Correio B

CAMPO GRANDE

FenaSul começa na sexta-feira com música, gastronomia e cultura gaúcha

40 expositores estarão no local com chocolate de Gramado, vinhos, queijos, salames, bolacha colonial, cucas, chimarrão, suco de uva, panelas, entre outros

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A tradicional FenaSul está de volta.

A Feira Gaúcha ocorre de 3 a 12 de julho de 2026, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, localizado na rua Américo Carlos da Costa, número 320, Jardim Américo, em Campo Grande.

A feira exibe a cultura, gastronomia, moda, música, dança e cotidiano da região Sul em Mato Grosso do Sul.

Chocolate de Gramado, vinhos, queijos, salames, costela fogo de chão, doces artesanais, doces cristalizados, geleias, chimias, bolacha colonial, cucas, chimarrão, suco de uva, panelas, louças, tapetes em couro, botas de couro, chapéu country, casacos, bolsas, acessórios e calçados da região Sul do Brasil estarão à amostra. Ao todo, 40 expositores participarão do festival.

Em muitos anos, a feira aconteceu no Círculo Militar, localizado na avenida Afonso Pena, mas, de alguns anos para cá, mudou de lugar, para o Parque de Exposições.

Deus é brasileiro

Freiras torcedoras de Dourados já têm mais de 8 milhões de views

Irmãs Clarissa do Mosteiro Santa Maria dos Anjos voltaram a viralizar na internet com a comemoração após a virada do Brasil sobre o Japão na última segunda-feira (29)

30/06/2026 14h30

"Foi por isso que o Brasil ganhou", diziam comentários na publicação Reprodução

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As freiras do Mosteiro Santa Maria dos Anjos, de Dourados, que voltaram a viralizar nas redes sociais com um vídeo da torcida celebrando a virada da Seleção Brasileira sobre o Japão na última segunda-feira (29), já acumulam mais de 8,2 milhões de visualizações. 

O grupo chamou a atenção justamente pelo contraste da vida reservada das fiéis, que moram no local em busca de uma vida de oração e trabalho interno, com a celebração acalorada diante da vitória do Brasil por 2 a 1 no jogo da primeira fase do mata-mata da Copa do Mundo.

Na rede social do Mosteiro, foram publicados dois vídeos, um de cada gol da seleção. O primeiro já tem mais de 601 mil visualizações  e mais de 3,5 mil comentários. Já o segundo vídeo, do gol da virada, acumula mais de 6,3 milhões de visualizações e 19,7 mil comentários. 

Mas essa não é a primeira vez que as mulheres chamam a atenção pela torcida nos jogos. Na página oficial do mosteiro, elas também aparecem torcendo no último jogo da fase de grupos da Seleção, no dia 24 de junho, contra a Escócia. 

A vitória do Brasil também rendeu celebrações das Irmãs Clarissas que também viralizaram, com 1,6 milhões de visualizações. O jogo aconteceu em uma noite fria em Dourados. Por isso, as freiras aparecem com cobertores e abraçadas a baldes de pipoca, mesa decorada de verde e amarelo e balançando bandeirinhas do Brasil. 

No instagram, as Irmãs afirmaram que o jogo contra a Escócia foi o primeiro que conseguiram assistir, devido a rotina de orações e que estavam preparadas para assistir o jogo contra o Japão. 

A comemoração acalorada no jogo de ontem chamou a atenção da imprensa nacional e internacional. O vídeo foi compartilhado por jornais como o Correio Braziliense, Uol, Terra e BBC e também foi repostado pelo ator Jhonatan Roumie, conhecido pelo seu papel de Jesus na série The Chosen.

Em nota, o Mosteiro afirmou que não estão conseguindo responder às mensagens e pedidos de entrevistas devido à vida de oração, mas que irão assistir ao jogo no próximo domingo, quando o Brasil enfrenta a Costa do Marfim ou a Noruega (quem vencer a partida de hoje), às 16h (de MS). 

"Devido a viralização do nosso vídeo nas redes, estamos recebendo muitos pedidos de entrevistas e muitas mensagens, agradecemos a todos! Ficamos muito felizes com a repercussão positiva do nosso vídeo, no entanto, a nossa vida de oração é bastante exigente, por isso não conseguiremos responder mais pedidos de entrevistas ou solicitações. Estamos rezando por todos, e no domingo estaremos juntos para ver o Brasil novamente!", afirmou. 

Apesar da vida reservada, o mosteiro participa de celebrações especiais da Igreja Católica e recebe visitas de bispos e padres. Parte desses momentos costuma ser compartilhada nas redes sociais, como uma maneira de aproximação entre a comunidade digital e a fé.

Veja o vídeo abaixo. 

Trajetória de sucesso

Pioneiro no fotojornalismo, Roberto Higa viu Mato Grosso do Sul nascer

Fotojornalista está em cuidados paliativos, após um câncer na garganta; cercado pela família e por um dos maiores acervos fotográficos do Estado, ele fala sobre a profissão, o legado e a serenidade com que encara o fim da vida

30/06/2026 08h30

Cercado de fotografias, objetos e alguns dos reconhecimentos profissionais, Higa tem um verdadeiro museu de sua vida em casa

Cercado de fotografias, objetos e alguns dos reconhecimentos profissionais, Higa tem um verdadeiro museu de sua vida em casa Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Há milhares de fotografias espalhadas pela casa de Roberto Higa. Negativos cuidadosamente organizados por data e assunto ocupam gavetas, armários e caixas. Troféus dividem espaço com câmeras antigas. Nas paredes, décadas de reconhecimento lembram uma carreira que atravessou toda a história de Mato Grosso do Sul.

Mas, sentado em uma cadeira na sala onde reuniu as homenagens que recebeu ao longo de seus 74 anos de vida, o homem que registrou alguns dos momentos mais importantes do Estado fala pouco sobre prêmios. A voz, enfraquecida pelo câncer na garganta, exige pausas constantes e goles de água. Cada frase é medida.

Em cuidados paliativos, Higa tomou uma decisão que resume a forma como encara este momento.

“Eu pedi esse tratamento paliativo. Todos os médicos concordaram. Tiraram meus remédios. Hoje eu tomo só remédio para a dor. O resto tirei tudo. Chega”, conta Higa, já cansado de viver limitado pela doença. 

Não há revolta em sua fala. Tampouco resignação amarga. Existe, sobretudo, a consciência de quem acredita ter vivido intensamente.

“Eu já fiz tudo. Tudo o que você imagina que tenha acontecido neste Estado, eu vi. Participei da vida de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Para quê continuar?”, indaga o fotógrafo, rodeado por prêmios e congratulações que, segundo ele, nada mais são do que a consequência de um trabalho bem-feito.

Ao lado dele está Sandra, companheira de cinco décadas, a quem Higa se dirige o tempo todo como “paixão”. É ela quem completa as frases quando a voz do marido falha, organiza o acervo, cuida da rotina e ajuda a preservar uma das maiores coleções fotográficas da história sul-mato-grossense.

Cercado de fotografias, objetos e alguns dos reconhecimentos profissionais, Higa tem um verdadeiro museu de sua vida em casaCasados há 50 anos, Roberto e Sandra dividem os últimos momentos do fotógrafo com leveza, paixão e a proximidade da família
Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Sem produzir saliva, Higa precisa interromper a conversa constantemente para beber água. A alimentação é difícil. A dor é controlada com morfina administrada diariamente.

“Não é medo de morrer”, explica. “É que chega uma hora em que você pensa no sofrimento da família. Eu fui uma pessoa muito ativa. Hoje tudo depende dos outros. Para mim, chega”, afirma.

Mesmo assim, o humor permanece. Enquanto relembra histórias do jornalismo, brinca sobre a profissão, conta episódios de carnaval, ri das próprias lembranças e, ao perceber uma câmera apontada para ele, segura uma máquina fotográfica como fez durante toda a vida.

Ainda que já não tenha a mesma força na mão e a agilidade nos dedos, a fotografia continua sendo sua forma mais natural de existir.

VIU MS NASCER

Muito antes da popularização das câmeras digitais ou dos celulares, Roberto Higa já percorria ruas, estradas, gabinetes, aldeias indígenas, festas populares, inaugurações e acontecimentos políticos com uma câmera pendurada no pescoço.

Sua história começou em 1969, no extinto Diário da Serra. Entrou para o jornal em serviços gerais, mas a curiosidade falou mais alto. Foi ali que conheceu o fotógrafo Danton Garro, considerado o seu mestre.

Em troca das primeiras aulas de fotografia, Higa ajudava a cuidar dos filhos do professor depois da escola. A parceria mudaria a sua vida.

Poucos anos depois, já era um dos principais repórteres fotográficos de Campo Grande.

Em 1973, foi contratado pela Editora Abril, em São Paulo, oportunidade rara para um fotógrafo do então Mato Grosso. A saudade da família, entretanto, falou mais alto. Dois anos depois retornou a Campo Grande, trabalhou no Jornal da Manhã e, posteriormente, criou sua agência de fotojornalismo.

Ao longo das décadas, fotografou praticamente todos os acontecimentos relevantes do Estado.

Registrou a criação de Mato Grosso do Sul, a inauguração de prédios históricos, visitas presidenciais, acontecimentos políticos, manifestações culturais, o cotidiano da população, povos indígenas, transformações urbanas e personagens que ajudaram a construir a identidade sul-mato-grossense.

“Eu fotografava sabendo que estava fazendo parte da história”, relata.

Essa consciência sempre orientou seu trabalho.

Entre as lembranças mais curiosas está a inauguração da segunda escada das Lojas Pernambucanas no Brasil, instalada em Campo Grande. O sucesso da novidade era tamanho que as pessoas ficavam subindo e descendo apenas pela diversão.

“Tiveram que fechar um lado, porque o povo não queria sair da escada”, relembra.

PRIMÓRDIOS DA FOTOGRAFIA

Quando Higa começou, ser fotógrafo exigia muito mais do que apertar um botão. Era preciso dominar equipamentos pesados, revelar filmes, improvisar laboratórios e trabalhar cercado por produtos químicos.

“O fotógrafo precisava ter visão e reflexo. Sem isso, tinha que se aposentar”, conta o fotógrafo sobre os tempos da fotografia analógica.

Os laboratórios improvisados funcionavam muitas vezes em banheiros. Ali eram utilizados compostos como hidroquinona, sulfito, bórax, fosfato de sódio e ácido acético.

Em uma dessas ocasiões, Higa sofreu uma grave intoxicação. Respirou ácido acético durante horas sem perceber. O corpo começou a inchar rapidamente e ele precisou ser internado. Mesmo assim, voltou ao trabalho.

Hoje observa a evolução tecnológica sem nostalgia exagerada e reconhece que os celulares democratizaram a fotografia. “Hoje todo mundo fotografa. E a tecnologia ficou tão boa que a foto fica boa mesmo”, admite.

Ainda assim, acredita que nenhuma tecnologia substitui o olhar. Durante décadas, foi justamente esse olhar que tornou seu trabalho reconhecido dentro e fora do Brasil.

Suas imagens de lideranças indígenas, especialmente do líder guarani Marçal de Souza, circularam internacionalmente e integraram exposições dedicadas à luta dos povos originários.

ARQUIVO INTACTO

Enquanto muitos fotógrafos perderam ou descartaram seus negativos ao longo do tempo, Higa fez o contrário. Guardou praticamente tudo. O resultado é um acervo gigantesco.

São mais de 10 mil envelopes catalogados, cada um contendo dezenas ou até centenas de negativos. Além disso, há milhares de slides, álbuns, ampliações, cartões-postais produzidos por ele e documentos históricos.

Sandra, responsável por cuidar e catalogar cada uma das imagens, calcula que um único envelope pode reunir entre 200 e 300 negativos.

A organização continua sendo feita manualmente. Ela passa dias inteiros digitalizando imagem por imagem.

Os slides precisam ser retirados das caixas, limpos individualmente, secos e armazenados novamente. “Eu sei que não vou conseguir terminar esse trabalho”, admite ela, dada a imensidão do acervo.

A preocupação do casal, porém, vai além do volume. Ao longo dos anos, diferentes instituições públicas demonstraram interesse em receber o acervo.

O problema, segundo eles, é que quase sempre a proposta era uma doação. “Ninguém quer ajudar a preservar. Querem que a gente doe”, conta Sandra, já decepcionada com experiências dolorosas.

Em determinada ocasião, Higa doou quadros para uma universidade. Quando voltou ao local algum tempo depois, encontrou as obras jogadas no chão, servindo de apoio para evitar a umidade de cartazes. A cena jamais foi esquecida.

“Agora não sai daqui uma foto sem pagar. Se usar sem autorização, responde judicialmente”, pontua Sandra, que tenta proteger o trabalho do marido.

Esse cuidado ocorre porque o uso indevido de imagens se tornou frequente. Segundo Sandra, fotografias históricas aparecem constantemente em publicações sem qualquer autorização ou remuneração.

O RECONHECIMENTO QUE FALTA

Ao longo da carreira, Roberto Higa recebeu homenagens da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, da Câmara Municipal de Campo Grande, do governo do Estado e de diversas entidades. Sua sala reúne décadas de placas, medalhas e troféus.

“Foi tudo o que a fotografia me deu”, declara.

Apesar disso, a família acredita que o reconhecimento institucional nunca correspondeu à importância de seu trabalho.

Sandra lembra um episódio que ainda causa indignação. Em um edital voltado para artistas com mais de 60 anos, promovido pela Fundação Municipal de Cultura, Higa não foi selecionado.

“Todo mundo diz que ele é patrimônio da cidade. Mas, quando precisa reconhecer de verdade, deixam de fora”, relata revoltada a esposa.

A preocupação maior, entretanto, está no futuro. Os filhos já deixaram claro que pretendem proteger o acervo. Sabem que, após a sua morte, muitas instituições poderão demonstrar interesse. Mas acreditam que qualquer iniciativa precisa garantir preservação adequada, respeito à autoria e reconhecimento pelo trabalho de uma vida inteira.

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