Cidades

FEMINICÍDIO

Mulher mata esposa por enforcamento em Três Lagoas

Após crise de ciúmes, suspeita que matou disse ter esganado mulher para tirar o espírito do corpo da esposa que estava incorporada

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Nesta quarta-feira, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) de Três Lagoas, prendeu uma mulher de 43 anos, suspeita de matar a sua esposa, de 46 anos. O caso ocorreu na tarde da última terça-feira por volta das 14h30 na cidade a pouco mais de 375 km de Campo Grande.

Identificada como Laura Rosa Gonçalves, a mulher foi presa em flagrante, após denúncia dos vizinhos, que Solene Aparecida Ferreira Correa estava ferida na casa do casal.

Ao chegar no local, os policiais encontraram a suspeita do lado de fora da casa, já afirmando que queria se entregar por matar a companheira. Quando entraram no imóvel Solene estava sem vida no chão com marcas de violência, e haviam pedaços de espelho quebrado perto da entrada para o quarto.

Segundo depoimento de Laura, as duas tiveram uma discussão na última terça-feira, motivada por questões financeiras e por ciúmes, que resultou em briga corporal. Durante a briga, Solene teria ido para cima de Laura com uma faca, a acertando na mão.

Em meio a briga, Laura teria imobilizado Solene pelo pescoço, e retirou o objeto cortante da mão da companheira, mas mesmo após ter feito isso, a suspeita continuou a esganar.

De acordo com a Polícia Civil, Laura disse ter continuado imobilizando Solene porque acreditava que Solene estava incorporada por espíritos no momento da briga, e queria retirá-los.

As duas mantinham um relacionamento de cerca de 2 anos, mas haviam se separado e retomado a 2 meses, após Solene retornar para Três Lagoas, onde voltaram a morar juntas e se relacionarem secretamente.

Contra a suspeita já havia medidas protetivas impostas por Solene, deferidas em Campo Grande em julho deste ano. Laura ainda usa tornozeleira eletrônica pelo histórico de agressões contra a vítima.

Devido a motivação do crime, a delegada responsável pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) de Três Lagoas prendeu Laura por feminicídio. “O crime ocorreu em contexto de violência doméstica e diante da gravidade dos fatos, a prisão preventiva é necessária para garantia da ordem pública”, destacou.

A casa onde ocorreu o crime foi periciada. A faca utilizada por Solene, assim como os celulares de ambas foram apreendidos para investigação que continuará pela equipe da delegacia especializada. O corpo de Solene foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), de Três Lagoas.

A residência foi periciada e a vítima encaminhada ao IMOL. Faca e celulares foram apreendidos e as investigações continuarão pela equipe da delegacia especializada.

Feminicídios em MS

Conforme levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), esse é 31° caso de feminicídio em Mato Grosso do Sul desde o dia 1° de janeiro de 2025, o que representa uma média de 3 crimes dessa natureza por mês. Veja os casos:

primeiro caso de 2025 sendo a morte de Karina Corin, de 29 anos, nos primeiros dias de fevereiro, baleada na cabeça pelo ex-companheiro, Renan Dantas Valenzuela, de 31 anos. 

Já o segundo feminicídio deste ano em MS foi a morte de Vanessa Ricarte, esfaqueada aos 42 anos, por Caio Nascimento, criminoso com passagens por roubo, tentativa de suicídio, ameaça, além de outros casos de violência doméstica contra a mãe, irmã e outras namoradas.

No terceiro caso, a vítima foi Juliana Domingues, de 28 anos, assassinada com golpes de foice pelo marido, na noite do dia 18 de fevereiro, na comunidade indígena Nhu Porã, em Dourados, município localizado a 226 quilômetros de Campo Grande.

Quatro dias depois, no dia 22 de fevereiro, Mirieli dos Santos, de 26 anos, foi a quarta vítima do ano, morta a tiros pelo ex-namorado, Fausto Junior, no município de Água Clara - localizado a 193 km de Campo Grande.

No dia seguinte, Emiliana Mendes, de 65 anos, foi morta no município de Juti, localizado a 310 km de distância de Campo Grande. A vítima foi brutalmente atacada pelo suspeito, que, após esgana-la, arratou seu corpo até uma residência e colocou em cima de um colchão, a fim de simular uma eventual morte natural. 

O sexto caso de feminicídio registrado em 2025 foi o de Giseli Cristina Oliskowiski, morta aos 40 anos, encontrada carbonizada em um poço no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. O crime aconteceu no dia 1º de março;

O sétimo aconteceu em Nioaque e trata-se do feminicídio de Alessandra da Silva Arruda, em 29 de março, morta aos 30 anos por Venilson Albuquerque Marques, preso em flagrante horas depois convertida posteriormente para preventiva.

Já o oitavo feminicídio foi o de Ivone Barbosa da Costa Nantes, morta a golpes de faca na região da nuca pelas mãos do então namorado no assentamento da zona rural de Sidrolândia batizado de Nazareth, em 17 de abril. 

nono caso foi registrado com o achado do corpo de Thácia Paula Ramos de Souza, de 39 anos, encontrado na tarde do dia 14 de maio, no Rio Aporé, em Cassilândia-MS, segundo divulgado pela Polícia Civil. De acordo com as informações, o crime aconteceu no dia 11 de maio. 

Já o décimo caso, foi o de Simone da Silva, de 35 anos, na noite do dia 14 de maio, morta a tiros na frente dos próprios filhos por William Megaioli da Silva, de 22 anos, que se entregou à polícia ainda com a arma em mãos. 

No 11º feminicídio de Mato Grosso do Sul, a vítima foi Olizandra Vera Cano, de 26 anos, que foi assassinada com golpes de faca no pescoço pelo marido de 32 anos, no dia 23 de maio. O autor acabou preso em flagrante, na cidade de Coronel Sapucaia, a 395 quilômetros de Campo Grande.

O 12º caso caso aconteceu no dia 25 de maio, no Hospital Regional de Nova Andradina, e vitimou Graciane de Sousa Silva, que foi vítima de diversas agressões durante quatro dias seguidos, na cidade de Angélica, distante aproximadamente 275 quilômetros de Campo Grande.

Seguindo a sequência, Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha Sophie Eugênia Borges, de apenas 10 meses, foram as 13ª e 14ª  vítimas de femicídio, em Mato Grosso do Sul. As duas foram mortas e queimadas no dia 26 de maio, no bairro São Conrado, em Campo Grande. O autor do crime, João Augusto Borges, de 21 anos, que era marido de Vanessa e pai de Sophie confessou o duplo homicídio, e afirmou que o cometeu pois Vanessa queria se separar e ele não queria pagar pensão para a filha.

Já a 15ª morte por feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano, foi a de Eliane Guanes, de 59 anos, que foi queimada viva pelo capataz Lourenço Xavier, de 54 anos. De acordo com as informações, ele jogou gasolina no corpo de Eliane e ateou fogo na mulher, em fazenda na região da Nhecolândia, no Pantanal de Corumbá, onde os dois trabalhavam. O crime aconteceu na noite do dia 6 de junho.

Doralice da Silva, de 42 anos, foi a 16ª vítima de 2025, morta a facadas no dia 20 de junho, após uma discussão com o companheiro Edemar Santos Souza, de 31 anos, principal suspeito. O crime ocorreu na Rua dos Pereiras, na Vila Juquita, em Maracaju, a cerca de 159 quilômetros de Campo Grande.

A 17ª vítima foi  Rose Antônia de Paula, foi encontrada morta e praticamente decapitada, em uma casa em Costa Rica no dia 28 de junho. Rose era moradora de Bonito e pretendia retornar para a cidade no dia do crime. Entretanto, vizinhas estranharam o fato de ela não ter aparecido para tomar café em uma lanchonete que costumava frequentar. Pouco tempo depois, ela foi encontrada morta.

No dia 4 de julho, a 18ª vítima foi Michely Rios Midon Orue, de 48 anos, morta a facadas pelo próprio filho, de 21 anos, que era esquizofrênico. O crime aconteceu no município de Glória de Dourados, distante aproximadamente 260 quilômetros de Campo Grande. A vítima foi morta com pelo menos cinco facadas, sendo o golpe fatal desferido na região da jugular.

O 19° caso aconteceu no dia 25 de julho, com a morte de Juliete Vieira, de 35 anos, que foi esfaqueada pelo irmão, Edivaldo Vieira, de 41 anos. O crime aconteceu na cidade de Naviraí, distante aproximadamente 359 quilômetros de Campo Grande. 

Na sequência da estatística dos feminicídios registrados desde o início, a 20.ª vítima foi a professora Cinira de Brito, morta por Anderson Aparecido de Olanda, de 41 anos, que esfaqueou a companheira com dois golpes na perna, três no abdômen e depois tirou a própria vida. 

Já a 21ª vítima de feminicídio em 2025 foi Salvadora Pereira, de 22 anos, assassinada com tiro no rosto pelo então companheiro, José Cliverson Soares, 32 anos, na frente de cerca de cinco crianças com idades entre dois e oito anos. 

Depois, o 22° caso de feminicídio foi a morte de Dahiana Ferreira Bobadilla, morta aos 24 anos por Dilson Ramón Fretes Galeano, de 41 anos, que fugiu após enterrar o corpo em cova rasa às margens do Rio Apa, em Bela Vista. 

Já a 23ª vítima de feminicídio em 2025 no Mato Grosso do Sul foi Letícia Araújo, de 25 anos, atropelada de propósito pelo marido, Vitor Ananias, 25, como registrado pelas câmeras de segurança da região. 

Após ser mantida em cárcere privado pelo entção marido, Érica Regina Mota, de 46 anos, foi a 24ª vítima de feminicídio em 2025 no Mato Grosso do Sul, morta a facadas por Vagner Aurélio, de 59 anos, preso em flagrante poucas horas depois. 

O 25° feminicídio registrado foi o de Dayane Garcia, de 27 anos, que morreu na Santa Casa de Campo Grande depois de passar 77 dias internada, após ser ferida a tiros pelo ex-marido Eberson da Silva, de 31 anos, ainda em 18 de junho. 

O 26° caso foi o de Iracema Rosa da Silva, morta aos 75 anos em Dois Irmão do Buriti, por defender a filha do genro que cometia violência doméstica.

Caso confirmado, o 27° feminicídio será o de Gisele da Silva Saochine, morta aos 40 anos pelo marido no quintal de casa. Em seguida, ele a arrastou para o quarto e a incendiou. Depois, foi para o carro que estava na garagem, e colocou fogo em si mesmo, morrendo carbonizado.

28° foi o de Ana Taniely Gonzaga de Lima, de 25 anos, morta em Bela Vista, pelo ex que não aceitava o fim do namoro. Inconformado com o fim da relação, ele passou a insistir em uma reconciliação, até que encontrou a vítima e agrediu com golpes de faca e também com um pedaço de madeira, causando ferimentos graves que resultaram em sua morte.

A 29ª vítima foi  Erivelte Barbosa Lima de Souza, de 48 anos, que foi esfaqueada pelo marido Adenilton José da Silva Santos, de 30 anos, em Paranaíba. Adenilton José da Silva Santos foi preso em flagrante e levado à delegacia do município. Durante o interrogatório, ele confessou o crime e contou que não conseguia lembrar o que o levou à prática, já que estava embriagado.

A 30ª vítima foi Andreia Ferreira, de 40 anos, assassinada a tiros pelo marido Carlos Alberto da Silva. Irritado após discussão do casal, Carlos usou arma que tinha em casa para disparar contra a mulher. O homem esteve foragido, mas foi preso uma semana após o ocorrido do dia 12 de outubro.

Com a morte de Solene Ferreira, de 46 anos, Mato Grosso do Sul registra o 31º caso de feminicídio em 2025, a pouco mais de dois meses para o fim do ano.

** Colaborou Leo Ribeiro e Tamires Santana

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Entrevista

"Nossa prioridade é reorganizar e ampliar os serviços essenciais"

Novo secretário de Infraestrutura de Campo Grande, André de Moura Brandão falou sobre seu objetivo à frente da Sisep e sobre a situação do serviço de tapa-buracos nas ruas da Capital em entrevista ao Correio do Estado

27/06/2026 09h30

André de Moura Brandão

André de Moura Brandão Rafael Benjamin/divulgação

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Nomeado pela prefeita Adriane Lopes (PP), no dia 29 de maio deste ano, para assumir a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André de Moura Brandão está no cargo há pouco mais de 20 dias e falou ao Correio do Estado sobre os desafios enfrentados e seus objetivos no longo prazo.

Segundo Brandão, a principal prioridade atualmente é regularizar a operação tapa-buraco, que está apenas com algumas frentes em operação, principalmente em razão da suspensão da Construtora Rial, que era responsável por quatro das sete regiões urbanas de Campo Grande, após operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) vincular a empresa a suposto esquema de corrupção na Sisep.

O novo secretário também falou sobre seus objetivos à frente da secretaria. “Nossa prioridade é reorganizar e ampliar os serviços essenciais, especialmente a operação tapa-buracos”.

O senhor entrou na Sisep há menos de um mês, qual foi sua prioridade de trabalho? O que já foi feito e o que ainda está por vir?

Estou há pouco mais de 20 dias à frente da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos.
Assumimos a secretaria com uma missão, por determinação da prefeita Adriane Lopes: conciliar o perfil de gestão do secretário André Brandão com o corpo técnico da Sisep, que é um corpo técnico de excelência.

Neste momento, a principal demanda da população é a recuperação das ruas, por meio da operação tapa-buracos.

Esta semana, o senhor se reuniu com os vereadores e falou sobre a questão do tapa-buraco em Campo Grande. Poderia explicar melhor qual o plano da prefeitura para o serviço?

Houve uma operação do Ministério Público que envolveu uma empreiteira que atendia quatro regiões da cidade com o tapa-buracos.

Por uma medida de precaução, a Controladoria-Geral do Município recomendou a suspensão desses serviços enquanto é realizada uma auditoria para avaliar a situação dos contratos. Com isso, apenas três regiões permaneceram com o atendimento contratual.

Quando assumi a Sisep, no dia 1º de junho, dos três contratos vigentes, apenas duas frentes de trabalho estavam em operação.

A primeira medida imediata foi convocar a empresa responsável e determinar a implantação da terceira frente prevista contratualmente.

Com isso, o número de buracos reparados por dia passou de aproximadamente 450 para cerca de 800. Essa foi a primeira decisão adotada dentro das condições contratuais existentes.

Também temos a previsão de implantar mais uma frente contratada na primeira semana de julho. Fizemos uma consulta à Procuradoria-Geral do Município, que já sinalizou positivamente.

Assim, passaremos a contar com quatro frentes contratadas, e até o fim da primeira quinzena de julho estaremos com mais uma frente própria da secretaria.

Dessa forma, sairemos de duas frentes de trabalho, quando assumimos a gestão, para cinco frentes de atuação, proporcionando um atendimento mais robusto e eficiente à população.

Paralelamente, estamos adotando medidas administrativas e conduzindo os procedimentos licitatórios necessários para recuperar a capacidade operacional dos contratos, por meio dos trâmites legais, permitindo ampliar o atendimento nas sete regiões de Campo Grande.

O Consórcio Central-MS também atua com um processo de credenciamento.

Estive na Câmara Municipal para esclarecer as informações e apresentar aos vereadores as projeções de atendimentos realizadas pela atual gestão da Sisep.

Estamos passando por um momento atípico em Campo Grande, com um volume elevado de chuvas. Ainda assim, seguimos avançando e atendendo a todas as demandas apresentadas pelos vereadores, que têm dado uma contribuição fundamental nesse processo, pelas lideranças comunitárias e também pelos canais oficiais de atendimento da prefeitura.

A atual gestão da Sisep, em conjunto com o corpo técnico da secretaria, atua para garantir a regularização dos serviços de tapa-buracos ao longo do segundo semestre.

A fábrica de asfalto do Consórcio Central-MS vai dar conta de atender a cidade toda? Caso o projeto não dê certo, pode ser feita uma licitação de emergência?

O credenciamento via Consórcio Central-MS é uma medida alternativa. O projeto principal da prefeitura é uma licitação própria para restabelecer o atendimento de tapa-buraco nas sete regiões de Campo Grande.

A prefeitura também anunciou um programa de recapeamento para a cidade. Já há definição de quais ruas serão beneficiadas? Quando começa?

A definição das vias que serão contempladas pelo recapeamento segue critérios técnicos, priorizando os trechos que apresentam maior necessidade de intervenção, conforme os levantamentos realizados pelas equipes da Sisep.

O cronograma de execução e a relação das primeiras ruas contempladas serão divulgados pela prefeitura assim que essa etapa for concluída e as frentes de trabalho forem oficialmente iniciadas.

Quais seus principais objetivos à frente da secretaria?

Meu principal objetivo é fortalecer a capacidade de resposta da Sisep às demandas da população, conciliando uma gestão eficiente com a experiência e a qualidade do corpo técnico da secretaria.

Nossa prioridade é reorganizar e ampliar os serviços essenciais, especialmente a operação tapa-buracos, sem perder de vista o planejamento das grandes obras de infraestrutura que estão em andamento e das que serão iniciadas.

A determinação da prefeita Adriane Lopes é garantir resultados concretos, com planejamento, responsabilidade e eficiência.

{ PERFIL }

André de Moura Brandão 

Natural de Dourados, é profissional de contabilidade, graduado em Administração de Empresas e tem formação em Leader Coach Training (LCT) pelo Instituto Brasileiro de Coaching.

Na Prefeitura de Campo Grande, atuou como superintendente do Sistema de Registro de Preços, entre 2018 e 2023, e, posteriormente, como secretário-executivo de Compras Governamentais, entre 2023 e 2024, e como secretário especial de Licitações e Contratos, entre 2025 e este ano. Também exerceu mandato de vereador em Itaporã, entre 2013 e 2016.

Recentemente, assumiu a gestão da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

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Rodovia

ANTT confirma tarifaço do pedágio na BR-163

Concessionária aceitou reajuste proposto pela agência nacional; novo valor deverá ser sancionado em julho e entrar em vigor no dia 5 de agosto

27/06/2026 08h00

Pedágio na praça de Campo Grande da BR-163 vai sair de R$ 10,00 para R$ 14,30, após a entrada em vigor do novo preço em agosto

Pedágio na praça de Campo Grande da BR-163 vai sair de R$ 10,00 para R$ 14,30, após a entrada em vigor do novo preço em agosto GERSON OLIVEIRA

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A concessionária Motiva Pantanal aceitou este mês o reajuste médio de 41,63% no pedágio a ser cobrado na BR-163 a partir do dia 5 de agosto, desde que a diferença do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a este mês seja aplicado no aumento programado para o ano que vem. 

Este incremento na tarifa definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é até 3% superior aos 39,3% solicitado pela empresa em maio. 

O porcentual foi definido pela nota técnica nº 5.544/2026 da autarquia, na qual é afirmado que a empresa tem direito ao “acréscimo tarifário de 26,97%, correspondente à variação do IPCA no período, visando promover a recomposição monetária da tarifa”, bem como ao degrau tarifário de 33,64%.

O que totalizaria 41,18% de aumento médio, mas, com os arredondamentos dos centavos este porcentual passa a ser de 41,63%.

Como ele supera em até 3% o aumento solicitado pela Motiva no dia 4 de maio, em carta apresentada à ANTT que considerava os IPCAs provisórios de maio e junho, a empresa decidiu acatar o reajuste proposto. 

Neste documento, a empresa pediu reajustes entre 37,8% a 41,3% no pedágio das nove praças, nos 845 km da BR-163. A média pedida foi 39,3% de aumento.

Para a empresa, o IPCA estimado entre novembro de 2021 até este mês (considerando até junho) seria de 24,7%, menor que o definido pela ANTT, de 26,97%. 

Em nova carta enviada à Agência, no dia 15, a Motiva Pantanal afirma que aceitará a aplicação do reajuste proposto pela ANTT, porém ressalta que “quanto ao cálculo da atualização pelo IRT, a Concessionária não se opõe à aplicação do porcentual calculado por essa agência”, destacado que “caso a 1ª Revisão Ordinária seja aprovada com base no IRT provisório, a eventual diferença em relação ao índice definitivo deverá ser ajustada na Revisão Ordinária subsequente, por meio do Fator C (cesta de índices que entram no cálculo tarifário)”.

Neste mesmo comunicado, a Motiva Pantanal reforça que aceita a aplicação do degrau tarifário de 33,64%, porcentual definido no ano passado com a assinatura do aditivo do contrato de concessão que previa este incremento na tarifa caso a concessionária atingisse as metas de execução de obras previstas para até o 9º mês do primeiro ano de concessão da BR-163. A empresa cumpriu estas metas no segundo semestre. 

A manifestação da Motiva Pantanal ocorreu dentro do prazo permitido (de 15 dias) para que ela dissesse que concordaria ou não com os critérios do aumento, que considerou uma média do IPCA dos últimos três meses. 

Só que no dia 29 de maio a concessionária já havia manifestado que aceitava o índice do degrau tarifário e enfatizava que estava “pendente a atualização pelo IRT no período”, já que o IPCA deste mês só deve ser divulgado no dia 10 de julho. 

Pedágio na praça de Campo Grande da BR-163 vai sair de R$ 10,00 para R$ 14,30, após a entrada em vigor do novo preço em agosto

NOVA TABELA

Se não houver qualquer outro questionamento e a diretoria da ANTT aprovar, os reajustes no pedágio serão entre 40,54% e 44%, com média de 41,63%, sendo o maior reajuste na praça de pedágio localizada em São Gabriel do Oeste e o menor em Pedro Gomes (40,54%). 

Em São Gabriel do Oeste, a autarquia estipulou em 44% o aumento, elevando a tarifa cobrada dos carros de passeio de R$ 7,50 para R$ 10,80. 

A ANTT considera que em Campo Grande o aumento será de 43% e em Mundo Novo, de 41,54%. Na Capital, o valor sugerido é de R$ 14,30 por carro de passeio, contra os atuais R$ 10. Já em Mundo Novo, o valor pode saltar de R$ 6,50 para R$ 9,20.

Já nas praças de Itaquiraí e Caarapó o aumento será de 42,57% e 42,70% respectivamente, fazendo com que a tarifa fique em R$ 12,60 e R$ 12,70, respectivamente. Em Rio Verde, o incremento será 41%, com o pedágio a R$ 10,40. 

Em Rio Brilhante e Jaraguari os porcentuais a serem aplicados serão de 40,66% e 41,03%, com as tarifas subindo para R$ 12,80 e R$ 11, respectivamente.

Em Pedro Gomes o pedágio vai subir 40,54%, com o valor do pedágio para o carro ficando em R$ 10,40.

Estas variações nas tarifas ocorrem, entre outros motivos, por causa da abrangência de cada praça, que tem como parâmetro de cálculo a extensão em quilômetros.

Na praça de Campo Grande o usuário paga por percorrer 111,74 km mesmo sem utilizar todo o trecho. Em Mundo Novo, são 72,34 km. 

Em média, o aumento definido pela ANTT é de 41,18%, ante os 39,3% solicitados pela empresa, o que pode elevar o pedágio a cada 100 km de R$ 7,50 cobrados hoje para R$ 12, contra R$ 10,47 calculado pela Motiva. 

Com os porcentuais definido pela autarquia, o motorista de um carro de passeio vai gastar R$ 107,90 para percorrer os 845 km da BR-163, o que representa R$ 31,80 a mais que os atuais R$ 76,10. Pela proposta da Motiva Pantanal, o valor ficaria em R$ 106.

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