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Prefeitura tem plano se Consórcio Guaicurus entregar a concessão

Medida foi determinada pelo Ministério Público por causa dos recorrentes problemas no transporte público

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A Prefeitura de Campo Grande já tem um “plano B” para o caso do Consórcio Guaicurus, concessionária responsável pelo transporte coletivo e urbano da Capital, devolva a concessão. 

A medida prevê que a administração assuma as operações no caso de eventual abandono das empresas.

De acordo com o diretor executivo da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Otávio Figueiró, o pedido para que houve essa alternativa foi do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio de uma interpelação judicial.

“O Ministério Público pediu para o município, através de uma interpelação judicial, apresentar um plano B se o consórcio parar para saber o que vamos fazer. 

"O município vai assumir se precisar, vai fazer uma contratação de emergência de todos os funcionários do consórcio e assumir a operação." 

"A gente não quer chegar nesse ponto, porque 3 dias de transporte parado acaba com tudo”, detalhou Figueiró.

Ainda conforme o diretor da Agereg, para que isso funcionasse, além de contratar os funcionários que hoje atuam no Consórcio Guaicurus, a prefeitura também assumiria a estrutura que hoje é utilizada pelas empresas que formam o grupo.  

“A prefeitura é a responsável, se o consórcio disse ‘estou entregando a concessão’, imediatamente a prefeitura tem que assumir a operação. 

Como assumir? Ela vai pegar toda a estrutura do consórcio e vai assumir toda a operação”, explicou.

Apesar de o plano estar montado, Figueiró garante que não há possibilidade de que isso seja necessário, pelo menos não neste momento. 

“Não vai chegar a esse ponto, isso já está bem conversado, muita coisa se resolve dando atenção”, garante." 

“Essa empresa presta um serviço que a Constituição Federal diz que é social, então ele não pode parar e a gente tem que cuidar para que ele não pare”, completou.

Entretanto, o Consórcio Guaicurus vem reclamando há anos sobre a redução do número de passageiros o que, segundo o grupo, tem trazido prejuízo para as empresas, em vez de lucro.  

Dados que a Agereg informou ao Correio do Estado este ano mostram que no ano passado, início da pandemia da Covid-19, o Consórcio Guaicurus teve mais despesas do que faturamento.

O que fez com que o conjunto de empresas que operam o transporte público na Capital terminasse com deficit nas contas. Em 2019, a empresa teve uma receita de R$ 166 milhões e uma despesa de R$ 158 milhões. 

Com margem de lucro de R$ 8 milhões, a situação foi melhor que no ano passado, quando as despesas continuaram altas, R$ 112 milhões, mas a receita caiu para R$ 92 milhões, um saldo negativo de R$ 20 milhões.

“Quando começou a vigência desse contrato em 2012, foi feito de uma forma onde o número de passageiros iria aumentando com o decorrer dos anos." 

"Ocorre que ninguém esperava que o Uber iria aparecer, que a gente teria tanta facilidade para compra moto, para comprar bicicleta elétrica, dentre outras coisas que fizeram com que o usuário do transporte coletivo diminuísse muito enquanto a cidade continuasse crescendo." 

"Então o que aconteceu foi que diminuiu o número de passageiros, aumentando o custo”, explica Figueiró.

Conforme a Agência, de 2017 até hoje houve uma redução de 44% do número de usuários do transporte coletivo em Campo Grande. 

Atualmente, conforme a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), 77.805 passageiros transitam diariamente pelos terminais da Capital – Aero Rancho, Bandeirantes, General Osório, Guaicurus, Júlio de Castilho, Morenão, Moreninhas e Nova Bahia – e o ponto de integração Hércules Maymone.

Número referente a quantidade de usuários do transporte público na cidade.

TARIFA

Um dos problemas apontados pelo Consórcio Guaicurus é justamente o valor da tarifa do transporte coletivo. Em 2020 a prefeitura concedeu um reajuste de apenas R$ 0,10, passando a tarifa de R$ 4,10 para os atuais R$ 4,20. 

Este ano, de acordo com a Agereg, se fosse levado em conta a fórmula de cálculo que está no contrato de concessão, a passagem poderia chegar a R$ 5,27.

De acordo com a própria Agência, a prefeitura não deverá reajustar a passagem para esse valor e o próprio prefeito Marcos Trad (PSD) já afirmou ao Correio do Estado que o aumento deverá ser apenas feito levando em consideração a inflação do período e não todos os cinco indicadores que hoje incidem sobre a tarifa.  

Com isso, o valor poderia chegar a R$ 4,69, levando em consideração a afirmação do prefeito e o acumulado dos últimos 12 meses do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é de 11,75%.  

“O contrato fala que todos os anos deve ter o reajuste da tarifa, só que nós chegamos num ponto que a tarifa está alta e o serviço já não é de qualidade. Então o prefeito segurou a tarifa até agora." 

"O Consórcio não cumpriu algumas coisas, mas nós também não cumprimos algumas coisas com eles porque não foi possível cumprir”, afirmou o diretor executivo.

Entretanto, pesquisa feita Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) encomendada pelo Correio do Estado, mostra que quase 100% da população que usa o transporte coletivo acha que a atual tarifa do serviço, de R$ 4,20, é muito cara ou cara.

Ao serem perguntados sobre o valor da passagem, 53,03% dos entrevistados classificaram a tarifa como muito cara, outros 45,76% como cara. 

Apenas 0,61% disseram que o cobrado era barato e 0,30% acham que ele é muito barato. Outro 0,30% não souberam ou não quiseram responder.  

As entrevistas foram feitas entre os dias 3 e 4 de dezembro deste ano, com 330 pessoas de 18 anos ou mais. 

O estudo foi realizado de maneira presencial e os participantes foram abordados em todos os terminais de ônibus de Campo Grande. 

A margem de erro considerada para a pesquisa é de 5,4 pontos percentuais, para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95%.

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HABEAS CORPUS

Justiça concede liberdade a cardiologista suspeito de feminicídio

O médico João Jazbik Neto foi apontado como principal suspeito da morte de sua esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, após divergência nas narrativas

23/05/2026 10h30

Imóvel na Chácara dos Poderes onde a fisioterapeuta foi encontrada morta a tiros

Imóvel na Chácara dos Poderes onde a fisioterapeuta foi encontrada morta a tiros Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, teve sua liberdade concedida pela Justiça de Campo Grande após a defesa dar entrada no habeas corpus.

Na última segunda-feira (18), o médico teria encontrado o corpo de sua mulher, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, em uma propriedade rural na Chácara dos Poderes, na Capital sul-mato-grossense, acionando a Polícia Civil logo em seguida. Para que prestasse esclarecimento, o cardiologista foi detido e, desde então, estava preso.

Durante audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira (20), o juiz converteu a prisão em flagrante do médico em prisão preventiva.

A decisão ocorreu enquanto a Polícia Civil aprofundava as investigações sobre as circunstâncias da morte de Fabíola. Embora o caso tenha sido inicialmente tratado como possível suicídio, divergências identificadas nos depoimentos e elementos encontrados pela perícia levaram à abertura de um inquérito complementar para apurar eventual feminicídio.

Segundo a investigação, foi o próprio médico quem acionou a Polícia Civil informando ter encontrado a esposa já sem vida dentro da propriedade onde o casal morava. No entanto, durante as oitivas, policiais identificaram inconsistências entre a versão apresentada por Jazbik Neto e os relatos de outras testemunhas que estavam no local.

Além disso, conforme já havia informado o delegado da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Leandro Santiago, a lesão encontrada na cabeça da vítima não seria compatível, preliminarmente, com a dinâmica narrada pelo médico.

As investigações também apontaram que, após a morte da fisioterapeuta, o cardiologista teria determinado que um caseiro e um ex-funcionário removessem um armário contendo armas e munições para outro imóvel dentro da chácara. A conduta foi enquadrada como fraude processual, levando à prisão em flagrante dos envolvidos.

Agora, cerca de cinco depois do caso, nesta sexta-feira, o responsável pela defesa de Jazbik Neto, o advogado José Belga Assis Trad, confirmou que o médico será liberado em breve, após ter sido concedida sua liberdade. "Confirmo que foi concedido o Habeas Corpus. Ele está sendo colocado em liberdade", disse.

Um dia após o caso vir à tona, José Trad divulgou uma nota em sua rede social, a qual afirma que o cardiologista foi autuado em flagrante pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Mesmo que sua liberdade tenha sido concedida pela Justiça, o médico terá que usar tornozeleira eletrônica.

Vale lembrar que João Jozbik Neto é conhecido por ter feito parte da equipe médica do primeiro transplante de coração em Mato Grosso do Sul, em 23 de setembro de 1994. O paciente foi um jovem de 27 anos que apresentava miocardiopatia.

Os transplantes de coração na Santa Casa foram suspensos em 2005 e retomados em fevereiro de 2013. Jazbik Neto também estava na equipe médica na retomada de transplantes no hospital, em cirurgia realizada em um homem de 50 anos.

Detalhes do caso

A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta a tiro em uma chácara na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Jazbik Neto acionou a Polícia Civil e informou que já a encontrou em óbito. No entanto, de acordo com o delegado da Deam, Leandro Santiago, em entrevistas prévias, o médico e outras testemunhas que se encontravam no local divergiram nas versões apresentadas.

Além disso, perícia preliminar constatou que a lesão que a vítima tinha na cabeça não condizia com a versão apresentada pelo médico.

"A equipe realizou diversas diligências na propriedade e constatou que o suspeito, companheiro da vítima, determinou que o caseiro e um ex-funcionário seu deslocassem um armário com diversas armas de fogo e munições para um casebre dentro da propriedade, o que consistiu em crime de fraude processual, motivo pelo qual os três foram autuados em flagrantes por esse crime", explicou o delegado.

"Agora iremos instaurar um inquérito complemenaar em autos apartados para apurar, sob uma perspectiva de gênero, as circunstâncias do óbito da vítima Fabíola, se se trata de um suicídio ou de uma feminicídio", concluiu Santiago.

O advogado José Belga, que representa Jazbik Neto, informou, por meio de nota, que a suspeita de feminicídio teria sido descartada pela pericía e pelos responsáveis pela investigação do caso.

"Apesar do luto e do sofrimento de que padece neste momento, o Dr. João Jasbik se colocou à inteira disposição da autoridade policial, prestando todos os esclarecimentos e concordando com a realização do exame residuográfico, afastando qualquer suspeita da hipótese de feminicídio, inicialmente considerada pela investigação", diz a nota.

No entanto, em declaração posterior, o delegado informou que não está descartada a hipótese de feminicídio e que o caso segue sob investigação.

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NOVO ASFALTO

Mesmo sem comando, secretaria de obras continua plano de licitações

Prestes a completar dois meses sem titular e depois de passar por escândalo envolvendo servidores e ex-secretário, Sisep lança primeira lista de bairros que serão beneficiados com 'pacotão'

23/05/2026 09h30

Asfalto novo deve chegar a 10 bairros de Campo Grande nos próximos meses

Asfalto novo deve chegar a 10 bairros de Campo Grande nos próximos meses Foto: Divulgação/PMCG

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A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) anunciou os 10 primeiros bairros de Campo Grande que serão contemplados com o plano de asfalto novo, mesmo após escândalos recentes que envolveram a Pasta e prestes a completar dois meses sem um secretário nomeado oficialmente.

Nesta sexta-feira (22), a Prefeitura de Campo Grande divulgou aviso de licitação para obras de infraestrutura urbana em dez bairros da Capital: Aero Rancho; Vila Nogueira; Vila Aimoré; Vila Amapá; Jardim das Nações; Jardim Los Angeles; Residencial Flores; Parque Residencial União II; Parque Residencial dos Girassóis; e Residencial Oliveira.

Porém, para que haja um andamento mais rápido das obras - de acordo com o Executivo municipal -, os bairros citados foram divididos em quatro lotes. O primeiro abrange o Aero Rancho, Vila Nogueira, Vila Aimoré e Vila Amapá, onde serão investidos R$ 12,8 milhões para pavimentação e drenagem de 2,82 quilômetros de vias.

O próximo lote envolve o bairro Jardim das Nações, que receberá R$ 11,7 milhões em obras de infraestrutura, contemplando quase 5 quilômetros de pavimentação. Em seguida, o bairro Jardim Los Angeles, onde o investimento será de R$ 10,1 milhões em obras de drenagem, pavimentação e melhorias viárias.

Por último, o lote dos residenciais, que abrange o Residencial Flores, o Parque Residencial União II, o Parque Residencial dos Girassóis e o Residencial Oliveira. Nestes trechos, as melhorias somam R$ 8,1 milhões em pavimentação, drenagem e sinalização viária. Ao todo, somando os lotes desta primeira etapa da licitação, os investimentos estão na casa dos R$ 42,7 milhões.

A concorrência será realizada de forma eletrônica. As empresas interessadas em disputar os lotes podem enviar as propostas até as 7h44 do dia 11 de junho de 2026. A abertura da sessão pública de disputa de preços está marcada para as 7h45 do mesmo dia, por meio do portal eletrônico de compras da Prefeitura

Os recursos que vão custear as obras deste plano são provenientes da bancada federal, que totalizam R$ 100 milhões, do programa Avançar Cidades, que entra com R$ 156 milhões, além de contrapartida do Município.

Plano

No dia 30 de abril, a prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou que 36 bairros ganhariam um novo asfaltos em Campo Grande, em um pacotão que soma cerca de R$ 350 milhões em investimentos. De acordo com a chefe do Executivo municipal, o plano é asfaltar 600 quilômetros (78 nesta primeira etapa) nos próximos dois anos, ou seja, até 2028.

A previsão é que os bairros, da primeira fase, comecem a ser asfaltados até 03 de julho de 2026, antes do prazo eleitoral. 

Isso porque, como esclarece o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir de 04 de julho, um prazo cerca de três meses antes da execução do 1° turno, algumas condutas por parte dos agentes públicos ficam vedadas, como: nomeações, exonerações e contratações, bem como participação em inauguração de obras públicas.

O critério para escolha dos bairros são antiguidade, tempo de espera e bairros que estão “ilhados” sem pavimento em meio a outros bairros que já são asfaltados há anos. Além disso, bairros asfaltados, mas com pavimentação “velha”, serão recapeados, ainda segundo Adriane.

“Juntamente com a equipe técnica de engenheiros e arquitetos de planejamento da cidade, nós decidimos [a questão do asfalto] por regiões. [Os critérios foram] antiguidade, tempo de espera, projetando a cidade e fechando todos os bairros que estavam entre bairros assaltados”, detalhou a prefeita.

Caos

A Sisep está sem um titular há exatos 53 dias, desde que o então secretário Marcelo Miglioli deixou o cargo para se concentrar nas eleições deste ano. Desde então, a prefeita Adriane Lopes deixou claro que o sucessor deverá ser Paulo Cançado, que atualmente o cargo de secretário-adjunto da Pasta. Contudo, até o momento, não houve nomeação oficial por parte da Prefeitura.

Vale lembrar que, durante este período sem secretário, a Pasta foi alvo de investigações e mandados do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), no âmbito da Operação Buraco sem Fim.

Na ocasião, uma investigação do órgão identificou a existência de uma organização criminosa que atuaria na fraude da execução do serviço de manutenção de vias públicas de Campo Grande. Ainda conforme a apuração, o grupo manipulava medições e a fazia a realização de pagamentos de obras que não havia sido necessariamente feitas.

O esquema era operado, segundo o MPMS, dentro da Sisep e teria começado em 2017. A investigação ainda afirma que os contratos alvo vão até 2025. Diante disso, sete pessoas foram presas por envolvimento no prática criminosa, incluindo três ex-servidores (Erick Antônio Valadão Ferreira de Paula, Edivaldo Aquino Pereira, Fernando de Souza Oliveira e Mehdi Talayeh) e Rudi Fiorese, que comandou a Pasta entre os anos investigados.

Até o momento, todos seguem preso. Inclusive, no dia 15 de maio, o desembargador Zaloar Murat Martins de Souza, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), negou o pedido de liberdade feito pela defesa de Mehdi Talayeh, Rudi Fiorese e Edivaldo Aquino Pereira. Em sua decisão, o desembargador afirmou que, diante das funções de cada um dos citados no esquema, há elementos para manter as prisões preventivas.

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