórcio e acabou assinando contrato com a Caiapó e demais empresas.

Conforme o edital, a empresa vencedora tetá de fazer 115 km em duplicações, 245 km em terceiras faixas, 12 km de marginais, implantação de 38 km em contornos em três cidades. A malha passará ainda a ter 100% de acostamento, o que representa mais de 450 quilômetros. 

Além de vencer o leilão da privatização das rodovias, um negócio superior a R$ 10 bilhões, a Caiapó é responsável pela pavimentação da BR-419, entre Rio Verde de Mato Grosso e Aquidauana, e integra o consórcio que está implantando os 13 quilômetros da alça de acesso da BR-267 à ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho. 

Somente por esta obra da rota bioceânica vai faturar R$ 472 milhões, sem contabilizar os tradicionais aditivos, que normalmente acrescentam 25% ao preço original.  


 

Saneamento

MS chega a 80% de cobertura de esgoto e pode antecipar meta nacional

36 dos 68 municípios atendidos pela Sanesul já alcançaram a universalização

15/09/2026 16h00

Reprodução/Sanesul

Continue Lendo...

Mato Grosso do Sul chegou a 80,36% de cobertura de esgotamento sanitário nos 68 municípios atendidos pela Sanesul e avança para atingir antes de 2033 a meta prevista no Novo Marco Legal do Saneamento. Atualmente, 36 dessas cidades já são consideradas universalizadas, enquanto outras registram cobertura próxima de 100%.

A legislação nacional estabelece que, até 2033, 90% da população brasileira tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. Em Mato Grosso do Sul, a expansão da rede ocorre por meio dos investimentos da Sanesul e da parceria com a Ambiental MS Pantanal, responsável pela operação da concessão em parte do sistema.

O abastecimento de água tratada já alcança 100% da população nos 68 municípios atendidos pela Sanesul, segundo os dados apresentados pela empresa.

Entre as cidades que chegaram a 99% de cobertura estão Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Caracol, Japorã, Laguna Carapã, Paranhos, Ponta Porã, Anaurilândia, Jateí, Inocência e Paranaíba.

Outros municípios também se aproximam da universalização. Aral Moreira tem 98,92% de cobertura; Bonito, 98,76%; Batayporã, 97,92%; Antônio João, 97,52%; Itaquiraí, 97,46%; Dois Irmãos do Buriti, 97,16%; Chapadão do Sul, 96,86%; Angélica, 96,52%; Tacuru, 96,21%; Figueirão, 95,12%; e Ivinhema, 94,88%.

Um dos maiores avanços ocorreu em Itaquiraí, onde a cobertura de esgoto passou de zero para 97,46%. O sistema recebeu R$ 59,2 milhões em investimentos específicos para o esgotamento sanitário. Considerando também obras de infraestrutura e melhorias no abastecimento de água, o volume aplicado no município chega a R$ 66 milhões.

A nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi projetada para atender ao crescimento da cidade e conta com estrutura para controle de odores e tratamento dos resíduos gerados no processo.

O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, afirma que a expansão ocorre de forma gradual nos municípios atendidos pela empresa. “Estamos avançando município por município, com investimentos que permitem ampliar a cobertura e antecipar uma meta que o Brasil estabeleceu para 2033. O compromisso da Sanesul é transformar esses investimentos em qualidade de vida para a população”, disse.

Levantamento 

Além da ampliação da infraestrutura, os investimentos em saneamento têm impacto econômico. Estudo do Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a Ex Ante Consultoria, estima que Mato Grosso do Sul poderá acumular R$ 25,9 bilhões em benefícios líquidos até 2040 com a expansão dos serviços.

O cálculo considera efeitos em diferentes áreas, como saúde, produtividade, turismo e valorização imobiliária. Entre 2025 e 2040, a projeção aponta R$ 14,8 bilhões em ganhos de produtividade, R$ 2,25 bilhões relacionados ao turismo e R$ 1,7 bilhão em valorização imobiliária. Na saúde, a estimativa é de R$ 258,8 milhões em economia no período.

Segundo o ITB, cada R$ 1 investido em saneamento no Estado pode resultar em R$ 5,90 em ganhos sociais.

A presidente-executiva do instituto, Luana Pretto, afirma que a expansão da rede já produziu efeitos econômicos relevantes. Segundo ela, a evolução do saneamento em Mato Grosso do Sul gerou quase R$ 20 bilhões em ganhos nas últimas décadas.

Média nacional

O avanço de Mato Grosso do Sul ocorre em um cenário em que cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, segundo dados do Instituto Trata Brasil apresentados no material.

Entre 2000 e 2022, mais de 1 milhão de pessoas passaram a ter acesso à coleta de esgoto no Estado. No mesmo período, cerca de 870 mil foram incorporadas ao atendimento com água tratada.

A ampliação da rede também reduz a quantidade de esgoto lançado sem tratamento nos corpos hídricos, com reflexos ambientais para rios e áreas como o Pantanal.

 

Desdobramento

Após interdição, Defensoria obtém decisão judicial contra clínica em Três Lagoas

Unidade já havia sido interditada pela Vigilância Sanitária após fiscalização noticiada pelo Correio do Estado

15/09/2026 15h30

Vitor Ilis/Defensoria Pública/MS

Continue Lendo...

A Estância Terapêutica Efésios 6, em Três Lagoas, voltou a ser alvo de medidas após a fiscalização realizada pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. A unidade, que já havia sido interditada administrativamente pela Vigilância Sanitária após uma inspeção noticiada pelo Correio do Estado na semana passada, agora foi alvo de uma ação civil pública que resultou em uma decisão judicial com novas restrições para o funcionamento do local.

A fiscalização ocorreu nos dias 9 e 10 de setembro, coordenada pela Defensoria Pública por meio do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) e do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh). A ação também contou com Auditoria Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, Vigilâncias Sanitárias Estadual e Municipal e Conselho Regional de Farmácia.

Na inspeção, a Defensoria identificou relatos e situações relacionadas à restrição da liberdade dos internos, contenção química e falta de atendimento médico adequado. Segundo o órgão, havia 42 pessoas na unidade, que funcionava sem autorização sanitária para atuar como clínica especializada.

“Há uma série de irregularidades como contenção química, pacientes dopados, sem suporte de vida, sem cuidado adequado, sem cuidado médico e um tratamento completamente desvirtuado do que deveria ser praticado”, afirmou a defensora Eni Maria Sezerino Diniz.

Justiça impede novas internações

A partir das irregularidades encontradas, a Defensoria ingressou com uma ação civil pública e obteve uma liminar contra a Estância Terapêutica Efésios 6.

A decisão determina que a unidade não receba novos moradores e proíbe a transferência de internos sem autorização judicial. Caso alguém seja retirado do local sem autorização, foi estabelecida multa de R$ 20 mil por pessoa.

A decisão também garante aos adultos que não possuem ordem de internação o direito de deixar a unidade voluntariamente, além do acesso aos próprios documentos e pertences. Em caso de descumprimento das determinações, a multa diária é de R$ 10 mil.

Segundo a Defensoria, os moradores deverão ser direcionados para serviços de saúde adequados, enquanto o Município foi acionado para organizar, por meio da assistência social, o contato com familiares e a saída daqueles que permanecerem no local.

“Aliás, vale dizer que pessoas com morbidades e doenças graves não deveriam estar em local sem o cuidado de que precisam”, afirmou a defensora Thaisa Raquel Medeiros de Albuquerque Defante.

A operação também alcançou outra comunidade terapêutica de Três Lagoas, onde estavam 15 internos. O local foi interditado pela Vigilância Sanitária por não possuir autorização sanitária e apresentar problemas relacionados às condições básicas de higiene.

Durante a fiscalização, a Auditoria Fiscal do Trabalho também identificou intermediação ilícita de mão de obra e retenção de 50% da remuneração recebida por internos que trabalhavam para terceiros. Segundo a Defensoria, a situação apresentou indícios do crime de redução à condição análoga à de escravo. O trabalho foi interrompido e determinada a restituição dos valores.

Uma terceira comunidade vistoriada apresentou irregularidades consideradas passíveis de correção e recebeu recomendação da Defensoria para adequações.

Para a Defensoria, a fiscalização também identificou problemas relacionados à liberdade religiosa. O órgão ressaltou que comunidades terapêuticas não podem impor determinada religião como condição para o tratamento ou impedir o acesso a medicamentos sob a justificativa de que a fé seria suficiente para a recuperação.

“É importante ter em mente que um local que se propõe ao tratamento e recebimento de pessoas não pode impor religião, uma vez que toda pessoa é livre no seu pensamento, nas suas crenças ou não crenças”, afirmou Thaisa.

A saída dos internos deverá ser acompanhada pelo poder público, com articulação entre assistência social, famílias e serviços de saúde. Segundo a defensora, a medida é necessária para evitar que pessoas em situação de vulnerabilidade deixem a unidade sem qualquer retaguarda.

“O acionamento do Município para, por meio da assistência social, coordenar e organizar a saída, o retorno e o contato com as famílias, daqueles que ainda permanecerem, foi realizado judicialmente”, disse.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).