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COMPORTAMENTO ANIMAL

Especialista explica como funciona a cabeça dos animais

Zootecnista refuta a existência de uma psicologia dos bichos, derruba mitos como o do QI canino, mas reconhece uma série de semelhanças com a mente humana

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Zootecnista, com mestrado em Ciências, Diogo Cesar Gomes da Silva desfaz o mito da psicologia animal, mas alerta que os bichos de estimação têm, sim, problemas de comportamento que demandam, inclusive, tratamento com o uso de medicamentos. 

O especialista é professor da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp) em Campo Grande, onde coordena o Laboratório de Etologia e Análise do Comportamento.

Para o pesquisador, a inteligência de um animal vai depender muito mais do papel a ser cumprido pelo tutor, e não de critérios apontados nos testes de QI para cães, por exemplo. 

“Um mínimo de conforto e eles terão o seu desenvolvimento cerebral, cognitivo, comportamental pleno”, afirma Silva, em entrevista ao Correio do Estado. Confira a seguir.

Afinal de contas, existe ou não uma psicologia animal ou algo equivalente?

O correto academicamente é dizer que não. Porque a psicologia é uma ciência que trata de estudar o comportamento humano e a cognição humana. 

Mas a gente tem o termo popular “psicologia” como uma espécie de sinônimo para comportamento, mente e coisas do tipo. 

O mais adequado para a área animal seria um especialista em comportamento animal ou mesmo um etólogo, que vem de Etologia, que é a ciência que estuda o comportamento animal.

 

Nesse sentido, quais seriam os males e as doenças mais comuns tanto nos pets quanto em outros animais?

Os problemas mais comuns comportamentais e cognitivos em animais, de uma maneira geral, e não só nos pets, surpreendentemente se assemelham com o que acontece conosco, seres humanos. 

Temos, em termos de porcentagem de problemas de comportamento, uma grande presença de diagnósticos de ansiedades, tanto a ansiedade generalizada quanto a ansiedade por separação, que é quando os pets, por exemplo, ficam sozinhos quando os tutores saem, vão trabalhar ou viajar, etc. 

Temos também muitos problemas relacionados à agressividade e problemas relacionados a comportamentos estereotipados, que são aqueles comportamentos repetitivos, muitas vezes ritmados, executados com grande intensidade fora de sequência. 

Muitos desses problemas podem se agravar em casos, por exemplo, autolesivos, como animais que se lambem tanto que geram queda de pelo e inflamação da pele ou mesmo animais que se automutilam.

 

Quais fatores costumam provocar esses quadros com mais frequência?

Esses fatores são múltiplos. Temos que fazer um acompanhamento caso a caso, conhecer o animal em um detalhe muito íntimo, tanto fisiológico quanto comportamental, e a dinâmica da família. 

A gente basicamente vai ver as interações que ele tem com o ambiente social dele, que inclui as pessoas e outros animais, o desenvolvimento dele enquanto indivíduo, ou seja, o que ele aprendeu ao longo do desenvolvimento dele, o que é que a família permitiu ou estimulou que ele aprendesse e as condições atuais em que ele vive. 

E aí a gente avalia tudo, alimentação, espaço, exercício físico, como é que são as relações ali com as pessoas. Todos esses fatores para poder chegar em uma possível relação de causa.

 

Há tratamento para esses casos?

Todos esses problemas têm tratamento. Pode ser um tratamento farmacológico, isso vai depender da extensão do problema, dos exames clínicos. 

Alguns problemas de comportamento podem precisar de um suporte farmacológico [uso de medicamentos]. Por isso a importância sempre de fazer um exame com o veterinário. 

Mas a maioria dos problemas de comportamento são resolvidos ou administrados com técnicas comportamentais, mudanças no ambiente, intervenções com os cães e por aí vai.

É possível uma comparação, quanto ao grau de estresse, por exemplo, entre bichos domésticos e os de rua?

É difícil a gente fazer um comparativo porque em ambas as condições você pode ter níveis de estresse elevado, até porque o estresse é muito individual, é muito subjetivo. O mais adequado é acompanhar o animal mesmo. 

Fazer toda a investigação fisiológica e comportamental para determinar o nível de estresse em que aquele animal se encontra.  

 

E quanto aos animais não urbanos? Uma onça que, por exemplo, sobrevive a um incêndio florestal ou a uma caçada humana... seria possível mensurar, de alguma forma, os danos ou as alterações no comportamento dela?

A gente também tem condições, ferramentas para determinar níveis de estresse e impactos no comportamento, assim como a gente tem para animais domésticos. 

Um animal da fauna que teve alguma mudança significativa no ambiente dele, que seja de qualquer tipo de situação, a gente tem condições, sim, de mensurar estresse, bem-estar animal, mudança no repertório, inclusive, fazer uma estimativa da extensão desses efeitos para a qualidade de vida desses indivíduos.

 

Quais analogias são confirmadas ou especuladas em relação à mente humana?

Esse é um assunto bastante complexo e delicado de ser comentado. Porque, dentro das próprias ciências que estudam o ser humano, que a gente inclui a psicologia, a psiquiatria, a própria biologia e outras áreas da saúde, não há um consenso sobre os processos cerebrais que o ser humano possui. 

De modo que algumas correntes filosóficas/científicas desenvolvem teorias da mente e outras correntes não desenvolvem essa teoria mental. 

Essa corrente alternativa, vamos dizer assim, ela é uma corrente mais naturalística, no sentido de tratar o cérebro como um órgão, e as respostas que o cérebro emite são visualizadas dentro de um sistema orgânico, sem se voltar a explicações não físicas ou não naturais, como algumas filosofias mentais têm. 

Vai depender muito do posicionamento do profissional em relação a como ele descreve os comportamentos e a cognição, tanto humana quanto animal.

Partindo de uma visão mais naturalística, que é a minha, existem muitos aspectos semelhantes entre o processo cerebral e as respostas cognitivas em vários animais com o nosso funcionamento cerebral e existem também notadas diferenças. 

A ciência comparada se beneficia disso, e isso, inclusive, é utilizado para estudos de medicamento, funcionamento e distúrbios cerebrais. 

O próprio estudo do comportamento passa por essas comparações entre espécies, incluindo a nossa. Diagnósticos comportamentais, como a depressão e outros, são possíveis em alguns animais por, justamente, a gente ter uma série de sintomas e sinais clínicos semelhantes.

 

O QI de raças caninas é mito ou verdade?

O famoso QI das raças caninas, o nível de inteligência das raças caninas, na verdade, nós, da área de comportamento e bem-estar animal, questionamos um pouco porque a metodologia em que ele [o estudo] foi executado beneficia algumas raças e não outras. 

Na verdade, a inteligência é multifatorial, de modo que os testes que foram aplicados para fazer essa hierarquia de inteligência nas raças caninas não contemplam todas as capacidades que os animais podem ter. Então, é óbvio que isso vai favorecer algumas raças ou outras. 

Eu diria para o tutor para ele ficar bastante tranquilo porque a inteligência que o animal dele terá vai depender muito mais do que esse tutor ajuda no desenvolvimento do animal, permitindo que tenha uma qualidade de vida e nível de bem-estar altos, ou seja, que a gente cumpra o nosso papel como tutor, como responsável e garanta para esses animais um mínimo de conforto e eles terão o seu desenvolvimento cerebral, cognitivo e comportamental pleno.

 Algumas raças são melhores que outras para algumas coisas porque as raças foram selecionadas para algumas coisas muito específicas. 

É bem difícil ganhar de um border collie, por exemplo, quando o assunto é juntar rebanhos. Mas também é bastante difícil ganhar de um golden retriever quando o assunto é buscar algo e trazer. Cada raça tem sua especificidade.

DIÁLOGO

A invasão de fazenda em Sidrolândia ganhou ingrediente inesperado...Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta terça-feira (30)

30/06/2026 00h01

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Zíbia Gasparetto - escritora brasileira

"Você está onde se põe. É a lei da vida. Se você se colocar em um lugar melhor, sua vida mudará e coisas boas começarão a acontecer. A escolha está em suas mãos”.

 

Felpuda

A invasão de fazenda em Sidrolândia ganhou ingrediente inesperado no debate político: uma nova classificação ideológica. Parlamentares petistas da Assembleia de MS trataram os invasores como “indígenas da extrema-direita”. A criatividade não parou por aí. A tese é de que a invasão teria sido planejada para desgastar a imagem de Lula. Ou seja: além de enfrentar conflitos por terra, agora os indígenas também teriam se transformado em estrategistas da guerra política nacional. Vendo tamanho esforço mental, parlamentar disparou: “Quando a realidade não ajuda, a imaginação resolve”. Só!

Aquém...

A senadora Soraya Thronicke, eleita pela direita e hoje em sintonia com a esquerda de olho na reeleição, alcançou um resultado nada animador em Maracaju: apareceu com 0% das intenções de voto.

Mais

O contraste aumenta porque seu principal adversário, o ex-governador Reinaldo Azambuja, lidera com folga 
em pesquisa contratada pelo Correio do Estado.

DiálogoFOTO: LUCAS MENESES/ASCOM SETUR

O Projeto Corais de Alagoas já alcançou a marca de 500 corais cultivados no litoral daquele Estado. Desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas, a iniciativa mantém cinco mesas instaladas no fundo do mar da Ponta Verde, que funcionam como berçários para reprodução e crescimento das colônias. A próxima etapa prevê o replantio de recifes degradados. Patrocinado pela Secretaria de Turismo de Alagoas (Setur), o projeto monitora áreas em quatro municípios alagoanos para acompanhar a saúde dos recifes após o aumento da temperatura do mar e o consequente branqueamento dos corais. Os exemplares cultivados recebem acompanhamento permanente de pesquisadores.

DiálogoHugo Hilgert e Saviany Monteiro - Foto: ARQUIVO PESSOAL

 

DiálogoDra. Mariana Rios - Foto: Arquivo Pessoal

Colateral

Na tentativa de transformar a ausência do governador Riedel em protagonista da visita de Lula a MS, Fábio Trad acabou produzindo um efeito colateral: falou mais de quem não foi do que de quem esteve. Nas rodas políticas, a conclusão foi imediata: está na hora de trocar o marqueteiro. Afinal, quando o maior destaque de um evento é um convidado ausente, alguma coisa saiu do roteiro. Quem queria desgastar Riedel acabou enchendo sua bola.

Palanque

A tese de que o governador Riedel deveria comparecer por se tratar da visita de um presidente da República virou motivo de chacota. Fábio Trad esqueceu detalhe básico: o vice-governador Barbosinha estava lá, representando o Executivo exatamente como manda a Constituição. Além do mais, Lula cumpria uma agenda de evidente conteúdo eleitoral. Esperar que Riedel dividisse o palanque e ainda cedesse imagens para as redes do adversário é ingenuidade.

Lembrada

A Câmara de Campo Grande devetá aprovar nesta terça-feira (30) a denominação da Praça Clotilde Faustino Limeira, no Residencial Betaville. A iniciativa do vereador Júnior Coringa presta homenagem a uma personagem conhecida da comunidade, que por muitos anos vendeu pipoca nas proximidades da antiga rodoviária e da Igreja Perpétuo Socorro. Em tempos de tantas homenagens a quem poucos conhecem, o reconhecimento a alguém que marcou o cotidiano do bairro parece fazer mais sentido.

Aniversariantes

  • Flávia Buainain Thomazi,
  • Ronald Kanashiro de Alem,
  • Noemi Mendes Siqueira Ferrigolo,
  • Maurício Regis Wanderley,
  • Tânia Regina Comerlato,
  • Dr. Carlos Garcia de Queiroz Filho, 
  • Murilo Godoy,
  • Jonas Kalife, 
  • Djenane Comparin Silva,
  • Lucio Cariaga,
  • Dr. Leocindo Batista da Rosa, 
  • Dra. Ida Bataglin Marques,
  • João Paulo Nadai,
  • João Luiz Marino,
  • Ricardo Nakao,
  • Valfrido da Silva Melo,
  • Dr. Milton Ossamu Mori,
  • Cicero Nogueira da Silva,
  • Paolla Cardoso,
  • Morgana Aparecida Miranda dos Santos, 
  • Victória Steimer,
  • Wanderley Barbosa Alce,
  • Mauricio de Barros Costa Marques Bumlai, 
  • Júlio César Komiyama,
  • Denise Ferreira de Macedo Abrão,
  • Nádia Ayume Arakaki,
  • Maria Aparecida Barbosa de Lima,
  • Miguel Seba Neto,
  • Guilherme Moreira Só Victório,
  • Fernando Henrique Martins de Paiva,
  • Maria Rita Ribeiro da Silva,
  • Regi da Silva,
  • Flavio Franca dos Santos,
  • Rogerio Rodrigues Rosalin,
  • Aparecida de Oliveira Félix Ferreira,
  • Gustavo da Costa Marques,
  • Jaqueline Miriam Dolenkei,
  • Sérgio da Cunha Castro Junior,
  • Perci Antonio Centenaro,
  • Waldir Marques Claro,
  • Ricardo Antônio de Lemos,
  • Anderson Wesley de Souza Dias,
  • Yeiki Yamazato,
  • Vanessa Tramontini Maiolino,
  • Dra. Mercedes Rocha, 
  • Fumiko Sokem,
  • Francisco José Ferreira,
  • Elizandra Barbosa Spence,
  • Fernando Augusto da Cruz Martins,
  • Márcia Alexandre de Oliveira Garrido,
  • Maria Cláudia Nunes Maia,
  • Alfredo Reis de Macedo,
  • Thiago Mário Vieira,
  • Paulo Jorge Alencar,
  • Inácio de Souza Mattos,
  • José Inácio Moreira da Silva,
  • Waldemar Maia,
  • Lúcia Helena Ziliotto,
  • Carlos Medina Vilalba,
  • Marco Antônio Benincasa Zenaro,
  • Dr. Renato Loureiro, 
  • Wanderley França,
  • Maria Rosa Teles da Silveira Runte,
  • Olivério Guilherme da Silva,
  • Hélio Coelho Cardoso,
  • Vanessa Elkhoury Rezende, 
  • José Bruno Franco Teixeira,
  • Elizeth Alves Dias,
  • Catarino de Pinho,
  • Diva Rocha Espíndola,
  • Flávia Correa Paes,
  • Adriana Ferreira dos Santos,
  • Edna Nakasone,
  • Jiskia Sandri Trentin,
  • Sônia da Silva Oshiro,
  • Ricardo Oliveira Zwarg,
  • Alexandre Jenson Lins,
  • Márcio Roberto dos Santos,
  • Dulce Elena Cavalli Pereira,
  • Agostinho Ferreira Cação,
  • Genésio Ferreira Lima,
  • Edir Aparecida Ferreira Gomes,
  • Pollyana Rodrigues de Freitas,
  • Alex Pereira de Oliveira,
  • Ilda de Oliveira Caetano Martins da Rocha,
  • Gizelli Karol Both Palermo,
  • Adriana Bordim Molina,
  • Joice Stein,   
  • Antonio Celso Galhardi,
  • Josyane Castello Biassi,
  • Edimara Inez Martelli Woehl,
  • Lidiane Cristina Cornaccini Sallesse Lorenzoni,
  • Patrícia Elias Cozzolino,
  • Jean dos Santos,
  • Lúcio Ribeiro de Sousa,
  • Elaine Mara de Brito Gois e Silva,
  • Willian Afonso de Almeida,
  • Mônica Nunes da Silva,                 
  • Alexsandra Vera Penha, 
  • Maria Rosaria de Carvalho Magalhães,
  • Raquel da Silva Oliveira,    
  • Leyse Mara Toscano Lopes,
  • Isaura de Oliveira Pereira,
  • Pedro Rosa,
  • Aline Castilho Guimarães.

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Preservação histórica

Artista lança em julho cartilha ilustrada sobre complexo ferroviário de Campo Grande

Projeto Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário será lançado no Casarão Thomé com exposição, teatro, música e palestra sobre preservação do patrimônio histórico

29/06/2026 08h30

Projeto iniciado em 2024, Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário ganha segunda etapa com foco na história das ferrovias em Mato Grosso do Sul

Projeto iniciado em 2024, Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário ganha segunda etapa com foco na história das ferrovias em Mato Grosso do Sul Dafne Alana

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Os trilhos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) não apenas transportaram passageiros e mercadorias. Eles ajudaram a desenhar o mapa de Campo Grande e influenciaram diretamente a formação econômica, social e cultural de Mato Grosso do Sul.

Mais de um século depois, parte dessa história permanece de pé em estações, casas ferroviárias e construções históricas espalhadas pela Capital, enquanto outras sucumbem lentamente ao abandono e à ação do tempo.

É justamente para impedir que essas memórias desapareçam que nasce a segunda edição do projeto Resquícios do Tempo, da artista visual Sara Welter, conhecida artisticamente como Syunoi.

A nova cartilha ilustrada, intitulada Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário, será lançada no dia 3 de julho, a partir das 17h, no Casarão Thomé, em Campo Grande, durante um evento gratuito que reunirá pesquisa histórica, artes visuais, teatro, música e debates sobre preservação patrimonial.

Além do caráter educativo, a publicação propõe um novo olhar sobre a ferrovia que impulsionou o crescimento da cidade e transformou a região em um importante polo de desenvolvimento.

Projeto iniciado em 2024, Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário ganha segunda etapa com foco na história das ferrovias em Mato Grosso do SulDesenhos de nanquim e carvão ajudam a transmitir o desgaste sofrido pelos locais históricos de Campo Grande
Foto: Dafne Alana

ARTE QUE PRESERVA

A origem do projeto remonta à pandemia, quando Sara iniciou uma pesquisa independente sobre prédios históricos e abandonados de Campo Grande.

A curiosidade em entender a história desses lugares, muitas vezes ignorados por quem passa diariamente por eles, resultou em uma série de desenhos produzidos em nanquim e carvão.

Foi essa coleção artística que deu origem, em 2024, à primeira cartilha Resquícios do Tempo: Redescobrindo Campo Grande, distribuída gratuitamente em escolas, bibliotecas e espaços culturais da cidade.

“A ideia surgiu primeiro pelos desenhos. Eu queria entender o que eram aqueles lugares que estavam no cotidiano da cidade e passavam despercebidos pela maioria das pessoas. Alguns estavam abandonados. Os desenhos foram uma forma de guardar esses espaços na memória e manter essas histórias vivas”, explica a artista.

Ela lembra que um dos casarões retratados na primeira edição desabou poucos meses após o lançamento da cartilha.

“Hoje só restaram os desenhos e as fotografias daquele lugar. Isso mostra como a arte também pode ser uma forma de preservação”, afirma.

Ao todo, cerca de 2.500 exemplares da primeira edição, incluindo versões em braille, foram distribuídos gratuitamente.

TRILHOS DE CG

Se na primeira edição o foco estava em patrimônios históricos diversos da Capital, desta vez a pesquisa voltou-se exclusivamente ao Complexo Ferroviário da antiga NOB, conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Segundo Sara, a escolha do tema nasceu da importância que a ferrovia possui para a história do Estado.

“Desde criança eu ouvia falar dos trens cruzando o Pantanal, das pessoas que chegaram aqui de trem. Sempre tive curiosidade de entender melhor essa história. Depois de conversar com pesquisadores e pessoas que trabalham com patrimônio, percebi que era necessário fazer uma pesquisa mais profunda”, conta a artista.

Durante meses, ela mergulhou em documentos, bibliografias, entrevistas e visitas aos locais históricos ao lado da arquiteta Bruna Costa Dias, integrante da equipe do Iphan em Mato Grosso do Sul.

Enquanto Bruna ficou responsável pelo levantamento técnico e histórico, Sara percorreu os espaços retratados, registrando detalhes arquitetônicos, fotografando edificações e ouvindo relatos de moradores.

O resultado é uma cartilha que reúne informações sobre 12 patrimônios ligados à ferrovia, entre eles a Estação Ferroviária, o Casarão Thomé, a Casa da Chefia, a Casa dos Empregados, a Caixa D’Água da NOB, a antiga baldeação para Ponta Porã e os vagões abandonados que permanecem como testemunhas silenciosas da história.

CONSTRUÇÃO

A nova edição exigiu aproximadamente quatro meses de produção.

Foram cerca de dois meses dedicados à pesquisa histórica, seguidos por outros meses de elaboração das ilustrações e finalização editorial.

Cada desenho foi produzido manualmente em nanquim e carvão, técnica que acompanha a artista desde o início de sua trajetória.

“O ‘Resquícios’ fala justamente desse abandono, desses lugares antigos dos quais sobraram apenas restos e histórias. O nanquim e o carvão ajudam a transmitir essa estética do desgaste do tempo, dos contrastes, da memória que insiste em permanecer”, detalha.

Embora todos os desenhos utilizem a mesma técnica, Sara explica que o tempo de produção varia conforme a riqueza de detalhes de cada construção.

“Alguns são muito mais complexos, exigem bastante observação e comparação com fotografias antigas e atuais. Produzir toda a série demanda bastante tempo”, pontua Sara.

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

Assim como ocorreu na primeira edição, a nova cartilha terá distribuição gratuita em escolas, bibliotecas, instituições culturais e também contará com exemplares em braille.

Além disso, oficinas educativas voltarão a fazer parte do projeto.

Na edição anterior, estudantes da Rede Municipal de Ensino (Reme) conheceram a história de diferentes patrimônios de Campo Grande e produziram desenhos que deram origem à chamada “Árvore da Memória”, instalação coletiva construída durante as atividades.

“As oficinas ajudam os alunos a compreender que aqueles lugares contam a história da cidade e também fazem parte da história deles. Todo mundo fica muito curioso para saber como os desenhos foram feitos e quais histórias existem por trás de cada patrimônio”.

Para Sara, iniciativas como essa fortalecem a educação patrimonial.

“A educação patrimonial faz com que as pessoas entendam a importância de conservar nossa história. É isso que mantém nossa cultura viva”, afirma.

PROGRAMAÇÃO

O lançamento da cartilha foi pensado como um encontro entre diferentes expressões culturais.

Durante toda a programação, o público poderá visitar a exposição com os desenhos originais produzidos para a publicação.

O evento contará ainda com palestra do historiador José Augusto Carvalho dos Santos, chefe da Divisão Técnica do Iphan em Mato Grosso do Sul, abordando a importância da preservação do patrimônio histórico.

Também haverá intervenção cênica do espetáculo “As Miragens do Asfalto”, apresentada pelo Teatro Imaginário Maracangalha.

Na parte musical, a banda Alien Sputnik fará um show acompanhado por um video mapping criado por Natacha Ik, projetado nas paredes do Casarão Thomé.

As imagens utilizadas na projeção foram produzidas a partir da video-performance da artista Madu Flores, registrada em um percurso performático filmado por Eduardo Marques e por Sara Welter.

>> Serviço

Lançamento da cartilha Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário

Data: Sexta-feira;
Horário: a partir das 17h;
Local: Casarão Thomé;
Endereço: Rua 14 de Julho, nº 3.169, Bairro São Francisco, Campo Grande;

A entrada é gratuita.

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