Correio B

CULTURA

Artistas do Reggae realizam sessão do documentário inédito "Marley"

Celebrando a participação da banda Canaroots no projeto MS ao Vivo, em 21/4, e a criação do Dia Municipal do Reggae, artistas e militantes do gênero musical realizam sessão do documentário inédito "Marley", sobre o ícone jamaicano

Continue lendo...

“Bom diaaa, reggaeiros. Alguém sabe do resultado do Som da Concha??”. Era a cantora LariS, atual vocalista da banda Canaroots, na manhã de ontem, perguntando assim mesmo, com vários A e interrogações de sobra – ela que, sim, usa o S maiúsculo em sua assinatura artística.

Apesar de ter ocorrido adiamento no prazo para as inscrições de projetos de edital do governo do Estado que contrata atrações musicais para ocupar a Concha Acústica Helena Meirelles, não estava prevista mudança na data do resultado (26/4) no novo calendário.

Em outra ponta do front, Diego Manciba, presidente da Associação Reggae de Mato Grosso do Sul (ARMS), aguardava também para o dia de ontem a confirmação da pauta no Armazém Cultural para 11/5, data de falecimento do jamaicano Bob Marley (1945-1981).

É uma tradição na comunidade reggae, dentro e fora do Brasil, marcar tanto o dia de nascimento (6/2) quanto o de morte daquele que permanece como o maior nome do gênero musical fortemente associado à identidade da Jamaica.

A ideia é promover no Armazém Cultural um tributo ao artista com muita música e outras atividades na programação. Mas a ARMS já confirmou uma sessão especial do documentário “Marley” (2012) para o dia 8/5, a partir das 20h, com entrada franca, em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS).

Inédito nos cinemas brasileiros, o filme do diretor escocês Kevin Macdonald chegou no País e em toda a América do Sul diretamente no formato DVD.

Com o depoimento de mais de 40 personagens, entre familiares, músicos e amigos, “Marley” é considerado por muita gente especializada na trajetória do artista – e pela própria cultura reggae – como a mais importante produção a tratar da vida, da música e da militância do ídolo maior desse estilo, cuja sonoridade mais moderna e mais conhecida pelo público em geral foi forjada na ponte das raízes jamaicanas com a ebulição musical britânica dos anos 1970.

Mais tarde, o vereador Beto Avelar (PP) finalmente divulgava em suas redes sociais, após a assinatura da prefeita Adriane Lopes, a instituição do Dia Municipal do Reggae em Campo Grande, publicada no Diário Oficial ontem, “em homenagem a Lincoln Gouveia [1983-2021], ex-vocalista da banda Canaroots e ícone da cena musical. A data escolhida, 17/6, (dia do falecimento do músico) é um tributo ao legado artístico de Gouveia e sua contribuição para a cultura reggae”.

A proposição foi encaminhada ao plenário por iniciativa da ARMS.

“Nosso mandato apresentou [o projeto de lei] na Câmara Municipal [de Campo Grande] com a finalidade de celebrar a música, a conscientização, a busca pela paz e a união que o reggae representa”, afirmou o vereador ontem, em uma postagem em seu perfil no Instagram.

“A iniciativa homenageia Lincoln Gouveia e também busca fortalecer a produção musical local e promover eventos culturais relacionados ao reggae”, disse.

UMA NOITE PARA LEMBRAR

Em meio ao corre permanente, tão comum nos nichos da produção cultural independente, a celebração da comunidade reggae local vem no fluxo de uma apresentação já considerada histórica da Canaroots no dia 21/4, pela programação do projeto MS ao Vivo.

Na ocasião, um público estimado em 10 mil pessoas ocupou o Parque das Nações Indígenas naquele domingo e fez uma festa que já está na categoria de antológica na memória de muita gente.

Sim, a maioria ali estava para curtir o Falamansa, que não deixou de mandar bem o seu recado, pontuando seu repertório autoral com clássicos de Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Fausto Nilo.

Mas o pátio e o gramado do parque já estavam preenchidos com mais da metade do público que acompanhou o grupo paulistano de forró quando a banda de reggae adentrou no palco para o show de abertura – “Canaroots Convida” – poucos minutos após as 18h.

A apresentação contou com a participação especial do reggaeman Sandim e da banda Louva Dub, que esteve na ativa de 2007 a 2014 e que voltou à cena no ano passado. Aliás, Sandim faz uma performance gratuitamente amanhã, a partir das 18h30min, no Shopping Campo Grande.

No setlist da Canaroots, “Jah no Comando”, “Há Uma Revolução”, “No Final Todo Mundo É Igual”, “Na Medida Certa”, entre outras canções autorais, além de dois clássicos jamaicanos – “Freedom Sound” (Skatalites) e “Jamming” (Bob Marley & The Wailers) – que marcaram a abertura e o encerramento de um show vigoroso e envolvente. Parafraseando uma das canções apresentadas (“A Natureza Chova”), a performance parece ter contado com as benesses de São Pedro. Quando a banda se despediu, caiu o maior toró.

FLAGMAN

Agora, com a palavra, alguns dos protagonistas da performance, a exemplo do flagman Gustavo Jordão:

“Eu sou o portador da bandeira, tá ligado? É isso o que significa flagman”.

“Ele transmite a mensagem por meio da bandeira. Uma cultura extremamente de resistência, preta, da África, sobre o rasta. Então, mano, a gente tenta transmitir essa essência do reggae. Eu, pelo menos, tenho essa fita e tento conciliar com a dança também, para não ser só uma forma de ficar flutuando ali no ar”, diz o reggaeman.

“E a experiência no show de domingo foi [algo] enérgico, cara. Foi muito lindo, muito forte. Fiquei em transcendência. Foi lindo demais ter a galera dançando no palco e eu lá com a bandeira, sabe? É uma força, assim, que não tem como explicar. É muito forte, mano. É muito massa também. E já quero mais. Muito massa”, afirma Gustavo.

A bandeira em questão repete as faixas cromáticas – verde, dourado e vermelho – da bandeira da Etiópia, reforçando a identificação da causa reggae com o afrocentrismo e com o imperador Hailé Selassié.

LAUREN E LARIS

“Fico muito feliz por esse momento. Lá atrás era só eu na cena. Hoje, ver tantas mulheres envolvidas dá muito orgulho, além de que fortalece todo o movimento”, celebra Lauren Cury, vocalista da Louva Dub.

“Precisamos de mais mulheres na música. Precisamos desse espaço. Além desse poder de fala feminino, que é importante, inspiramos outras mulheres a acreditarem que é possível fazer música aqui. É uma resistência em que o mercado é fortalecido por homens, mas essa é a luta”, diz a cantora.

“Ainda estou tentando entender tudo que vivemos. Reverberando tudo ainda, mas o sentimento é de vitória, 
de ver nosso trabalho valorizado, ganhando espaço e visibilidade na nossa própria casa, conseguir manter o legado tão necessário do Lincoln”, assegura LariS, da Canaroots.

“Sensação de que nosso trabalho não é em vão e de ter a oportunidade de mostrar o profissionalismo da cena reggae, que tem trabalhado muito para conquistar esses espaços. Sensação de missão cumprida. Orgulho e gratidão são o que mais define”, afirma.

DANIEL E DIEGO

“Foi incrível ver tantas pessoas, das mais diversas idades e das diversas regiões de Campo Grande, em um único lugar celebrando a música reggae autoral feita aqui. É para isso que a gente trabalha tanto por essa música. Levar a mensagem em um sentimento bom para todas as pessoas”, emenda o baixista da banda, Daniel Jah Rebel.

“Apresentações como essa ajudam a mostrar que o reggae pode sim ocupar os grandes palcos em produções como o MS ao Vivo. Temos músicos e artistas extremamente talentosos. A banda Canaroots e seus convidados aproveitaram bem a chance e fizeram uma ótima apresentação naquele domingo. Esperamos ver cada vez mais artistas locais assumindo um lugar de protagonismo nos eventos produzidos pelo poder público”, reforça Diego Manciba, o qual, além de presidir a ARMS, também atua como DJ.

RASDAIR

“Foi uma verdadeira adoração a Jah, e a multidão marcou presença, dançou e curtiu com as vibrações positivas da música reggae. O show foi em homenagem ao Lincoln Gouveia, compositor, vocalista e fundador da banda Canarrots, um dos idealizadores da Associação Reggae de Mato Grosso do Sul. Com sua passagem prematura para Zion, o reggaeman não pôde estar presente fisicamente para ver a concretização de seu sonho. Foi bonito demais”, pontua o veterano Rasdair Damata, que há 25 anos apresenta programas de reggae no rádio.

ASSINE O CORREIO DO ESTADO

felpuda

Como acontece em toda eleição, esta também não foge à regra... Leia na coluna de hoje

Confira a Coluna Diálogo desta segunda-feira (14)

14/09/2026 00h01

Coluna Diálogo

Coluna Diálogo ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

Continue Lendo...

Gamal Abdel Nasser - Político Egípcio

"Construir fábricas é fácil, fazer hospitais e escolas é possível, mas formar uma nação de homens é tarefa longa e árdua”

FELPUDA

Como acontece em toda eleição, esta também não foge à regra quando o assunto é traição política. Há exemplos para todos os gostos, numa demonstração de que fidelidade anda tão escassa que já deveria vir com receita médica. De um lado, alianças são celebradas com pompa; de outro, rompimentos surgem antes mesmo de a fotografia oficial amarelar. Na política, o problema é que a pedra costuma vir embrulhada em discurso de “coerência”. E, quando a eleição termina, muitos descobrem que amizade política tem prazo de validade. Até a próxima urna, é claro.

Coluna Diálogo

MAIOR

Os números dessa triste estatística explicam a importância do Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio que ganhou força em MS a partir de iniciativa da Assembleia Legislativa. Dados da Sejusp apontam 243 mortes por suicídio no Estado, de janeiro a agosto.

 MAIS

Outras sete pessoas tiraram a própria vida na primeira semana de setembro. Homens representam maioria dos casos, com 189 mortes, contra 54 mulheres. Até agosto, o número é o maior para o período desde 2016 e supera, inclusive, as 232 mortes registradas no trânsito.

Coluna DiálogoTheresa Hilcar e Carolina Freire de BArros. Foto: Arquivo Pessoal

 

Coluna DiálogoDra. Helena Rescaroli. Foto: Arquivo Pessoal

GANGORRA

Quanto mais se aproxima a reta final da campanha eleitoral, mais Mato Grosso do Sul parece viver verdadeira gangorra de números sobre o desempenho dos candidatos ao governo e ao Senado. Pesquisas aparecem em sequência, oferecendo porcentuais para todos os gostos e interpretações. Há números que alimentam a esperança de uma decisão já no primeiro turno. Outros, porém, mantêm acesa a expectativa de disputa em segundo turno. No meio político, a matemática eleitoral já virou assunto obrigatório das conversas.

EU OU ELE?

O deputado federal Vander Loubet (PT) e o ex-deputado Capitão Contar (PL) voltaram ao centro da disputa entre a esquerda e a direita conservadora em MS. Os dois são candidatos ao Senado, numa eleição que promete ser bastante acirrada. Por enquanto, o melhor é não arriscar prognósticos, dizem políticos mais antenados, pois muita água ainda vai passar debaixo da ponte.

ALÉM...

A batalha por um mandato nas eleições deste ano tem, para alguns candidatos, objetivo que vai além da cadeira que estará em disputa. O alvo, em certos casos, é o comando do Paço Municipal em 2029. A previsão entre políticos é de que a próxima sucessão em Campo Grande não tenha um nome naturalmente favorito. Com isso, a tendência é de disputa que promete. A chamada briga de foice já começa a ser desenhada nos bastidores. Quem viver, verá!

ANIVERSARIANTES

  • Dr. Sérgio Augusto Maksoud,
  • Dra. Isabella Barreto,
  • Sônia Aparecida Queiroz Meireles,
  • Mirian Comparin Correa,
  • Tiago Quintanilha Nogueira,
  • Armando Abdalla,
  • Rafael Barros Dos Santos Sinzato,
  • Cláudio Alves Afonso,
  • Laureane De Queiroz Schimidt,
  • Dr. João Argeu De Almeida E Silva,
  • Severino Vital Dos Santos,
  • Waldemir Leal Pael,
  • Evandro Cardoso Lourenço,
  • Pedro Luiz Da Silva,
  • Elziane Carvalho,
  • Ivo Antonio Armstrong,
  • Helena Calgaro De Oliveira,
  • Stéphanie Guedes Carvalho,
  • Luana Ferreira,
  • Kassio Rafael De Albuquerque,
  • Jorge Luiz Curado Siufi,
  • Alberto Luiz Sãoveso,
  • Altiva Costa Brum,
  • Jaime Elias Verruck,
  • Marly Arakaki,
  • Catherine Prappas,
  • Douglas Avedikian,
  • Tatiana Arguelho,
  • Obadias De Lana,
  • Everton Mello Romero,
  • Maria De Lourdes De Oliveira Gonçalves,
  • Emerson Edward Giacomini,
  • Maria Ines Domingues Castilho,
  • Noide Pache Farias,
  • Nilson De Barros,
  • Laura Denise Dias Alfonso,
  • Elpídio José Roque De Carvalho,
  • Dr. Luciano Dos Santos Mendes,
  • Carlos Alberto Sanematsu,
  • Luis Carlos Sanematsu,
  • Nilo Sérgio Laureano Leme,
  • Paula Rigo,
  • José Pinheiro Saraiva,
  • Lourdes Pereira,
  • João Roque Bozoli
  • Maria Fernanda (Fefê) Assis
  • Daros Dorileo,
  • Dr. Pedro Tutomu Hattori,
  • Dr. Eraldo Cerullo,
  • Amadeu Menna Gonçalves,
  • Setsuyo Tamai,
  • Darcy Ferreira De Mello,
  • Flávio Lechuga Capriata,
  • Rosângela Kabad,
  • Ruy Vaz De Oliveira,
  • Louirson Rogério Dos Santos,
  • Paulo Eduardo Limberger,
  • João Bosco Raineri Azevedo,
  • Moara Souto Vieira,
  • Cornélio Amarilha,
  • Laudelino Bezerra Da Silva,
  • Jovenilio Barbosa De Souza,
  • Adelina Cintra Pereira,
  • Itamar Godoy Rocha,
  • Nelson Francisco De Oliveira,
  • Ieda Lubas,
  • Cleidinaldo Dutra De Castro,
  • Agnaldo Pereira Da Costa,
  • Humberto Abdul Ahad,
  • Gabriel Souza Dos Santos,
  • Saldanha Lacerda Ramos,
  • Jaice Da Silva Oliveira Vicari,
  • Eduardo Grande Da Cunha,
  • Eraldo Anacleto Xavier De Almeida,
  • Grace Kelly Dos Santos,
  • Alice Pereira Tiago,
  • Marcel Assunção Barboza,
  • Valdir Miguel Hech,
  • Alexandre Chadid Warpechowski,
  • Cezária Mendes Forner,
  • Sônia Regina Mendes Dos Reis,
  • Admir Edi Corrêa Carvalho,
  • Marcelo Silva Alves Branco,
  • José Carlos Lopes Da Silva,
  • Alessandra Saltarelle Moreira,
  • Sônia Regina Alves Da Rocha,
  • Robson Simões De Almeida,
  • Ângela Mara Ferreira Dos Santos,
  • Eliana Martins Mariotti,
  • José Demétrio De Souza,
  • Eduardo Molinari,
  • Nidal Abdul,
  • Benoni Martins Carrijo,
  • Eduardo De Oliveira Cavalcanti,
  • João José Pedroso Lopes,
  • Elias Fraiha,
  • Dulcineri Aparecida Bosco Lamers,
  • Ivete Ota Miyasato,
  • Alexandre Cardoso Fernandes,
  • Elso Faria Pereira,
  • Alberto Pereira Bitencourt,
  • Fábio Julio De Souza,
  • Larissa Oliveira Da Silva,
  • Thiago De Araújo Garcia,
  • Patricia Stranieri,
  • Leandro Cara Artioli,
  • Ana Paula Barbosa Dos Santos,
  • Maria Eloir Macena Bezerra,
  • Maurício Sarto,
  • Adenam Kadri Júnior,
  • Thauana Coderitch De Matos.

 COLABOROU TATYANE GAMEIRO

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a jornalista e apresentadora do programa MULHERES Gloria Vanique

"Fazer parte desse novo momento da Gazeta para mim é mais um marco na minha carreira, na minha história. Estar aqui tem sido um privilégio, com uma equipe incrível. Um momento de grande valia dentro da minha carreira".

13/09/2026 18h00

Entrevista exclusiva com a jornalista e apresentadora do programa MULHERES Gloria Vanique

Entrevista exclusiva com a jornalista e apresentadora do programa MULHERES Gloria Vanique Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta - Com exclusividade para o Correio B+

Continue Lendo...

Com quase três décadas dedicadas à comunicação, Glória Vanique conhece como poucos os bastidores e os desafios da televisão brasileira. Jornalista, apresentadora e palestrante, ela construiu uma carreira marcada pela informação, pela credibilidade e pela proximidade com o público, passando por importantes emissoras e coberturas ao longo de sua trajetória.

Agora, à frente do tradicional Mulheres, da TV Gazeta, Glória inaugura um novo capítulo profissional, transitando do jornalismo para o entretenimento sem deixar de lado a essência que sempre guiou seu trabalho: a comunicação feita com escuta, sensibilidade e propósito.

"Estou muito feliz. A equipe é gostosa de trabalhar, a direção… Nossa, eu tô amando, amando! E eles me deram muita liberdade para criar e para fazer do jeito que eu queria pensar em fazer. Foi muito bom. É muito bom", diz Gloria sobre sua nova fase.

A nova fase também revela outras facetas da apresentadora, que leva para a televisão sua experiência como comunicadora, mentora e palestrante, além de um lado artístico e descontraído que nem sempre esteve sob os holofotes. É nessa mistura de experiência e novidade que ela escreve o próximo capítulo de uma história que continua em movimento.

O Correio B+ acompanhou a jornalista Gloria Vanique com exclusividade na TV Gazeta em São Paulo, e conversou com a apresentadora sobre carreira, família e sua nova fase à frente do tradicional programa MULHERES.

Entrevista exclusiva com a jornalista e apresentadora do programa MULHERES Gloria VaniqueA jornalista e apresentadora Gloria Vanique é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta com exclusividade para o Correio do Estado - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Glória, porque você escolheu a comunicação?
GV -
 Porque eu sempre fui da comunicação. Desde criança, em casa, eu tinha um gravador com microfone que eu narrava a partida de futebol de botão do meu irmão. Com esse mesmo gravador, eu colocava ele escondido para gravar as conversas da minha mãe com minha avó na cozinha, como se fosse uma câmera escondida (risos).

Eu fazia telejornal, apresentava com gravador, gravava vinheta na televisão e fazia a apresentação da reportagem. Então, sempre tive esse viés da comunicação. E além de gostar muito de escrever e principalmente falar em público.

Então, às vezes tinha concurso na escola, de poesia de texto e tal, e os amigos pediam para eu ler já que eles tinham vergonha subir no palco. Era eu que lia os textos de vários amigos. Isso sempre esteve comigo a minha vida inteira.

CE - Quando foi para a faculdade, você sempre soube que você ia fazer jornalismo?
GV -
 Não, eu ia fazer Letras. Eu estava no meio do 3º ano do Ensino Médio. Fui conversar com o professor de Literatura para entender como era o curso, porque alguma coisa ainda não era exatamente o que eu queria. E aí ele foi muito sagaz, porque ele foi perguntando e tal, e num momento ele falou: ‘Olha, pelo jeito, o seu curso não é Letras, é Jornalismo’.

E eu não sabia que tinha o curso de Jornalismo. Aí eu fui no Guia do Estudante, aquele ‘livrão’ com as profissões, a hora que eu comecei a ler o que era jornalismo, eu falei: ‘Sou eu’. Achei um negócio que está me descrevendo, e aí eu decidi mudar para o curso de Jornalismo.”

CE - Glória, eu queria que você falasse um pouco dessa sua transição. Como aconteceu quando você começou a trabalhar profissionalmente dentro do jornalismo? Como começou esse processo? 
GV -
 Meu início no jornalismo aconteceu quando saí da casa dos meus pais, aos 17 anos, para estudar Comunicação Social na Unesp, em Bauru. Eu queria trabalhar na área desde o começo, mas, naquela época, o sindicato não permitia estágio ou trabalho sem diploma. Por isso, fiz um curso técnico de Radialismo no Senac e consegui um estágio na Rádio Bandeirantes de Bauru, onde fui contratada.

Na faculdade, tive contato com a televisão e me encantei também pela imagem. Um colega da rádio me passou o contato de uma produtora, onde fui contratada. Eu disse que sabia editar, mesmo sem saber praticamente nada (risos), e ali aprendi na prática, trabalhando com produção, edição, locução e externas.

Depois de um ano e meio, saí para concluir meu TCC. Foi quando minha orientadora me contou sobre um teste para repórter da TV Bandeirantes. Passei, mas havia novamente a questão do diploma. Como eu tinha o curso de Radialismo, surgiu a oportunidade de apresentar um telejornal, e fui contratada.

Pouco depois, a Globo local me viu apresentando e me convidou. Minha faculdade entrou em greve e o diploma demorou a sair, mas consegui uma autorização do sindicato para trabalhar. Assim, comecei na Globo em Bauru, depois passei por Ribeirão Preto e São José dos Campos, até chegar a São Paulo, no Canal 21, do Grupo Bandeirantes. Depois dessa trajetória, vieram novas experiências na televisão, incluindo a CNN, e hoje estou na TV Gazeta.

CE - Glória, e essa transição da formalidade do jornalismo, para um programa tradicionalíssimo que é o ‘Mulheres’, que tem uma receptividade do Brasil inteiro, por onde grandes nomes da comunicação passaram pela apresentação do ‘Mulheres’, como é que surgiu o convite e como é que foi para você fazer essa transição, aceitar esse convite, como foi?
GV -
 A transição começou na CNN. Durante a pandemia, eu ainda estava na Globo e tive um burnout. Uma das coisas que mais me afetava era estar o tempo todo diante de notícias ruins. Eu pensava: “A gente precisa falar de coisa boa, as pessoas precisam escutar coisa boa”. Foi quando decidi que era hora de sair.

Fui para a CNN ainda no jornalismo, onde fiquei cerca de um ano, mas, no meio do processo, surgiu o departamento de entretenimento e eu migrei para lá. Fiz vários projetos e programas e, quando saí, no final de 2022, decidi mergulhar em treinamentos para empresas, apresentação de eventos, comunicação e palestras.

Foi o início de uma nova jornada, muito mais leve e próxima do público. Eu nunca fui uma apresentadora de eventos formais. Sei fazer, mas o que realmente gosto é de brincar com a plateia, interagir e estar perto das pessoas.

Nesse período, também comecei uma pós-graduação em neurociência pela Santa Casa de São Paulo. Então, quando veio, no final do ano passado, o convite para o “Mulheres”, na TV Gazeta, eu pensei: “Gente, isso casa com tudo o que eu estou fazendo e com o que eu gosto”. Sempre tive um público muito feminino, inclusive nas redes sociais, e já acompanhava o programa há muito tempo. Então, foi um convite que eu não poderia recusar. Conversei em casa com meu marido e meu filho e decidi mergulhar de cabeça. Eu amei o convite, era tudo o que eu queria.

Mas, quando entrei diante da câmera, percebi que automaticamente voltava aquela linguagem do jornalismo. Foram 30 anos sendo treinada daquela maneira. Então, meu desafio passou a ser me soltar mais, me jogar mais e trazer para a televisão a mesma espontaneidade que eu já tinha no palco. E foi acontecendo de forma muito natural.

CE - Você está feliz?
GV -
 Estou muito feliz. A equipe é gostosa de trabalhar, a direção… Nossa, eu tô amando, amando! E eles me deram muita liberdade para criar e para fazer do jeito que eu queria pensar em fazer. Foi muito bom. É muito bom.

CE - E a sua adaptação do dia a dia, que você está falando da liberdade que te dão, de um processo que você já vinha plantando, e eu acho que o ‘Mulheres’ foi a tua colheita... 
GV - 
Naquele começo, principalmente, o estúdio mudou. Eu queria me entender naquele espaço do estúdio. A linguagem, eu acho que uma das grandes modificações que eu precisei fazer foi de linguagem. Apesar de eu sempre trabalhar com público, TV aberta e tudo mais, é um público diferente.

A linguagem pode ser mais divertida, então, eu ficava: ‘não, eu acho que eu poderia ter falado isso, eu acho que eu poderia fazer aquilo, eu acho que eu vou tentar desse jeito’ etc. Então, isso pra mim foi um trabalho diário. Ainda é, mas naquele começo, principalmente, eu ficava o tempo todo assim, pensando: ‘E agora, o que eu posso fazer?

De que jeito que dá pra melhorar?’. Então, a minha cabeça não para, a minha cabeça é assim o tempo todo. A minha cabeça tá o tempo todo inventando histórias, isso é da minha personalidade, eu sou assim, e aqui, pelo fato de eu ter liberdade, isso faz com que eu consiga criar ainda mais.

Entrevista exclusiva com a jornalista e apresentadora do programa MULHERES Gloria VaniqueA jornalista e apresentadora Gloria Vanique é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta com exclusividade para o Correio do Estado - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você sentiu medo?
GV -
 “Ah, medo sempre dá. Mas é o medo do novo.”
Porque hoje a gente vive num movimento de Instagram, de hater, de exposições, que isso não é da nossa época. Na nossa época, a gente não se preocupava com isso, porque eu falo que nem o Orkut eu tinha, eu sempre tive preguiça dessas coisas. Tudo que é ligado a computador, a tecnologia, se eu tiver que trocar de celular pra mim, é o fim do mundo.

CE - Mas que tipo de medo você sentiu?
GV -
 É o medo do novo. Não é o medo da análise das pessoas. Porque eu acredito que se você faz um trabalho voltado com pensamento no público… O ‘Mulheres’ não foi um projeto pensado para mim. Era um projeto pensado no público. O que o público quer? O que eu posso levar de legal? O que eu posso levar de leveza? O que eu posso levar de qualidade de informação? Porque eu trago essa bagagem do jornalismo e eu quero levar qualidade de informação. Então, de que forma eu posso levar isso para o público?

O receio ali era sobre a mudança de linguagem, me entender no estúdio, era esse que era o medo inicial. Mas de rejeição do público, não. Porque eu acredito que quando você escuta o público, claro, os comentários relevantes, e quando você está fazendo realmente aquilo ali com o seu foco, não em você, mas o seu foco em quem é para ser mesmo, vai fluir.

Então, a minha questão ali era como eu vou trazer para esse público essa imagem da Glória que eles estão acostumados a ver no jornalismo para o entretenimento. 

Quem me conhece pessoalmente sabe como eu sou. Eu não sou uma pessoa formal. Na TV, eu tinha que manter uma certa postura, então eu pude trazer muito mais de mim para a TV aqui com o ‘Mulheres’. Eu posso brincar, eu posso errar e rir de mim mesma. É isso.

CE - Qual a maior dificuldade quando se muda de emissora e linha editorial?
GV -
 Em termos de linha editorial, eu não sofri tanto. Eu fiz basicamente a minha carreira dentro das emissoras Globo, com algumas passagens pelo Grupo Bandeirantes, que também não diferenciavam muito do tipo de jornalismo, que a Globo já fazia. E depois passei pela CNN também, que nos anos iniciais mantinha aquela linha assim bem ligada aos fatos, sabe? Então, essa questão de linha editorial nunca tive problema não.

CE - Como é a sua relação com as redes sociais?
GV - 
Eu adoro as redes sociais. Claro que eu sou uma pessoa que também prezo pela minha privacidade, principalmente em relação à minha família. Então, eu não sou aquela pessoa que publica desde a hora que acorda até a hora que vai dormir, então, eu filtro um pouco o que eu quero publicar, justamente para preservar a minha a minha vida pessoal. Mas a minha relação é muito tranquila.

Eu gosto de responder as pessoas, eu gosto de brincadeira, eu gosto de participar de às vezes algum meme que aparece, né, alguma uma trend que aparece. Então, isso para mim sempre foi muito tranquilo. A minha relação com as redes e sempre muito aberta também, nunca tive nenhum tipo de problema, assim, com as minhas redes sociais.

Entrevista exclusiva com a jornalista e apresentadora do programa MULHERES Gloria VaniqueA jornalista e apresentadora Gloria Vanique é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta com exclusividade para o Correio do Estado - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - O que mais emociona você no universo da comunicação?
GV - 
O que mais me emociona no universo da comunicação é justamente o poder comunicar. Porque às vezes a gente fala de comunicação, mas comunicação é uma palavra muito genérica, né? O ser humano, ele é um ser social.

E nem sempre a comunicação comunica da forma adequada. Então, muitas vezes a pessoa acha que está se comunicando, mas as outras estão entendendo de outras formas, porque cada um cada pessoa tem o seu repertório e tudo mais, então, quando a comunicação realmente comunica, com clareza, com ela é assertiva, para mim, essa é a comunicação fantástica, é a comunicação dos meus sonhos, que todo mundo consiga se comunicar dessa forma.

E, principalmente, principalmente, acima de tudo, comunicação para mim é conexão. Não adianta você simplesmente soltar mensagens, você precisa se conectar com seu público. Então, comunicação para mim é isso, é o que mais me emociona é quando existe conexão e essa comunicação realmente é feita de forma assertiva e de que chegue até o outro lado da forma como a gente gostaria que chegasse a mensagem.

CE - Fazer parte desse novo momento da Gazeta significa o que para a Gloria?
GV -
 Fazer parte desse novo momento da Gazeta para mim é mais um marco na minha carreira, na minha história. Porque eu já passei por várias empresas, eu me reinventei várias vezes, eu passei, eu fiz uma transição de carreira, né? Em alguns momentos, inclusive, da minha vida.

Então, eu nunca, nunca fechei portas no sentido de: "não, não quero, não", é claro que a partir de um determinado tempo de carreira, você começa a dizer alguns nãos, relacionados aos seus valores, aquilo que faz sentido para você nesse momento.

Mas estar aqui na Gazeta nesse momento para mim tem sido um privilégio. Com uma equipe incrível, aprendendo, novas, abrindo, me abrindo para novas etapas, novos aprendizados, me aprofundando cada vez mais no entretenimento, me deixando errar, rir dos meus erros, me divertindo, acertando também. Então, para mim, tem sido assim um momento de, mais um momento assim de grande valia dentro da minha carreira.

CE - Você consegue eleger um momento muito especial no Mulheres desde que assumiu?
GV -
 Ah, um momento especial é quando eu começo a reconhecer a receber o reconhecimento do público na rua, não é? O carinho das pessoas, as pessoas param, vem conversar, dizer que gostam do programa, que tem assistido, que fazem comentários sobre temas, sobre assuntos que a gente fala. Então, que riem junto, sabe? Vem abraçar ou quando vem, "Ah, a minha mãe adora você, minha avó adora você". Ah, isso para mim não tem preço. Para mim, realmente, esse é o momento mais especial.

CE - Como você concilia família com o trabalho?
GV -
 Conciliar família com trabalho é um grande desafio, principalmente para as mulheres, já que estamos falando de um programa chamado Mulheres, porque a gente sabe que dentro ainda da cultura, né, do nosso país, e não só da sociedade brasileira, mas em boa parte da cultura mundial, determinadas atribuições ainda sobram para as mulheres.

É o cuidado da casa, é o cuidado dos filhos, mas eu tenho um marido que é um super parceiro, sempre foi, e então ele sempre entendeu meu trabalho, e a gente sempre teve uma parceria de, quando, principalmente depois que o meu filho nasceu, de um até revezamento em determinadas situações, tipo, vai que eu seguro, aí eu falava, vai que quem segura agora sou eu, sabe?

Então, porque ele também tem a carreira dele. Então, a gente teve, sempre teve essa parceria muito forte. E isso é a base, né? Quando os dois lados entendem que a responsabilidade é dos dois, tanto de trabalhar quanto de cuidar dos afazeres domésticos, cuidar dos filhos e tudo mais, fica tudo muito mais leve, muito mais, fácil de lidar.

CE - O que a Gloria de 10 anos atrás falaria a Glória de hoje?
GV -
 A Gloria de 10 anos atrás falaria para de hoje que bom que você persistiu em vez de insistir. Porque existe uma grande diferença entre você insistir e você persistir. Insistir é você traçar um caminho e achar que aquele caminho é o único que você tem e você tem que seguir aquele caminho e não olhar para os lados nas outras infinitas possibilidades que você tem e que você pode desviar daquele caminho e voltar lá na frente para chegar aonde você quer chegar, para chegar aonde você onde sua meta está. Então, eu acredito que seja isso. Que bom que você persistiu em vez de insistir. Porque insistir machuca, persistir leva até o destino e até aonde a gente quer chegar.

Entrevista exclusiva com a jornalista e apresentadora do programa MULHERES Gloria VaniqueA jornalista e apresentadora Gloria Vanique é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta com exclusividade para o Correio do Estado - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).