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CULTURA

Artistas do Reggae realizam sessão do documentário inédito "Marley"

Celebrando a participação da banda Canaroots no projeto MS ao Vivo, em 21/4, e a criação do Dia Municipal do Reggae, artistas e militantes do gênero musical realizam sessão do documentário inédito "Marley", sobre o ícone jamaicano

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“Bom diaaa, reggaeiros. Alguém sabe do resultado do Som da Concha??”. Era a cantora LariS, atual vocalista da banda Canaroots, na manhã de ontem, perguntando assim mesmo, com vários A e interrogações de sobra – ela que, sim, usa o S maiúsculo em sua assinatura artística.

Apesar de ter ocorrido adiamento no prazo para as inscrições de projetos de edital do governo do Estado que contrata atrações musicais para ocupar a Concha Acústica Helena Meirelles, não estava prevista mudança na data do resultado (26/4) no novo calendário.

Em outra ponta do front, Diego Manciba, presidente da Associação Reggae de Mato Grosso do Sul (ARMS), aguardava também para o dia de ontem a confirmação da pauta no Armazém Cultural para 11/5, data de falecimento do jamaicano Bob Marley (1945-1981).

É uma tradição na comunidade reggae, dentro e fora do Brasil, marcar tanto o dia de nascimento (6/2) quanto o de morte daquele que permanece como o maior nome do gênero musical fortemente associado à identidade da Jamaica.

A ideia é promover no Armazém Cultural um tributo ao artista com muita música e outras atividades na programação. Mas a ARMS já confirmou uma sessão especial do documentário “Marley” (2012) para o dia 8/5, a partir das 20h, com entrada franca, em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS).

Inédito nos cinemas brasileiros, o filme do diretor escocês Kevin Macdonald chegou no País e em toda a América do Sul diretamente no formato DVD.

Com o depoimento de mais de 40 personagens, entre familiares, músicos e amigos, “Marley” é considerado por muita gente especializada na trajetória do artista – e pela própria cultura reggae – como a mais importante produção a tratar da vida, da música e da militância do ídolo maior desse estilo, cuja sonoridade mais moderna e mais conhecida pelo público em geral foi forjada na ponte das raízes jamaicanas com a ebulição musical britânica dos anos 1970.

Mais tarde, o vereador Beto Avelar (PP) finalmente divulgava em suas redes sociais, após a assinatura da prefeita Adriane Lopes, a instituição do Dia Municipal do Reggae em Campo Grande, publicada no Diário Oficial ontem, “em homenagem a Lincoln Gouveia [1983-2021], ex-vocalista da banda Canaroots e ícone da cena musical. A data escolhida, 17/6, (dia do falecimento do músico) é um tributo ao legado artístico de Gouveia e sua contribuição para a cultura reggae”.

A proposição foi encaminhada ao plenário por iniciativa da ARMS.

“Nosso mandato apresentou [o projeto de lei] na Câmara Municipal [de Campo Grande] com a finalidade de celebrar a música, a conscientização, a busca pela paz e a união que o reggae representa”, afirmou o vereador ontem, em uma postagem em seu perfil no Instagram.

“A iniciativa homenageia Lincoln Gouveia e também busca fortalecer a produção musical local e promover eventos culturais relacionados ao reggae”, disse.

UMA NOITE PARA LEMBRAR

Em meio ao corre permanente, tão comum nos nichos da produção cultural independente, a celebração da comunidade reggae local vem no fluxo de uma apresentação já considerada histórica da Canaroots no dia 21/4, pela programação do projeto MS ao Vivo.

Na ocasião, um público estimado em 10 mil pessoas ocupou o Parque das Nações Indígenas naquele domingo e fez uma festa que já está na categoria de antológica na memória de muita gente.

Sim, a maioria ali estava para curtir o Falamansa, que não deixou de mandar bem o seu recado, pontuando seu repertório autoral com clássicos de Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Fausto Nilo.

Mas o pátio e o gramado do parque já estavam preenchidos com mais da metade do público que acompanhou o grupo paulistano de forró quando a banda de reggae adentrou no palco para o show de abertura – “Canaroots Convida” – poucos minutos após as 18h.

A apresentação contou com a participação especial do reggaeman Sandim e da banda Louva Dub, que esteve na ativa de 2007 a 2014 e que voltou à cena no ano passado. Aliás, Sandim faz uma performance gratuitamente amanhã, a partir das 18h30min, no Shopping Campo Grande.

No setlist da Canaroots, “Jah no Comando”, “Há Uma Revolução”, “No Final Todo Mundo É Igual”, “Na Medida Certa”, entre outras canções autorais, além de dois clássicos jamaicanos – “Freedom Sound” (Skatalites) e “Jamming” (Bob Marley & The Wailers) – que marcaram a abertura e o encerramento de um show vigoroso e envolvente. Parafraseando uma das canções apresentadas (“A Natureza Chova”), a performance parece ter contado com as benesses de São Pedro. Quando a banda se despediu, caiu o maior toró.

FLAGMAN

Agora, com a palavra, alguns dos protagonistas da performance, a exemplo do flagman Gustavo Jordão:

“Eu sou o portador da bandeira, tá ligado? É isso o que significa flagman”.

“Ele transmite a mensagem por meio da bandeira. Uma cultura extremamente de resistência, preta, da África, sobre o rasta. Então, mano, a gente tenta transmitir essa essência do reggae. Eu, pelo menos, tenho essa fita e tento conciliar com a dança também, para não ser só uma forma de ficar flutuando ali no ar”, diz o reggaeman.

“E a experiência no show de domingo foi [algo] enérgico, cara. Foi muito lindo, muito forte. Fiquei em transcendência. Foi lindo demais ter a galera dançando no palco e eu lá com a bandeira, sabe? É uma força, assim, que não tem como explicar. É muito forte, mano. É muito massa também. E já quero mais. Muito massa”, afirma Gustavo.

A bandeira em questão repete as faixas cromáticas – verde, dourado e vermelho – da bandeira da Etiópia, reforçando a identificação da causa reggae com o afrocentrismo e com o imperador Hailé Selassié.

LAUREN E LARIS

“Fico muito feliz por esse momento. Lá atrás era só eu na cena. Hoje, ver tantas mulheres envolvidas dá muito orgulho, além de que fortalece todo o movimento”, celebra Lauren Cury, vocalista da Louva Dub.

“Precisamos de mais mulheres na música. Precisamos desse espaço. Além desse poder de fala feminino, que é importante, inspiramos outras mulheres a acreditarem que é possível fazer música aqui. É uma resistência em que o mercado é fortalecido por homens, mas essa é a luta”, diz a cantora.

“Ainda estou tentando entender tudo que vivemos. Reverberando tudo ainda, mas o sentimento é de vitória, 
de ver nosso trabalho valorizado, ganhando espaço e visibilidade na nossa própria casa, conseguir manter o legado tão necessário do Lincoln”, assegura LariS, da Canaroots.

“Sensação de que nosso trabalho não é em vão e de ter a oportunidade de mostrar o profissionalismo da cena reggae, que tem trabalhado muito para conquistar esses espaços. Sensação de missão cumprida. Orgulho e gratidão são o que mais define”, afirma.

DANIEL E DIEGO

“Foi incrível ver tantas pessoas, das mais diversas idades e das diversas regiões de Campo Grande, em um único lugar celebrando a música reggae autoral feita aqui. É para isso que a gente trabalha tanto por essa música. Levar a mensagem em um sentimento bom para todas as pessoas”, emenda o baixista da banda, Daniel Jah Rebel.

“Apresentações como essa ajudam a mostrar que o reggae pode sim ocupar os grandes palcos em produções como o MS ao Vivo. Temos músicos e artistas extremamente talentosos. A banda Canaroots e seus convidados aproveitaram bem a chance e fizeram uma ótima apresentação naquele domingo. Esperamos ver cada vez mais artistas locais assumindo um lugar de protagonismo nos eventos produzidos pelo poder público”, reforça Diego Manciba, o qual, além de presidir a ARMS, também atua como DJ.

RASDAIR

“Foi uma verdadeira adoração a Jah, e a multidão marcou presença, dançou e curtiu com as vibrações positivas da música reggae. O show foi em homenagem ao Lincoln Gouveia, compositor, vocalista e fundador da banda Canarrots, um dos idealizadores da Associação Reggae de Mato Grosso do Sul. Com sua passagem prematura para Zion, o reggaeman não pôde estar presente fisicamente para ver a concretização de seu sonho. Foi bonito demais”, pontua o veterano Rasdair Damata, que há 25 anos apresenta programas de reggae no rádio.

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DIÁLOGO

A invasão de fazenda em Sidrolândia ganhou ingrediente inesperado...Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta terça-feira (30)

30/06/2026 00h01

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Zíbia Gasparetto - escritora brasileira

"Você está onde se põe. É a lei da vida. Se você se colocar em um lugar melhor, sua vida mudará e coisas boas começarão a acontecer. A escolha está em suas mãos”.

 

Felpuda

A invasão de fazenda em Sidrolândia ganhou ingrediente inesperado no debate político: uma nova classificação ideológica. Parlamentares petistas da Assembleia de MS trataram os invasores como “indígenas da extrema-direita”. A criatividade não parou por aí. A tese é de que a invasão teria sido planejada para desgastar a imagem de Lula. Ou seja: além de enfrentar conflitos por terra, agora os indígenas também teriam se transformado em estrategistas da guerra política nacional. Vendo tamanho esforço mental, parlamentar disparou: “Quando a realidade não ajuda, a imaginação resolve”. Só!

Aquém...

A senadora Soraya Thronicke, eleita pela direita e hoje em sintonia com a esquerda de olho na reeleição, alcançou um resultado nada animador em Maracaju: apareceu com 0% das intenções de voto.

Mais

O contraste aumenta porque seu principal adversário, o ex-governador Reinaldo Azambuja, lidera com folga 
em pesquisa contratada pelo Correio do Estado.

DiálogoFOTO: LUCAS MENESES/ASCOM SETUR

O Projeto Corais de Alagoas já alcançou a marca de 500 corais cultivados no litoral daquele Estado. Desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas, a iniciativa mantém cinco mesas instaladas no fundo do mar da Ponta Verde, que funcionam como berçários para reprodução e crescimento das colônias. A próxima etapa prevê o replantio de recifes degradados. Patrocinado pela Secretaria de Turismo de Alagoas (Setur), o projeto monitora áreas em quatro municípios alagoanos para acompanhar a saúde dos recifes após o aumento da temperatura do mar e o consequente branqueamento dos corais. Os exemplares cultivados recebem acompanhamento permanente de pesquisadores.

DiálogoHugo Hilgert e Saviany Monteiro - Foto: ARQUIVO PESSOAL

 

DiálogoDra. Mariana Rios - Foto: Arquivo Pessoal

Colateral

Na tentativa de transformar a ausência do governador Riedel em protagonista da visita de Lula a MS, Fábio Trad acabou produzindo um efeito colateral: falou mais de quem não foi do que de quem esteve. Nas rodas políticas, a conclusão foi imediata: está na hora de trocar o marqueteiro. Afinal, quando o maior destaque de um evento é um convidado ausente, alguma coisa saiu do roteiro. Quem queria desgastar Riedel acabou enchendo sua bola.

Palanque

A tese de que o governador Riedel deveria comparecer por se tratar da visita de um presidente da República virou motivo de chacota. Fábio Trad esqueceu detalhe básico: o vice-governador Barbosinha estava lá, representando o Executivo exatamente como manda a Constituição. Além do mais, Lula cumpria uma agenda de evidente conteúdo eleitoral. Esperar que Riedel dividisse o palanque e ainda cedesse imagens para as redes do adversário é ingenuidade.

Lembrada

A Câmara de Campo Grande devetá aprovar nesta terça-feira (30) a denominação da Praça Clotilde Faustino Limeira, no Residencial Betaville. A iniciativa do vereador Júnior Coringa presta homenagem a uma personagem conhecida da comunidade, que por muitos anos vendeu pipoca nas proximidades da antiga rodoviária e da Igreja Perpétuo Socorro. Em tempos de tantas homenagens a quem poucos conhecem, o reconhecimento a alguém que marcou o cotidiano do bairro parece fazer mais sentido.

Aniversariantes

  • Flávia Buainain Thomazi,
  • Ronald Kanashiro de Alem,
  • Noemi Mendes Siqueira Ferrigolo,
  • Maurício Regis Wanderley,
  • Tânia Regina Comerlato,
  • Dr. Carlos Garcia de Queiroz Filho, 
  • Murilo Godoy,
  • Jonas Kalife, 
  • Djenane Comparin Silva,
  • Lucio Cariaga,
  • Dr. Leocindo Batista da Rosa, 
  • Dra. Ida Bataglin Marques,
  • João Paulo Nadai,
  • João Luiz Marino,
  • Ricardo Nakao,
  • Valfrido da Silva Melo,
  • Dr. Milton Ossamu Mori,
  • Cicero Nogueira da Silva,
  • Paolla Cardoso,
  • Morgana Aparecida Miranda dos Santos, 
  • Victória Steimer,
  • Wanderley Barbosa Alce,
  • Mauricio de Barros Costa Marques Bumlai, 
  • Júlio César Komiyama,
  • Denise Ferreira de Macedo Abrão,
  • Nádia Ayume Arakaki,
  • Maria Aparecida Barbosa de Lima,
  • Miguel Seba Neto,
  • Guilherme Moreira Só Victório,
  • Fernando Henrique Martins de Paiva,
  • Maria Rita Ribeiro da Silva,
  • Regi da Silva,
  • Flavio Franca dos Santos,
  • Rogerio Rodrigues Rosalin,
  • Aparecida de Oliveira Félix Ferreira,
  • Gustavo da Costa Marques,
  • Jaqueline Miriam Dolenkei,
  • Sérgio da Cunha Castro Junior,
  • Perci Antonio Centenaro,
  • Waldir Marques Claro,
  • Ricardo Antônio de Lemos,
  • Anderson Wesley de Souza Dias,
  • Yeiki Yamazato,
  • Vanessa Tramontini Maiolino,
  • Dra. Mercedes Rocha, 
  • Fumiko Sokem,
  • Francisco José Ferreira,
  • Elizandra Barbosa Spence,
  • Fernando Augusto da Cruz Martins,
  • Márcia Alexandre de Oliveira Garrido,
  • Maria Cláudia Nunes Maia,
  • Alfredo Reis de Macedo,
  • Thiago Mário Vieira,
  • Paulo Jorge Alencar,
  • Inácio de Souza Mattos,
  • José Inácio Moreira da Silva,
  • Waldemar Maia,
  • Lúcia Helena Ziliotto,
  • Carlos Medina Vilalba,
  • Marco Antônio Benincasa Zenaro,
  • Dr. Renato Loureiro, 
  • Wanderley França,
  • Maria Rosa Teles da Silveira Runte,
  • Olivério Guilherme da Silva,
  • Hélio Coelho Cardoso,
  • Vanessa Elkhoury Rezende, 
  • José Bruno Franco Teixeira,
  • Elizeth Alves Dias,
  • Catarino de Pinho,
  • Diva Rocha Espíndola,
  • Flávia Correa Paes,
  • Adriana Ferreira dos Santos,
  • Edna Nakasone,
  • Jiskia Sandri Trentin,
  • Sônia da Silva Oshiro,
  • Ricardo Oliveira Zwarg,
  • Alexandre Jenson Lins,
  • Márcio Roberto dos Santos,
  • Dulce Elena Cavalli Pereira,
  • Agostinho Ferreira Cação,
  • Genésio Ferreira Lima,
  • Edir Aparecida Ferreira Gomes,
  • Pollyana Rodrigues de Freitas,
  • Alex Pereira de Oliveira,
  • Ilda de Oliveira Caetano Martins da Rocha,
  • Gizelli Karol Both Palermo,
  • Adriana Bordim Molina,
  • Joice Stein,   
  • Antonio Celso Galhardi,
  • Josyane Castello Biassi,
  • Edimara Inez Martelli Woehl,
  • Lidiane Cristina Cornaccini Sallesse Lorenzoni,
  • Patrícia Elias Cozzolino,
  • Jean dos Santos,
  • Lúcio Ribeiro de Sousa,
  • Elaine Mara de Brito Gois e Silva,
  • Willian Afonso de Almeida,
  • Mônica Nunes da Silva,                 
  • Alexsandra Vera Penha, 
  • Maria Rosaria de Carvalho Magalhães,
  • Raquel da Silva Oliveira,    
  • Leyse Mara Toscano Lopes,
  • Isaura de Oliveira Pereira,
  • Pedro Rosa,
  • Aline Castilho Guimarães.

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Preservação histórica

Artista lança em julho cartilha ilustrada sobre complexo ferroviário de Campo Grande

Projeto Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário será lançado no Casarão Thomé com exposição, teatro, música e palestra sobre preservação do patrimônio histórico

29/06/2026 08h30

Projeto iniciado em 2024, Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário ganha segunda etapa com foco na história das ferrovias em Mato Grosso do Sul

Projeto iniciado em 2024, Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário ganha segunda etapa com foco na história das ferrovias em Mato Grosso do Sul Dafne Alana

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Os trilhos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) não apenas transportaram passageiros e mercadorias. Eles ajudaram a desenhar o mapa de Campo Grande e influenciaram diretamente a formação econômica, social e cultural de Mato Grosso do Sul.

Mais de um século depois, parte dessa história permanece de pé em estações, casas ferroviárias e construções históricas espalhadas pela Capital, enquanto outras sucumbem lentamente ao abandono e à ação do tempo.

É justamente para impedir que essas memórias desapareçam que nasce a segunda edição do projeto Resquícios do Tempo, da artista visual Sara Welter, conhecida artisticamente como Syunoi.

A nova cartilha ilustrada, intitulada Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário, será lançada no dia 3 de julho, a partir das 17h, no Casarão Thomé, em Campo Grande, durante um evento gratuito que reunirá pesquisa histórica, artes visuais, teatro, música e debates sobre preservação patrimonial.

Além do caráter educativo, a publicação propõe um novo olhar sobre a ferrovia que impulsionou o crescimento da cidade e transformou a região em um importante polo de desenvolvimento.

Projeto iniciado em 2024, Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário ganha segunda etapa com foco na história das ferrovias em Mato Grosso do SulDesenhos de nanquim e carvão ajudam a transmitir o desgaste sofrido pelos locais históricos de Campo Grande
Foto: Dafne Alana

ARTE QUE PRESERVA

A origem do projeto remonta à pandemia, quando Sara iniciou uma pesquisa independente sobre prédios históricos e abandonados de Campo Grande.

A curiosidade em entender a história desses lugares, muitas vezes ignorados por quem passa diariamente por eles, resultou em uma série de desenhos produzidos em nanquim e carvão.

Foi essa coleção artística que deu origem, em 2024, à primeira cartilha Resquícios do Tempo: Redescobrindo Campo Grande, distribuída gratuitamente em escolas, bibliotecas e espaços culturais da cidade.

“A ideia surgiu primeiro pelos desenhos. Eu queria entender o que eram aqueles lugares que estavam no cotidiano da cidade e passavam despercebidos pela maioria das pessoas. Alguns estavam abandonados. Os desenhos foram uma forma de guardar esses espaços na memória e manter essas histórias vivas”, explica a artista.

Ela lembra que um dos casarões retratados na primeira edição desabou poucos meses após o lançamento da cartilha.

“Hoje só restaram os desenhos e as fotografias daquele lugar. Isso mostra como a arte também pode ser uma forma de preservação”, afirma.

Ao todo, cerca de 2.500 exemplares da primeira edição, incluindo versões em braille, foram distribuídos gratuitamente.

TRILHOS DE CG

Se na primeira edição o foco estava em patrimônios históricos diversos da Capital, desta vez a pesquisa voltou-se exclusivamente ao Complexo Ferroviário da antiga NOB, conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Segundo Sara, a escolha do tema nasceu da importância que a ferrovia possui para a história do Estado.

“Desde criança eu ouvia falar dos trens cruzando o Pantanal, das pessoas que chegaram aqui de trem. Sempre tive curiosidade de entender melhor essa história. Depois de conversar com pesquisadores e pessoas que trabalham com patrimônio, percebi que era necessário fazer uma pesquisa mais profunda”, conta a artista.

Durante meses, ela mergulhou em documentos, bibliografias, entrevistas e visitas aos locais históricos ao lado da arquiteta Bruna Costa Dias, integrante da equipe do Iphan em Mato Grosso do Sul.

Enquanto Bruna ficou responsável pelo levantamento técnico e histórico, Sara percorreu os espaços retratados, registrando detalhes arquitetônicos, fotografando edificações e ouvindo relatos de moradores.

O resultado é uma cartilha que reúne informações sobre 12 patrimônios ligados à ferrovia, entre eles a Estação Ferroviária, o Casarão Thomé, a Casa da Chefia, a Casa dos Empregados, a Caixa D’Água da NOB, a antiga baldeação para Ponta Porã e os vagões abandonados que permanecem como testemunhas silenciosas da história.

CONSTRUÇÃO

A nova edição exigiu aproximadamente quatro meses de produção.

Foram cerca de dois meses dedicados à pesquisa histórica, seguidos por outros meses de elaboração das ilustrações e finalização editorial.

Cada desenho foi produzido manualmente em nanquim e carvão, técnica que acompanha a artista desde o início de sua trajetória.

“O ‘Resquícios’ fala justamente desse abandono, desses lugares antigos dos quais sobraram apenas restos e histórias. O nanquim e o carvão ajudam a transmitir essa estética do desgaste do tempo, dos contrastes, da memória que insiste em permanecer”, detalha.

Embora todos os desenhos utilizem a mesma técnica, Sara explica que o tempo de produção varia conforme a riqueza de detalhes de cada construção.

“Alguns são muito mais complexos, exigem bastante observação e comparação com fotografias antigas e atuais. Produzir toda a série demanda bastante tempo”, pontua Sara.

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

Assim como ocorreu na primeira edição, a nova cartilha terá distribuição gratuita em escolas, bibliotecas, instituições culturais e também contará com exemplares em braille.

Além disso, oficinas educativas voltarão a fazer parte do projeto.

Na edição anterior, estudantes da Rede Municipal de Ensino (Reme) conheceram a história de diferentes patrimônios de Campo Grande e produziram desenhos que deram origem à chamada “Árvore da Memória”, instalação coletiva construída durante as atividades.

“As oficinas ajudam os alunos a compreender que aqueles lugares contam a história da cidade e também fazem parte da história deles. Todo mundo fica muito curioso para saber como os desenhos foram feitos e quais histórias existem por trás de cada patrimônio”.

Para Sara, iniciativas como essa fortalecem a educação patrimonial.

“A educação patrimonial faz com que as pessoas entendam a importância de conservar nossa história. É isso que mantém nossa cultura viva”, afirma.

PROGRAMAÇÃO

O lançamento da cartilha foi pensado como um encontro entre diferentes expressões culturais.

Durante toda a programação, o público poderá visitar a exposição com os desenhos originais produzidos para a publicação.

O evento contará ainda com palestra do historiador José Augusto Carvalho dos Santos, chefe da Divisão Técnica do Iphan em Mato Grosso do Sul, abordando a importância da preservação do patrimônio histórico.

Também haverá intervenção cênica do espetáculo “As Miragens do Asfalto”, apresentada pelo Teatro Imaginário Maracangalha.

Na parte musical, a banda Alien Sputnik fará um show acompanhado por um video mapping criado por Natacha Ik, projetado nas paredes do Casarão Thomé.

As imagens utilizadas na projeção foram produzidas a partir da video-performance da artista Madu Flores, registrada em um percurso performático filmado por Eduardo Marques e por Sara Welter.

>> Serviço

Lançamento da cartilha Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário

Data: Sexta-feira;
Horário: a partir das 17h;
Local: Casarão Thomé;
Endereço: Rua 14 de Julho, nº 3.169, Bairro São Francisco, Campo Grande;

A entrada é gratuita.

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